O fortalecimento do ecossistema de ciência, tecnologia e inovação no Brics e o incentivo ao protagonismo de jovens no ambiente de inovação estão entre os principais eixos da agenda do bloco para os próximos anos. As prioridades foram apresentadas durante a 45ª Reunião do Comitê Gestor de CT&I, com participação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em 25 de março.
A reunião virtual marcou o início da presidência da Índia e trouxe uma nota conceitual com as diretrizes do período. Além dos dois eixos centrais, o documento aborda o estímulo à cooperação entre países, o avanço em áreas emergentes de conhecimento e a consolidação da atuação do Brics no campo da ciência, tecnologia e inovação no Sul Global.
Outro tema em discussão é o projeto de construção de uma rede de comunicação de alta velocidade por meio de um cabo submarino entre os países do Brics. A iniciativa busca ampliar a autonomia digital e a capacidade de conectividade entre os membros do bloco. A proposta foi apresentada durante a presidência brasileira, em 2025, e segue em análise técnica e econômica e articulação para captação de recursos.
Avanços da presidência brasileira
O encontro também retomou os resultados alcançados em 2025, quando o Brasil esteve à frente da presidência do grupo. Ao longo do período, foram mais de 60 encontros (presenciais e virtuais), com participação de gestores públicos, pesquisadores, especialistas e jovens cientistas.
As atividades abrangeram temas como inteligência artificial, biotecnologia, nanotecnologia, ciência dos oceanos, monitoramento de desastres naturais e computação de alto desempenho.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, coordenou, em junho de 2025, reunião em Brasília que resultou na construção de um novo Plano de Ação para Inovação no Brics.
Chamadas conjuntas e financiamento
Um dos destaques da presidência brasileira foi o avanço da cooperação em inovação industrial. Como resultado, os países lançaram a primeira chamada conjunta voltada a projetos de inovação, direcionada a empresas e instituições científicas e tecnológicas. Os resultados devem ser divulgados no primeiro semestre de 2026.
Também avançaram as articulações para novas chamadas internacionais, com foco em pesquisa e projetos estratégicos. No Brasil, o financiamento e a execução dessas iniciativas contam com a atuação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Para o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do MCTI, Carlos Matsumoto, a cooperação no Brics é resultado de mais de uma década de articulação entre os países. “A agenda em ciência, tecnologia e inovação é, portanto, uma das mais relevantes desse agrupamento, agora integrado por 11 países”, afirmou.

