A Paróquia São Charbel, em Ponta Porã, realizou na Sexta-feira da Paixão a tradicional celebração do enterro do Cristo morto, seguindo o rito maronita, uma das expressões orientais da Igreja Católica. A cerimônia reuniu fiéis e destacou-se pela riqueza simbólica e pela preservação de uma tradição milenar.
Logo no início, os cânticos em aramaico foram entoados de forma sóbria, respeitando o caráter silencioso da celebração. A língua, próxima àquela falada por Jesus Cristo, era ouvida em momentos específicos, reforçando o sentido de recolhimento e oração.
Ao longo da cerimônia, as leituras da Paixão foram proclamadas, relembrando o sofrimento, a entrega e o amor de Cristo pela humanidade. Em seguida, um dos gestos mais marcantes aconteceu. Um a um, os fiéis se aproximaram para o beijo da cruz, um sinal de arrependimento e reconciliação que remete um consolo à traição de Judas, mas também à possibilidade de recomeço.
O momento mais simbólico ocorreu durante o rito do enterro do Cristo morto. A imagem de Jesus foi colocada sobre um tecido que representa o seu sepultamento. Os fiéis se aproximaram e ofertaram flores, em um gesto simples, mas carregado de significado e devoção.
Na sequência, a comunidade seguiu em procissão, entoando “Vitória tu reinarás, ó Cruz tu nos salvarás!”. Logo depois, o silêncio voltou a marcar a celebração. De forma simbólica, a imagem de Cristo foi levada até uma tumba representada por um cenário preparado pela própria comunidade.
De acordo com o Pároco, Padre Sleiman Fares Eid (Salomão) “A tradição faz parte do rito maronita, originário do Oriente Médio, especialmente do Líbano. Diferente do rito romano, mais comum no Brasil, o rito maronita preserva elementos antigos, valoriza os símbolos, o uso do incenso e uma liturgia mais voltada ao recolhimento. Apesar das diferenças, está em plena comunhão com a Igreja Católica e com o Papa Leão XIV.” Disse.
A Igreja Católica reúne atualmente 24 ritos, entre ocidentais e orientais, todos unidos pela mesma fé, mas com expressões litúrgicas distintas. Em Ponta Porã, a presença da comunidade maronita contribui para a diversidade religiosa local e mantém viva uma tradição histórica dentro do catolicismo.
Ao final da celebração, a comunidade permaneceu em silêncio, acompanhando os últimos momentos do rito e reforçando o caráter de reflexão próprio da Sexta-feira da Paixão. O rito termina apenas no Domingo de Páscoa com a ressurreição de Jesus e segue uma cronologia.
Reportagem: Wagner Júnior | DRT 2287/MS Jornalista.

