Márcia Lopes cobra engajamento dos homens em ato contra o feminicídio no ABC paulista

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, participou nesta quinta-feira (19/3), em São Bernardo do Campo, do ato “Homens contra o Feminicídio”, promovido pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, com foco no engajamento masculino no enfrentamento à violência de gênero.

O evento reuniu trabalhadores, lideranças sindicais e movimentos sociais e marcou o lançamento da cartilha “Papo de homem: Violência contra a mulher – Temos que dar um fim!”, concebida como instrumento de conscientização e diálogo direto com o público masculino.

A iniciativa destacou que a responsabilidade pela superação da violência contra as mulheres é coletiva, mas exige, sobretudo, uma mudança de postura dos homens.

Em sua fala, Márcia Lopes elogiou a iniciativa do Sindicato e disse que esse tipo de postura é estratégica para a transformação cultural de uma sociedade com valores patriarcais. “É preciso mudar a mentalidade e fazer uma ruptura com essa história de machismo e misoginia”.

Segundo a ministra, a cartilha é um “instrumento pedagógico que ensina, orienta e informa”. “Eu vou levar essa cartilha para todo mundo e incentivar que outras organizações repliquem a experiência”, destacou Márcia Lopes ao defender a ampla divulgação do material. Para ela, iniciativas como essa são fundamentais para romper o ciclo de violência, sobretudo porque reconhecem a responsabilidade dos homens na escalada da violência contra as mulheres. “São os homens que são os agressores”, disse. Essa realidade, destacou a ministra, exige investimento em formação, diálogo e educação desde cedo, para que os meninos se tornem homens éticos e conscientes e, quando cresçam, respeitem e valorizem a mulher.   

Mobilização ampla 

Márcia Lopes também destacou que o enfrentamento à violência de gênero exige mobilização direta nos territórios e mudança profunda de comportamento, convocando especialmente os homens a se organizarem coletivamente. “Tenham grupos de discussão nos seus bairros, onde vocês moram, onde vocês vivem”, orientou, reforçando que a transformação cultural e de comportamento precisa partir do cotidiano e das relações sociais.

A ministra cobrou maior compromisso dos governos estaduais e municipais com as políticas para mulheres e lamento. “Cada estado e cada município precisam fazer a sua parte”, afirmou.

Ao dimensionar o desafio, destacou: “São milhões de mulheres, só em São Bernardo são mais de 450 mil, e precisamos perguntar: onde elas estão? Como vivem? Estão estudando, trabalhando, se profissionalizando?”

Mudança de padrões 

Ela enfatizou que romper com o ciclo de violência depende de uma mudança mais firme de postura. “Só vamos romper com esse ciclo de violência se a gente tiver uma radicalidade nas nossas atitudes, no nosso pensamento”, apontando que essa é uma responsabilidade compartilhada entre sociedade e poder público.

Além da mobilização social, Márcia Lopes defendeu o fortalecimento da rede de proteção, com mais serviços e políticas públicas voltadas às mulheres, como delegacias especializadas, atendimento 24 horas, saúde integral e espaços comunitários. Ao final, reforçou que a construção de uma sociedade mais justa passa pela ação conjunta de homens e mulheres, com base em valores de “igualdade, solidariedade e paz”.

Ao tratar das causas estruturais da violência, a ministra afirmou que ela “está enraizada em uma cultura histórica de desigualdade, marcada por machismo, racismo e exclusões sociais”, e defendeu a atuação integrada de políticas públicas envolvendo saúde, educação, justiça, assistência social, agricultora, previdência social e todos os setores do governo.

Chamamento aos homens  

Ao apresentar a cartilha “Papo de homem: Violência contra a mulher – Temos que dar um fim!”, o presidente do sindicato, Moisés Selerges, enfatizou que o protagonismo masculino é indispensável nessa agenda. 

“Os homens precisam se envolver nesse tema, precisam debater, seja nas fábricas, seja em casa, na igreja, no boteco, em qualquer lugar”, defendendo que o enfrentamento à violência deve atravessar todos os espaços da vida cotidiana. Em tom de chamamento, reforçou que a mobilização não é opcional, mas necessária, ao convocar os homens a romperem com a omissão e assumirem seu papel no combate ao feminicídio.

Caravana Federativa

Após o ato em São Bernardo do Campo, a ministra Márcia Lopes seguiu para a abertura da Caravana Federativa em São Paulo (SP), onde realizou a entrega da cartilha ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fortalecendo a articulação entre governo federal e entes locais na promoção de políticas públicas para as mulheres.

A agenda no estado nesta quarta-feira (19) inclui ainda a plenária “São Paulo contra o Feminicídio”, na Câmara Municipal de São Paulo, com a presença de parlamentares, representantes de movimentos de mulheres e feministas, entre outras autoridades.

Fonte: Ministério das Mulheres