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Em tempos de ‘arrocha’, dança do ventre conquista douradenses

26/04/2014 08h50

Prova disso é o sucesso de apresentações deste tipo de dança que se espalham cada vez mais pela cidade,

Douradosnews

Movimentos suaves de bailarinas que mostram todo seu encanto e beleza em uma dança árabe que parece ‘fácil’ para alguns, mas é baseada em técnicas corporais nada simples, e bem diferentes de qualquer dança brasileira.

Na ‘terra do arrocha’, como alguns costumam definir Mato Grosso do Sul pelos talentos de sertanejo universitário que daqui saíram, os douradenses mostram que a dança do ventre também faz parte do interesse de quem busca algo diferente para se entreter na cidade.

Prova disso é o sucesso de apresentações deste tipo de dança que se espalham cada vez mais pela cidade, como as que acontecem em um restaurante árabe, cujo dono da franquia é japonês, e que reúne gente de todo lugar, e de todos os gostos.

“Apostamos nisso e é um sucesso. Muita gente vem por curiosidade mesmo, porque dança do ventre não é algo comum em Dourados e em Mato Grosso do Sul. As pessoas gostam muito, sempre voltam. Quinta-feira era quando tínhamos o menor movimento na semana, e agora é sucesso”, explicou a gerente Rafaela Oliveira, 29.

Fã de sertanejo, o comerciante Celio Marques Ferreira, 38, foi assistir pela primeira vez à apresentação num restaurante. Ficou tão empolgado com o que viu, que disse ao Dourados News que quer que a esposa, Marcia Ayala Ferreira, 35, aprenda a dançar.

“Não tenho nada contra outros estilos, mas gosto mesmo é de sertanejo. É muito bonita de se ver essa dança, quero que ela aprenda a dançar já! (risos)”, disse ele, que estava na companhia de um casal de amigos.

O também comerciante Rosilei Almeida, 47, foi outro que se mostrou empolgado. “Gosto tanto de assistir que não é a primeira vez que venho. Até faria uma performance aqui e agora para você ver que eu não só gosto de assistir como dançaria também, mas minha esposa não deixa (risos)”, disse Almeida, empolgado depois de experimentar a bebida tipicamente árabe chamada de ‘Arak’, que tem sabor de anis e é semelhante ao absinto ou a uma vodka bem forte.

Encantada com a dança também ficou a cabelereira Katiuscia Gnutzmam Martins, 38. “Eu tenho vontade de dançar, é lindo! Acho que todo mundo deveria assistir uma vez na vida”.

O irmão dela, Vanderley Eterno, 38, concordou. “Acho muito bonito, tanto a dança, quando as bailarinas”, disse ele, sendo prontamente repreendido pela esposa, Rosangela Cassimiro, 32. “Ele fala isso, mas não deixa eu dançar, vê se pode!”, exclamou ela. “Deixo mesmo não”, completou ele, aos risos.

O Dourados News encontrou também as amigas Inez Straliotto, 37, e Nalva Rosa, 35. “Dança de modo geral é lindo, e a dança do ventre é especial. Eu já fiz aulas, sou apaixonada, sempre que posso assisto. Chama a atenção de todos, é muito encantador mesmo”, disse Nalva.

Ser bailarina não é moleza!

Na apresentação que o Dourados News acompanhou, dançaram professora Jacyene Brasileiro, 27, e as alunas Beatriz Hanae, 17, e Lais Zarpelon, 17.

“Em Dourados o pessoal é sedento de cultura, então se apegam ao que é diferente. A maioria das pessoas vem conhecer a dança do ventre mais por curiosidade, mas acabam se interessando, voltam sempre. A mulherada se apaixona, quer fazer aulas, é muito bacana”.

A professora, que tem um estúdio de dança em Dourados, fez questão de ressaltar que a dança não é apenas “um corpo balançando”, como algumas pessoas acham, e disse que a técnica não é nada simples.

“Precisa de dedicação. A dança do ventre tem movimentos que não tem a ver com absolutamente nada na dança brasileira, é uma técnica de certo modo complexa, mas também fácil de pegar. Qualquer um pode dançar, não tem idade, nem biotipo, faz muito bem para o corpo, a mente, e principalmente a autoestima”.

E a pergunta que não quer calar: como é o assédio? Segundo Jacyene, bailarina que se preze lida muito bem com isso. “Tem homem que é assanhadinho mesmo, cai matando com aquelas cantadas que a gente conhece. Mas, geralmente é a mulherada que traz eles para assistir, então eles acabam se contendo (risos)”.

E mesmo com toda a técnica possível de uma bailarina profissional, ninguém está livre de gafes. “Nossa! Já derrubei o véu no prato de salada, e em uma dança folclórica em que se usa um bastão, eu não calculei o espaço entre as mesas e quase acertei uma cliente. Ela praticamente deu um pulo para o colo do marido, com medo de apanhar (risos)”.

Bailarina Jacyene Brasileiro durante apresentação em restaurante árabe (Foto: Thalyta Andrade)

Bailarina Lais Zarpelon durante apresentação(Foto: Thalyta Andrade)

Em tempos de ‘arrocha’, dança do ventre conquista douradenses