O Ministério da Previdência Social encerrou, nesta sexta-feira (27), o Fórum Regional de Seguridade Social para as Américas 2026. Sediado em São Paulo, o evento serviu como palco para a construção de estratégias que respondam às transformações aceleradas no mercado de trabalho e ao envelhecimento populacional. Durante o evento organizado pela Associação Internacional de Seguridade Social (AISS), o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, destacou a importância da união entre tecnologia e justiça social para o futuro do setor.
Precisamos pensar novos modelos de inclusão, novas formas de financiamento e novas maneiras de dialogar com a sociedade. Mas sem perder de vista o essencial: proteger as pessoas, reduzir desigualdades e promover justiça social.
Wolney Queiroz, ministro da Previdência Social
“Este fórum é uma oportunidade concreta para avançarmos nesse caminho. Ao reunir o conhecimento, experiências e lideranças, estamos construindo juntos respostas mais sólidas para o futuro da segurança social”, afirmou o ministro Wolney Queiroz.
Abertura e o reconhecimento de boas práticas
O primeiro dia do evento (25/3) foi dedicado ao diagnóstico dos progressos e desafios da seguridade social na região. Um dos momentos de maior destaque foi a apresentação do Prêmio da AISS de Boas Práticas para as Américas, que reconheceu iniciativas inovadoras capazes de ampliar a eficiência administrativa e a cobertura previdenciária.
Para os delegados internacionais, o Fórum mostrou-se um ambiente fértil para a cooperação. Lorrie Freeman, das Ilhas Virgens Britânicas, ressaltou o valor da integração: “Estamos muito felizes por estar aqui. Eles [os eventos da ISSA] oferecem uma oportunidade de colaborar e fazer networking. Isso nos ajuda a entender melhor quais são as tendências e, embora sejamos diferentes, temos muitos pontos em comum.”
Nessa mesma linha, Mário Fernandes, de Cabo Verde, celebrou a troca de experiências: “É uma experiência fenomenal, uma vez que permite conhecer a América Latina, que tem tido uma dinâmica excepcional na cobertura da proteção social. Acabamos por ser países com os mesmos desafios.”
Transformação digital e soluções brasileiras
Na quinta-feira (26/3), o foco voltou-se para a excelência na administração e a inovação tecnológica. O Brasil detalhou projetos que utilizam a conectividade para superar barreiras geográficas e burocráticas, como o PrevBarco e a Perícia Conectada. Ambas as iniciativas haviam recebido destaque especial na premiação de boas práticas ocorrida no dia anterior por sua capacidade de levar o Estado a locais de difícil acesso.
O modelo brasileiro de proteção social foi elogiado por representantes estrangeiros. Olga Morán, do Peru, comentou: “A ação social do Brasil me pareceu superinteressante porque nos convida a ver um modelo em que sim, é possível a partir do Estado reforçar e contribuir para que a seguridade social seja garantida e sustentável.”
Já Elisângela Carvalho, também de Cabo Verde, reforçou a importância de levar esses exemplos para casa: “Acho que é importante participarmos nesses eventos para retirar os exemplos de boas práticas e tentar implementar no nosso país. É sempre boa, muito enriquecedora a troca de ideias.”
Desafios demográficos e balanço social
O último dia de Fórum trouxe dados robustos sobre o impacto das políticas públicas na vida do cidadão. No Brasil, a rede de proteção beneficia atualmente 28 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, garantindo que 82% da população idosa esteja protegida. Em 2023, o repasse de benefícios previdenciários e assistenciais (BPC/LOAS) foi responsável por retirar 30,2 milhões de indivíduos da pobreza.
O debate sobre a incorporação da Inteligência Artificial e o futuro do emprego também foram discutidos. Jorge Rosario Boasso, da Argentina, ponderou sobre o equilíbrio necessário por conta de “dificuldades e desafios que a seguridade social terá de enfrentar com as mudanças e o impacto no emprego devido à incorporação da tecnologia, da inteligência artificial. Eu sempre digo que, enquanto houver humanidade, haverá seguridade social, completou.”
O evento foi concluído com a cerimônia oficial que consolidou o Fórum como um espaço fundamental para a cooperação internacional e a resiliência socioeconômica nas Américas.

