O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, recebeu, nesta terça-feira (31), representantes da Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT) e de empresas que operam o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Essas empresas são responsáveis por administrar e intermediar o uso de vale-alimentação (VA) e vale-refeição (VR), conectando empregadores, trabalhadores e estabelecimentos credenciados.
Instituído pela Lei nº 6.321, de 1976, o PAT é uma política pública voltada à melhoria das condições nutricionais dos trabalhadores, por meio da concessão de incentivos fiscais às empresas participantes. Atualmente, o programa atende mais de 22 milhões de trabalhadores em todo o Brasil.
O encontro, realizado na sede do MTE, teve como objetivo avaliar os desdobramentos do Decreto nº 12.712, de 2025, e discutir ajustes operacionais necessários para assegurar o equilíbrio do setor.
A reunião teve como foco a consolidação dos avanços trazidos pela nova regulamentação, ao mesmo tempo em que abordou a preocupação do governo em evitar a concentração de mercado e possíveis irregularidades na aplicação das normas que possam comprometer a essência do programa.
Publicado em novembro de 2025, o Decreto nº 12.712 promoveu modernizações importantes no PAT, como o estabelecimento de limites para taxas e prazos de liquidação, além da abertura dos arranjos e da interoperabilidade entre os cartões.
Durante a reunião, representantes do MTE destacaram que a norma já traz resultados positivos, com mais equilíbrio nas operações. No entanto, reforçaram que é essencial cumprir o decreto para manter o objetivo do programa: garantir a alimentação do trabalhador e ampliar o acesso a diferentes estabelecimentos, sem prejudicar a concorrência.
Preocupação com a concentração de mercado
Um dos principais pontos discutidos foi a necessidade de calibrar a operacionalização do PAT para evitar a formação de estruturas de mercado excessivamente concentradas. Representantes das empresas facilitadoras apresentaram cenários e propostas que buscam assegurar a livre concorrência, a capilaridade da rede credenciada e a liberdade de escolha dos trabalhadores.
“O governo está atento à importância de um ambiente de negócios saudável e competitivo no PAT. Estamos abertos ao diálogo com o setor, com o objetivo de coibir assimetrias e garantir que os benefícios da modernização sejam amplamente distribuídos entre empresas de todos os portes e trabalhadores de todas as regiões do país”, afirmou o ministro Luiz Marinho.
As empresas facilitadoras manifestaram apoio à modernização do PAT e destacaram a importância da manutenção do diálogo com o Ministério para o aperfeiçoamento contínuo do programa, especialmente em temas como regras de credenciamento, portabilidade e transparência nas taxas administrativas.
A reunião foi conduzida pelo ministro Luiz Marinho, e contou com a participação de Alaor Aguirre, presidente do Conselho de Administração da ABBT, além de 28 representantes das empresas afiliadas à entidade. Pelo MTE, participaram o secretário-executivo, Francisco Macena; o secretário de Inspeção do Trabalho, Luiz Felipe Brandão; o coordenador-geral do PAT, Rogério Araújo; e o diretor de Segurança e Saúde no Trabalho, Alexandre Scarpelli.
Sobre o Programa de Alimentação do Trabalhador
O PAT é uma política pública que incentiva as empresas a oferecer alimentação adequada e de qualidade aos trabalhadores, por meio de incentivos fiscais. O benefício pode ser concedido na forma de vale-refeição ou vale-alimentação, utilizáveis em restaurantes, lanchonetes e supermercados credenciados.
A gestão do programa foi recentemente modernizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com base no Decreto nº 12.712, de 11 de novembro de 2025, que instituiu a interoperabilidade no sistema. A medida permite maior integração entre empresas operadoras de benefícios, sistemas de pagamento e estabelecimentos comerciais, ampliando as possibilidades de uso e o acesso à rede credenciada.
Atualmente, a gestão do PAT está sob responsabilidade da Secretaria de Proteção ao Trabalhador (SPT), vinculada à Secretaria Executiva do MTE, enquanto a fiscalização permanece a cargo da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT).
A coordenação-geral do programa é exercida pelo auditor-fiscal do Trabalho Rogério Silva Araújo, com assessoria da auditora-fiscal do Trabalho Viviane de Jesus Forte. Ambos possuem experiência na formulação e gestão de políticas públicas na área trabalhista e já ocuparam cargos de direção e coordenação na área de Segurança e Saúde no Trabalho, no âmbito do MTE.
A nova equipe tem como missão ampliar a integração entre empresas, trabalhadores e estabelecimentos credenciados, além de otimizar o funcionamento do programa e expandir o número de beneficiários.

