PeNSE 2024 aponta desafios para gestores de ensino. Estudantes sul-mato-grossensestem altos índices de bullying, uso de drogas (lícitas ou ilícitas), violência, violência sexual e percepção de que a vida não vale a pena

Seus resultados ajudam a orientar políticas públicas e ações voltadas ao bem-estar e à qualidade de vida dos estudantes brasileiros.

O IBGE divulgou hoje, 25 de março, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), que reúne informações essenciais sobre fatores de risco e proteção à saúde de adolescentes em escolas públicas e privadas do Brasil.

Realizada desde 2009 pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e apoio do MEC, ela acompanha temas como hábitos alimentares, atividade física, uso de substâncias, saúde mental, violência e ambiente escolar. Ao longo das edições, ampliou sua abrangência e métodos, incluindo novas faixas etárias e diferentes planos amostrais, permitindo comparações nacionais e internacionais.

Seus resultados ajudam a orientar políticas públicas e ações voltadas ao bem-estar e à qualidade de vida dos estudantes brasileiros.

Abaixo alguns destaques para MS

Destaques:

PeNSE 2024 aponta desafios para gestores de ensino. Estudantes sul-mato-grossensestem altos índices de bullying, uso de drogas (lícitas ou ilícitas), violência, violência sexual e percepção de que a vida não vale a pena
PeNSE 2024 aponta desafios para gestores de ensino. Estudantes sul-mato-grossensestem altos índices de bullying, uso de drogas (lícitas ou ilícitas), violência, violência sexual e percepção de que a vida não vale a pena
PeNSE 2024 aponta desafios para gestores de ensino. Estudantes sul-mato-grossensestem altos índices de bullying, uso de drogas (lícitas ou ilícitas), violência, violência sexual e percepção de que a vida não vale a pena

Perfil de escolares de MS tem diferenças notáveis com relação à média nacional

No total, Mato Grosso do Sul (MS), em 2024, registrou cerca de 169.939 estudantes de 13 a 17 anos, sendo 150.054 na rede pública e 19.885 na rede privada. Em Campo Grande, esse total é de 56.148, estando 46.320 na rede pública e 9.828 na rede privada.

Em Mato Grosso do Sul, 73,6% dos estudantes viviam em residências com carro, percentual superior à média nacional (59,3%) e o 6º maior entre as unidades da Federação. Se analisados somente os alunos da rede privada, chegou a 96,7%, o maior percentual nacional.

Quando analisadas as capitais, Campo Grande registrou 75,5% dos escolares vivendo em domicílios com carro, o 3º maior percentual entre as capitais brasileiras.

No perfil familiar, o estado apresentou o maior percentual de escolares que moravam apenas com o pai (7,1%), superando a média brasileira (4,8%). Além disso, 7,9% dos estudantes não residiam com pai nem mãe, proporção também acima da nacional (5,9%), ficando em 7º maior entre as UFs.

A escolaridade das mães também ajuda a traçar o perfil socioeconômico do estado. Cerca de 25,5% dos escolares tinham mães com ensino superior completo, acima da média nacional (23,4%). Já a proporção de estudantes cujas mães tinham nenhuma instrução ou ensino fundamental incompleto (12,8%) foi inferior à média do país (15,2%), configurando o 5º menor percentual entre as UFs.

Na distribuição por cor ou raça, Mato Grosso do Sul registrou 41,5% de escolares brancos, acima da média nacional (37,3%) e o 5º maior percentual do país. Já a participação de estudantes pretos foi de 7,8%, abaixo do índice nacional (13,1%).

O acesso à internet foi elevado na capital: 98,7% dos estudantes tinham internet em casa, colocando Campo Grande na 5ª posição entre as capitais. Entre alunos da rede pública, o percentual foi de 98,5%, o 3º maior do País.

Já a posse de telefone celular alcançou 94,9%, figurando em 5º entre as capitais.

Entre os resultados positivos, 68,1% do total de estudantes de 13 a 17 anos de Campo Grande disseram que os colegas os trataram bem ou foram prestativos com eles na maior parte das vezes ou sempre, percentual acima da média nacional (64,7%)

Outro destaque positivo está na violência física sofrida no ambiente escolar, Campo Grande registra 85,7% do total de estudantes de 13 a 17 anos que declararam não ter sofrido alguma agressão nos 30 dias anteriores à pesquisa, colocando a capital em 3º dentre as capitais.

Por outro lado, MS se destaca na frequência com que o total de estudantes de 13 a 17 anos agrediram fisicamente algum dos seus colegas de escola, por duas vezes ou mais, nos 30 dias anteriores à pesquisa, registrando 9,3%, o que deixa o estado em 8º dentre as UFs.

No ambiente digital, o estado apresentou resultado relativamente melhor que a média nacional, 12,4% do total de estudantes disseram ter se sentido ameaçados, ofendidos ou humilhados nas redes sociais ou em aplicativo de celular, abaixo dos 12,8% do país, o que coloca o estado na 7ª menor proporção entre as UFs. Em Campo Grande, esse percentual foi de 11,9%, também inferior ao total das capitais (12,6%).

No campo do acompanhamento familiar, Campo Grande se destaca com 84,9% do total de estudantes afirmando que os pais ou responsáveis sabiam o que eles faziam no tempo livre, isso deixa a capital sul-mato-grossense como a 3ª capital com maior percentual nesse indicador.

Destaque positivo para a capital sul-mato-grossense, 26,0% dos estudantes disseram ter se sentido humilhados por provocações de colegas duas ou mais vezes, índice inferior à média das capitais (27,9%), deixando a capital entre os 5 menores percentuais dentre as demais.

Ponto que merece monitoramento está nas agressões praticadas no ambiente virtual. Em Mato Grosso do Sul, 12,3% do total dos escolares disseram ter ameaçado, ofendido ou humilhado outras pessoas nas redes sociais ou aplicativos, percentual superior ao observado no Brasil (10,0%). Isso coloca o estado em 5º no ranking, quando comparado com outras UFs.

Entre as capitais, Campo Grande tem o maior percentual de escolares humilhados na escola por causa da aparência do corpo

Entre os estudantes que relataram humilhação sofrida na escola, o motivo de aparência do corpo (27,8%) apareceu como um dos principais destaques negativos em Mato Grosso do Sul, percentual que coloca o estado na 2ª maior percentual entre as UFs nesse quesito. Em Campo Grande, quando analisado o mesmo motivo de humilhação, a situação é ainda mais intensa: a capital registrou 28,3%, ficando em 1º entre as capitais.

Estudantes de MS e Campo Grande praticam bullying com mais frequência

Pelo lado de quem pratica a humilhação, Mato Grosso do Sul também aparece em posição de destaque. Entre os estudantes que disseram ter humilhado colegas, 12,3% apontaram a deficiência como motivo, colocando o estado em 1º lugar nesse quesito. Além disso, 21,3% citaram a aparência do corpo como motivo de prática de humilhação, o 2º maior percentual do país, frente a 17,1% no Brasil. Em Campo Grande, o quadro também chama atenção: acapital teve a maior percentual (1º) entre as capitais para humilhação motivada por roupas, sapatos, mochila ou material escolar (20,1%) e a 2ª maior por sotaque ou jeito de falar (19,2%).

Mato Grosso do Sul combina maior presença de alimentos in natura em parte da dieta, mas ainda exibe consumo elevado de ultraprocessados e baixo hábito de café da manhã

Um dos principais destaques negativos foi o consumo de refrigerante no dia anterior à pesquisa: 49,5% dos escolares de 13 a 17 anos em Mato Grosso do Sul relataram esse consumo, acima da média nacional de 42,8%, o que colocou o estado na 2ª maior percentual entre as unidades da federação (atrás apenas do RS). Em Campo Grande, o percentual foi ainda mais alto, de 52,3%, também a 2ª maior marca entre as capitais (ficando atrás somente de Cuiabá), frente aos 43,2% do conjunto das capitais

Outro ponto de atenção apareceu no hábito de tomar café da manhã regularmente. Em Mato Grosso do Sul, 48,1% dos estudantes disseram ter consumo habitual de café da manhã, percentual bem inferior à média do país, de 59,6%. Com isso, o estado ficou na 26ª posição entre as 27 unidades da federação pesquisadas, ou seja, o 2º menor percentual do país. Em Campo Grande, o quadro também foi desfavorável: 48,5% dos escolares tinham esse hábito, abaixo da média das capitais, de 57,5%, colocando a capital também no 2º menor percentual dentre as demais.

Na outra ponta, Mato Grosso do Sul registrou resultado bastante favorável quando o tema é acesso à alimentação no ambiente escolar.

No estado, 82,7% dos escolares estudavam em escolas que ofereciam refeição, percentual superior aos 75,5% do Brasil e o 2º maior entre as unidades da federação. Em Campo Grande, o percentual chegou a 78,1%, superando os 66,7% observados no conjunto das capitais e colocando a cidade na 1ª posição do ranking das capitais nesse indicador.

Também houve destaque positivo no consumo de alimentos marcadores de alimentação saudável. Em Mato Grosso do Sul, 32,5% dos estudantes consumiram raízes e tubérculos no dia anterior à pesquisa, percentual acima da média nacional de 25,4% e o maior do país entre as unidades da federação. Campo Grande repetiu esse protagonismo: 31,9% dos escolares consumiram esse grupo de alimentos, contra 25,4% na média das capitais, o que colocou a capital sul-mato-grossense na 1ª posição nacional.

No grupo das verduras e legumes, outro destaque positivo, Mato Grosso do Sul mostrou desempenho acima da média nacional em parte dos indicadores. O consumo de alface, couve, brócolis, agrião ou espinafre atingiu 35,0% dos escolares, acima dos 29,2% do Brasil, colocando o estado na 4ª maior percentual entre as unidades da federação. Em Campo Grande, esse percentual foi de 34,9%, também acima da média das capitais, de 29,9%. Ao mesmo tempo, houve contraste dentro do próprio grupo: o consumo de abóbora, cenoura, batata-doce ou quiabo foi de 18,6% em Mato Grosso do Sul, abaixo dos 20,9% do país, deixando o estado na 22ª posição, entre os menores resultados nacionais; em Campo Grande, o percentual foi de 18,7%, também abaixo da média das capitais, de 21,0%.

Ponto negativo está no consumo de frutas. Em Mato Grosso do Sul, apenas 8,0% dos escolares consumiram mamão, manga ou pequi no dia anterior à pesquisa, percentual que deixa o estado em última posição entre todas as unidades da federação. Em Campo Grande, o indicador foi de 8,7%, deixando a capital entre as 5 mais baixas.

Mato Grosso do Sul apresentou conjunto de resultados positivos no tema atividade física

Entre os principais resultados, Mato Grosso do Sul registrou 35,7% de escolares fisicamente ativos, percentual acima da média nacional, de 30,6%, com isso, o estado ficou na 3ª maior percentual entre as UFs. No mesmo sentido, apenas 6,4% dos estudantes sul-mato grossenses foram classificados como inativos, abaixo dos 9,7% observados no Brasil, o que colocou o estado na 3ª menor percentual do país.

Quando se observa a distribuição do tempo acumulado de atividade física nos sete dias anteriores à pesquisa, Mato Grosso do Sul também aparece bem posicionado. O estado alcançou 35,7% de escolares no grupo de 300 minutos ou mais de atividade física, frente a 30,6% no Brasil, ficando na 3ª maior percentual nacional.

Os dados sobre a presença da educação física na rotina escolar também reforçam esse quadro. Em Mato Grosso do Sul, 16,4% dos estudantes disseram não ter tido nenhum dia de aula de educação física nos sete dias anteriores à pesquisa, percentual muito inferior ao do Brasil (28,8%). Esse resultado coloca o estado na 4ª menor percentual do país.

Apesar dos avanços em atividade física, os dados também apontam ponto de atenção relacionado ao comportamento sedentário. Em Mato Grosso do Sul, 37,6% dos escolares apresentaram tempo de tela sedentário diário superior a duas horas, levemente acima da média do Brasil (36,7%), o que colocou o estado na 6ª maior percentual entre as UFs. No indicador de comportamento sedentário diário superior a três horas, o estado marcou 43,9%, percentual próximo ao nacional (44,5%), ocupando a 10ª posição no ranking das unidades da federação.

MS tem o segundo maior percentual de estudantes que já experimentaram cigarro alguma vez

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 investigou o tabagismo entre adolescentes por meio de indicadores como idade de experimentação, consumo recente de cigarros, narguilé e dispositivos eletrônicos (como vapes e pods), além das formas de acesso aos produtos e da exposição passiva à fumaça.

Os dados apontam que 27,7% dos estudantes de 13 a 17 anos em Mato Grosso do Sul já experimentaram cigarro ao menos uma vez. O índice é o segundo mais alto entre as unidades da federação, atrás apenas do Acre (28,9%).

Não houve diferença significativa entre os sexos, com prevalência de 27,3% entre meninos e 28,2% entre meninas.

Já em relação ao tipo de escola, a taxa é mais elevada na rede pública (29,2%) do que na privada (16,6%).

Sobre a idade de iniciação, a pesquisa também mediu o percentual de adolescentes que experimentaram cigarro pela primeira vez até os 13 anos. Em 2024, esse indicador alcançou 16,7% em Mato Grosso do Sul — o maior percentual do país.

No que diz respeito ao consumo recente, considerado a partir do uso de cigarros nos 30 dias anteriores à pesquisa, houve aumento em relação à edição anterior: o índice passou de 6,8% em 2019 para 8,4% em 2024. A prevalência é maior entre alunos da rede pública (8,9%) do que da rede privada (4,2%). Entre meninos (8,8%) e meninas (7,9%), a diferença não foi estatisticamente significativa. MS tem o maior percentual de estudantes que já experimentaram cigarro eletrônico

A PeNSE 2024 também analisou outras formas de consumo de tabaco. A experimentação de narguilé atingiu 32,5%, o segundo maior percentual entre os estados, enquanto o uso de cigarros eletrônicos chegou a 48,2%, o mais elevado do país. Esses comportamentos são mais frequentes entre meninas (33,3% para narguilé e 50,4% para cigarros eletrônicos) do que entre meninos (31,8% e 46,2%, respectivamente). Além disso, os índices são mais altos entre estudantes da rede pública (35% para narguilé e 49,6% para cigarros eletrônicos) em comparação com os da rede privada (13,8% e 38,0%). 32,9% dos estudantes de MS tomaram a primeira dose de álcool com menos de 14 anos

Em Mato Grosso do Sul, 56,4% dos estudantes de 13 a 17 anos relataram já ter experimentado bebidas alcoólicas, o que representa o 7º maior percentual entre as unidades da federação. O resultado indica uma queda significativa em relação a 2019, quando o índice era de 68,7%, uma redução de cerca de 10 pontos percentuais. Não houve diferença estatisticamente relevante entre alunos da rede pública (56,4%) e da rede privada (57%).

Na análise por sexo, a experimentação permanece mais elevada entre as meninas (60,4%) do que entre os meninos (52,7%). Embora ambos os grupos tenham registrado redução em relação à edição anterior, a diferença entre eles continua significativa.

A precocidade no consumo também chama atenção. O percentual de escolares que ingeriram bebida alcoólica pela primeira vez até os 13 anos foi de 32,9%, o 4º maior do país.

Quanto ao consumo recente — medido pelo uso de bebidas alcoólicas em pelo menos um dia nos 30 dias anteriores à pesquisa —, o índice foi de 24,6%, o 3º maior entre as unidades da federação. Ainda assim, houve redução em relação a 2019, quando o indicador alcançava 33,2%, representando uma queda de 8,6 pontos percentuais.

Já o consumo abusivo de álcool, definido como a ingestão de cinco ou mais doses em um único dia entre aqueles que consumiram bebida alcoólica no período recente, foi de 22,4% em 2024. Em 2019, esse percentual era de 30,4%. Os dados sugerem não apenas diminuição na proporção de adolescentes que consomem álcool, mas também uma redução na intensidade do consumo

Houve queda na experimentação e no uso recente de drogas ilícitas entre estudantes de MS

A PeNSE 2024 considerou como drogas ilícitas substâncias como maconha, cocaína, crack, ecstasy, LSD, metanfeta mina, entre outras, incluindo inalantes e compostos sintéticos. A pesquisa investigou a experimentação, a idade de início, o uso recente e o contato dos estudantes com usuários dessas substâncias.

Em Mato Grosso do Sul, 8,3% dos escolares de 13 a 17 anos relataram já ter experimentado drogas ilícitas em 2024, o que coloca o estado na 12ª posição entre as unidades da federação. O resultado representa uma redução expres siva em relação a 2019, quando o indicador era 6,1 pontos percentuais maior. A queda foi observada de forma con sistente entre meninos (-5,7 p.p.), meninas (-6,4 p.p.), estudantes da rede pública (-6,3 p.p.) e da rede privada (-4,7 p.p.).

No que se refere ao uso recente de maconha — definido como o consumo nos 30 dias anteriores à pesquisa —, a prevalência foi de 2,8% em 2024. O índice também apresentou redução em comparação a 2019, quando atingia 5,8%, reforçando a tendência de diminuição no consumo entre adolescentes.

21,0% dos escolares de MS afirmaram sentir que a vida não valia a pena

Em 2024, 5,7% dos estudantes de 13 a 17 anos em Mato Grosso do Sul declararam não ter nenhum amigo próximo, o 7º maior percentual entre as unidades da federação. A proporção é significativamente mais alta na rede pública (6,1%) do que na rede privada (2,5%).

A PeNSE também investigou o estado emocional dos adolescentes nos 30 dias anteriores à pesquisa. Os dados mostram que 49,0% relataram sentir-se muito preocupados com questões do dia a dia na maior parte do tempo ou sempre. O sentimento é mais frequente entre as meninas (60,1%) do que entre os meninos (38,6%), e entre estudantes da rede privada (63,2%) em comparação aos da rede pública (47,2%).

Em relação ao bem-estar emocional, 27,3% dos adolescentes afirmaram sentir-se tristes na maior parte do tempo ou sempre. Além disso, 25,2% disseram acreditar que ninguém se preocupava com eles durante a maior parte do tempo.

O dado mais preocupante se refere à percepção sobre a própria vida: 21,0% dos estudantes afirmaram já ter sentido que a vida não valia a pena ser vivida. O índice é substancialmente mais elevado entre as meninas (34,1%) do que entre os meninos (16,8%).

Quase um terço dos estudantes de 13 a 17 anos já tiveram relação sexual

Em MS, 30,6% dos alunos entrevistados alegaram que já haviam tido relação sexual. É o 12º valor menor entre as UFs. Quando visto pela ótica do sexo, esse percentual subia para 35,9% entre homens e descia para 25,1% entre mulheres. Entre os alunos de escola pública, o percentual era de 32,3%. Na privada, era de 18,0%.

Campo Grande registrou 28,2%, 8º menor valor entre as capitais.

Dentre os estudantes que relataram ter tido relação sexual, 40% tiveram relações antes dos 13 anos Dentre os alunos que já tinham tido relação sexual, 40% alegaram que a relação tinha ocorrido antes dos 13 anos, 10º maior número entre as UFs. Entre homens o número era de 44% e entre mulheres era de 33,8%. Nas escolas públicas o número foi de 40,7% e de 30,2% nas privadas.

Em Campo Grande, este valor foi de 33,8%. 7º menor valor entre as capitais

Uso de preservativo na primeira relação sexual atinge 60%, mas percentual diminui nas relações posteriores

Entre os estudantes que já haviam tido relação, 60,2% alegaram que usaram preservativo na primeira relação sexual. É o 12º maior percentual entre as UFs. Por sexo, o percentual era de 56,3% para homens e 66,1% para mulheres. Por tipo de escola, 59,7% para pública e 66,1% para privada.

Campo Grande registrou 58,7%, 15º menor valor entre as capitais.

Quando questionados sobre a última relação sexual que haviam tido, 53,6% alegaram ter usado preservativo. É o 6º menor percentual entre as UFs. A análise considerando o sexo dos respondentes mostra uma notável discrepância. 23,3% dos homens alegaram ter usado preservativo, já entre as mulheres esse número sobe para 54,1%. Por tipo de estabelecimento, 52,9% dos estudantes de escola pública afirmaram ter se prevenido, enquanto este número sobe para 62,6% na escola privada.

Campo Grande registrou 51,2% neste quesito, 4º menor número entre as capitais.

Uso de pílula do dia seguinte atinge cerca de um terço dos estudantes

Dentre os estudantes de MS que tiveram relações sexuais, 35,9% usaram ou tiveram parceiro que usou pílula do dia seguinte pelo menos uma vez na vida. É 4º maior entre as UFs. Por sexo, os percentuais são de 31,8% para homens e 42,1% para mulheres. Na escola pública, 35,9%. Na privada, 35,2%. Campo Grande registrou 34,3%.

MS fica entre os menores números quanto a orientações sobre gravidez e HIV

Em MS, 62,7% dos estudantes alegaram ter recebido orientações sobre gravidez. É 5º menor percentual entre as UFs. Entre homens, o percentual foi de 61,5% e entre mulheres, 63,9%. Na escola pública, foi de 61,8%. Na privada, 69,2%.

Campo Grande registrou 63,1%, 13º menor valor entre capitais

Quanto às orientações sobre HIV, 68,4% dos estudantes de MS alegaram já terem recebido informações sobre o tema. É o 9º menor percentual entre as UFs. Os números foram parecidos entre homens e mulheres, com 68,1% e 68,7% respectivamente. Na escola pública o percentual ficou em 67,5% e na privada, 75,4%.

Entre as capitais, Campo grande registrou 68,7%, 5º menor valor.

Percentual de jovens que já engravidaram é maior no ensino público

Em MS, 5,3% das estudantes já haviam engravidado. É o 4º menor número entre as UFs. Na escola pública o percentual ficou em 5,6%.

Já na privada, o valor foi de 0,9%.

Campo Grande registrou 4,4%, 6º menor valor entre as capitais.

Sentimento em relação ao próprio corpo mostra percentuais de insatisfação maiores entre estudantes do sexo feminino

Entre os estudantes, 56,1% estão satisfeitos ou muito satisfeitos com o corpo. Indiferentes eram 13,8% e 29,5% estavam insatisfeitos ou muito insatisfeitos. O percentual de jovens satisfeitos perfazia a 5ª posição entre as UFs.

Os 29,5% que responderam estar insatisfeitos registraram o 2º maior número entre as UFs, atrás apenas do PR.

Os valores mais detalhados podem ser vistos no quadro

Quadro 1 – Distribuição percentual de escolares de 13 a 17 anos por sentimento em relação ao próprio corpo –
MS – 2024 (%)

PeNSE 2024 aponta desafios para gestores de ensino. Estudantes sul-mato-grossensestem altos índices de bullying, uso de drogas (lícitas ou ilícitas), violência, violência sexual e percepção de que a vida não vale a pena

A percepção de que estão gordos, magros ou o meio termo também foi alvo da pesquisa. Os percentuais de meninas que acreditam estar gordas são maiores que os dos meninos, mas para ambos sexos o maior percentual é o de que não estão gordos e nem magros.

Quadro 2 – Distribuição percentual de escolares de 13 a 17 anos por sentimento em relação ao próprio corpo –
MS – 2024 (%

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A percepção de insatisfação ou inadequação percebida reflete no sentimento de que atitudes devem ser tomadas com relação próprio corpo. Meninas registraram um percentual maior para Perder peso que meninos. O oposto também ocorreu, com meninos registrando um percentual maior para Ganhar peso que meninas.

Quadro 3 – Distribuição percentual de escolares de 13 a 17 anos por atitude em relação ao próprio
peso corporal – MS – 2024 (%)

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Percepção de violência no entorno da escola atinge percentuais maiores na capital

A PeNSE questionou os estudantes se o diretor ou diretora da escola havia presenciado atos de violência na localidade onde ficava o estabelecimento de ensino. Os números mostram que na capital há percentuais maiores em todos os tipos de violência, exceto a sexual

Quadro 4 – Percentual de escolares de 13 a 17 anos em escolas cujo diretor(a) ou responsável presenciou ou
ouviu falar sempre ou algumas vezes situações de violência na localidade onde a escola está situada nos 12
meses anteriores à pesquisa, por tipos de violência – MS e Campo Grande– 2024 (%

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12,1% dos jovens entrevistados não foram à escola por falta de segurança no caminho de casa para a escola Dos estudantes de MS, 12,1% alegaram que não foram à aula por não haver segurança no caminho até escola. O Número é o 15º menor entre as UFs. Campo Grande registrou percentual menor: 11,2%, 6º menor valor entre as capitais.

Já os estudantes que não foram à escola por falta de segurança na própria escola foram 14,3% em MS, 17º menor valor entre as UFs. Campo Grande registrou 13,1%, 12º menor valor entre as capitais. Brigas e agressões físicas recentes atingiram 13,6% dos estudantes de MS. Percentual é o 4º maior do país

Em MS, 13,6% dos alunos alegaram ter se envolvido em brigas com luta física nos 30 dias anteriores à pesquisa. O percentual é o quarto maior entre as UFs. Entre os meninos, o percentual chegou a 19%. Entre as meninas, ficou em 7,9%. Na capital, o número ficou em 11,4%, 13º menor.

Violência sexual atinge cerca de 30% das meninas de 13 a 17 anos

Cerca de 20,4% dos escolares sul-mato-grossenses de 13 a 17 anos alguma vez na vida foram tocados, manipulados, beijados ou passaram por situações de exposição de partes do corpo contra a sua vontade. Entre as unidades da federação, MS teve o 7º maior do país. Tais casos de abuso sexual foram bem mais frequentes entre as meninas (29,3%), com taxa duas vezes maior do que a observada para os meninos (12,0%). Na rede pública, houve mais relatos desse tipo de violência (20,8%) do que na rede privada (17,6%).

A comparação com os resultados de 2019 mostrou que houve um aumento de 5,3 p.p. de estudantes de 13 a 17 anos que já sofreram assédio sexual alguma vez, cuja variação foi mais acentuada para as meninas (7,8 p.p.) e para os estudantes da rede privada (4,0%).

Entre os escolares que sofreram abuso sexual, 22,0% apontaram o(a) namorado(a) como o agressor; 15,8% apontaram amigo(a); 21,7%, um desconhecido; 29,5%, outros familiares; 22,7%, outras pessoas conhecidas; e 6,6%, pai, mãe ou responsável.

Casos de estupro foram informados por 13,0% das meninas e 5,5% dos meninos

Cerca de 9,1% dos escolares foram obrigados a ter relação sexual contra a vontade. Entre os meninos, o percentual foi de 5,5% e, entre as meninas, de 13,0%. Os casos foram mais elevados entre os alunos da rede pública (9,6%) do que da rede privada (5,4%). Em 71,2% dos casos de relação sexual forçada, o aluno tinha 13 anos ou menos quando ocorreu a violência.

Para esse tipo de agressão, outros familiares (29,2%) e o(a) namorado(a) (22,2%) foram os principais autores apontados. Mas desconhecido (22,2%), amigo (11,1%), outra pessoa (21,6%) e pai, mãe ou responsável (9,3%)
tiveram percentuais também relevantes

Fonte: MS-Atendimento