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segunda-feira, 19 de outubro, 2026

Governo não tem como cortar mais gastos não obrigatórios, diz secretário do Tesouro

Mansueto Almeida deu declaração em seminário da FGV. Atualmente, despesas obrigatórias estão acima da inflação e, com regra do teto, governo terá de cortar gastos não obrigatórios.

18/08/2018 07h40 – G1

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmou nesta sexta-feira (17) que o governo não tem como cortar mais gastos discricionários, ou seja, não obrigatórios.

Mansueto deu a declaração ao participar do seminário Direito e Desenvolvimento, promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

“Se decidir que tem de investir um pouco mais em Educação e Saúde, não temos dinheiro. Do orçamento, praticamente 98% é despesa obrigatória. O orçamento quase todo ele é obrigatório. Isso não acontece em nenhum país do mundo”, declarou.

Atualmente está em vigor uma regra que proíbe a União (Executivo, Legislativo e Judiciário) de gastar acima da inflação do ano anterior.

Mas, como os gastos obrigatórios, como a Previdência Social e o pagamento de pessoal, já estão acima da inflação, o governo terá de cortar as despesas não obrigatórias para respeitar a regra do teto.

Aumento da carga tributária

Segundo Mansueto Almeida, os gastos não obrigatórios do governo deverão somar R$ 126 bilhões neste ano, mesmo patamar de 2009, enquanto as despesas obrigatórias cresceram 50% no mesmo período.

Diante deste cenário, acrescentou o secretário, se não houver o controle dos gastos, “isso vai significar aumento da carga tributária”.

“Algumas pessoas acham que controlar o gasto é muito duro. Se não houver o consenso de controlar o gasto, isso vai significar aumento de carga tributária. E não vamos pensar que isso vai significar apenas tributar ricos”, declarou.
De acordo com Mansueto, a atual carga tributária está em cerca de 33% do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo ele, o patamar é semelhante aos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e está 10 pontos acim do PIB dos paíeses da América Latina.

“Se o Brasil fosse a Alemanha, a carga não seria alta. Se fosse a Dinamarca, também não seria alta, mas é o um país de renda média, onde a carga é em torno de 27% do PIB”, afirmou.

Reforma da Previdência

Ainda durante o seminário da FGV, Mansueto Almeida afirmou que o nível de gastos do governo que podem ser remanejados é muito baixo atualmente e ainda será cortado nos próximos anos.

“Isso fará o ajuste fiscal? Não. Para fazer ajuste fiscal, tem que mexer em regras de aposentadoria”, declarou.
Em seguida, o secretário afirmou que, atualmente, o Brasil gasta com Previdência Social o mesmo que países cuja população de idosos é o dobro.

Tributação de dividendos

Durante o seminário Mansueto afirmou ser a favor de tributar dividendos.

“Mesmo que aumente imposto sobre herança e sobre dividendos, e sou a favor de tributar dividendos. […] O problema são empresas do lucro presumido, pessoas jurídicas. Pagam 14,5% de imposto, isso é errado. No Brasil, um advogado que ganha R$ 30 mil por mês está no Simples e paga 9%”, afirmou.

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)