
Pelo segundo ano consecutivo, o Ministério do Turismo abriu as portas para receber lideranças indígenas de todo o país em um diálogo estratégico sobre o desenvolvimento do etnoturismo.
O encontro, promovido em parceria com a Rede Nacional Indígena Kuywa Inare, reuniu 25 representantes para discutir como a atividade pode impulsionar a economia local e proteger os saberes ancestrais.
A agenda integrou as atividades do Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília, e apresentou casos de sucesso que servem de inspiração para novos projetos, como o da comunidade Pataxó da Jaqueira, em Porto Seguro (BA).
O Acampamento Terra Livre é a maior assembleia e mobilização nacional dos povos indígenas do Brasil, realizada anualmente em Brasília desde 2004.
Durante a reunião, Suhyasun Pataxó destacou o impacto positivo da atividade: “O etnoturismo traz autonomia e fortalecimento às comunidades. Hoje, conseguimos fornecer uma estrutura para o turista e para nosso povo, com saúde, renda e desenvolvimento social”.
O que é o etnoturismo?
O etnoturismo é uma modalidade de turismo de experiência focada na interação respeitosa e imersiva com comunidades tradicionais, como indígenas e quilombolas.
O objetivo é valorizar a cultura, os modos de vida e os conhecimentos desses povos, promovendo o desenvolvimento sustentável e o intercâmbio pedagógico entre visitantes e anfitriões.
Atualmente, o Brasil possui cerca de 391 etnias indígenas. Desse total, 146 comunidades já recebem turistas, transformando a hospitalidade em uma ferramenta de preservação e geração de renda.
Região Norte
Em 2025, o Ministério do Turismo lançou um estudo inédito que quantifica e mapeia essas experiências em todo o território nacional.
Segundo o levantamento, a Região Norte concentra o maior volume de iniciativas, representando mais de 40% do turismo indígena do país.
Confira a distribuição por região:
- Norte: 60 (41,1%)
- Nordeste: 36 (24,7%)
- Centro-Oeste: 28 (19,2%)
- Sudeste: 17 (11,6%)
- Sul: 5 (3,4%)
Juliana Oliveira, chefe da Assessoria de Participação Social e Diversidade (ASPADI), ressaltou a importância técnica do documento.
“É a primeira vez em que quantificamos essas experiências. Com esse estudo, conseguimos mapear áreas que ainda precisam se desenvolver e entender o turismo como peça fundamental para a preservação cultural”, afirmou.
Acesse aqui o mapeamento completo.
*Rede Kuywa Inare*
Fundada em 2024 com o apoio do Ministério do Turismo, a Rede Nacional Indígena de Etnoturismo Kuywa Inare é hoje uma das principais ferramentas de integração do setor. Com mais de 66 etnias representadas, a rede promove a troca de conhecimentos entre comunidades que já possuem estruturas consolidadas e aquelas que estão iniciando na atividade.
Para Maria Pimentel (Potiguara Katu), presidente da rede, essa união é o que garante o crescimento seguro da modalidade.
“Temos comunidades em diferentes estágios de maturidade. Essa troca de experiências é fundamental para que todos cresçam com sustentabilidade e respeito às suas tradições”, afirmou.
Por Victor Mayrink
Assessoria de Comunicação Social do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
