
Termina em 31 de março o prazo para que estados e municípios compartilhem suas experiências em sistemas de alerta. A iniciativa é liderada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e busca ouvir quem está na linha de frente no enfrentamento de enchentes, deslizamentos e secas, cada vez mais frequentes em todo o Brasil. Os relatos selecionados serão apresentados durante o II Seminário Nacional de Avaliação de Alertas do Cemaden, de 29 de junho a 1º de julho, em São José dos Campos (SP).
A ação é fruto do Projeto Capacidades Organizacionais de Preparação para Eventos Extremos (Cope), desenvolvido pelo Cemaden, que tem como objetivo analisar as capacidades e necessidades de preparação de governos locais e comunidades frente a eventos extremos de tempo e clima. A iniciativa já mapeou as demandas de 2.289 municípios brasileiros, no primeiro semestre de 2025 — um dos maiores diagnósticos sobre proteção e Defesa Civil já feitos no País.
A pesquisa vai alimentar estratégias e políticas públicas de enfrentamento aos desastres ambientais a partir de um diagnóstico da estrutura de governos e comunidades em nível municipal. O Cope foi desenvolvido com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Para o sociólogo, professor e coordenador do projeto, Victor Marchezini, ouvir quem trabalha diretamente com essas vulnerabilidades é essencial ao enfrentamento do cenário. “O seminário será uma oportunidade importante para escuta, troca de experiências e aprendizados em sistemas de alerta. O Projeto Cope está contribuindo para a comissão organizadora para oferecer sessões de diálogo, mesas-redondas e oficinas de capacitação”, afirma.
Além das apresentações, o Projeto Cope oferecerá, na manhã de 30 de junho, uma oficina presencial voltada a Defesas Civis municipais e estaduais. O encontro compartilhará resultados preliminares sobre as estruturas de proteção civil no Brasil e debaterá estratégias para enfrentar os desafios identificados. O Cemaden promoverá ainda outras cinco oficinas ao longo do evento.
Como participar
Defesas civis municipais e estaduais interessadas em apresentar suas experiências devem preencher formulário específico até 31 de março de 2026. Os resultados serão divulgados até 15 de abril. As apresentações ocorrerão na tarde de 29 de junho, de forma presencial, e o evento é gratuito. Todos os participantes receberão certificado.
Chamada para municípios: https://bit.ly/municipio-sistemadealerta
Chamada para estados: https://forms.gle/BtscJJfvPUo5BJsR6
Sobre o Projeto Cope
Com vigência até agosto de 2028 e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer nº 7.076.442), o Projeto Cope integra pesquisa, ensino e extensão com o objetivo de subsidiar políticas públicas de preparação para eventos extremos.
Desde setembro de 2023, o projeto envolve alunos de pós-graduação do Programa de Pós-Graduação em Desastres Naturais do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista e do Programa de Pós-Graduação em Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Ele conta com pesquisadores do Cemaden e de instituições como a Fundação Getulio Vargas (FGV), a Universidade de Glasgow e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.
O projeto já produziu um glossário transdisciplinar de acesso gratuito, revisão sistemática de literatura sobre capacidades para gestão de risco de desastres, metodologias participativas e banco de dados público.
