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quarta-feira, 22 de abril, 2026

Terrenos inclinados exigem novas soluções na colheita florestal; entenda os desafios

A colheita florestal em terrenos inclinados está entre os maiores desafios operacionais do setor na atualidade. O avanço das áreas disponíveis em relevo acidentado tem exigido novas abordagens técnicas, capazes de equilibrar segurança, produtividade e controle operacional em ambientes cada vez mais complexos.

Nessas condições, os riscos para as equipes aumentam, o desgaste dos equipamentos se acelera e os ajustes técnicos se tornam constantes. Para enfrentar esse cenário, a Reflorestar Soluções Florestais estruturou um modelo de trabalho apoiado em planejamento detalhado, presença permanente em campo, soluções calibradas para cada área e forte integração com as equipes operacionais.

A estratégia já é aplicada em diferentes frentes de operação. No Sul de Minas, a empresa realiza colheita em áreas com inclinação de até 25 graus. No Vale do Paraíba, em São Paulo, conduz operações de roçada mecanizada em terrenos que chegam a 40 graus.

Segundo Nilo Neiva, gerente geral de Operações da Reflorestar, a principal característica desse tipo de atividade é a necessidade de revisão constante do planejamento. “A área inclinada é uma colheita viva. O planejamento precisa ser constantemente ajustado. Você pode estruturar um microplanejamento para um talhão e, no talhão seguinte, ele já não ser aplicável”, explica.

Na prática, isso significa que cada talhão deve ser analisado de forma específica antes do início das atividades. A equipe avalia fatores como inclinação do terreno, risco de tombamento, direção de corte, pontos de entrada e saída das máquinas e logística de retirada da madeira. Mesmo após essa etapa, as decisões passam por validação em campo, já que as condições reais nem sempre se confirmam integralmente no planejamento inicial.

De acordo com Nilo, o diferencial está na capacidade de equilibrar três variáveis críticas da operação. “Em áreas mais desafiadoras, segurança, produtividade e manutenção caminham juntas. Não se trata apenas de colher madeira em terreno inclinado, mas de fazer isso com eficiência e competitividade.”

Participação das equipes

A colheita em áreas inclinadas também depende diretamente da percepção e da experiência de quem está no campo. Dalton Moreira, operador de Colhedor Florestal, explica que atuar nesse tipo de terreno exige atenção constante ao comportamento da máquina, da madeira e do próprio solo. “É preciso ter olho clínico para dividir a madeira, observar erosões e garantir que tudo chegue uniforme ao carreador. Tudo isso com a segurança como base da operação, um valor fundamental.”

Essa leitura prática das condições operacionais é parte essencial do processo de ajuste contínuo das atividades. Para Igor Souza, diretor florestal da Reflorestar, operadores e mecânicos desempenham papel decisivo na identificação de variações no terreno e na necessidade de adaptação da estratégia.

“Quem está operando a máquina muitas vezes percebe sinais de instabilidade e mudanças no terreno antes de qualquer outra análise. Essa interação entre planejamento e execução fortalece a tomada de decisão e aumenta a segurança da operação”, afirma.

Segundo Igor, esse fluxo também contribui para uma gestão mais eficiente dos recursos. “Em determinadas situações é possível alcançar produtividade com equipamentos já utilizados na colheita convencional, sem a necessidade de estruturas adicionais, desde que haja microplanejamento consistente, definição correta da movimentação das máquinas e acompanhamento técnico rigoroso em campo”, finaliza.

A combinação entre planejamento detalhado, validação prática e participação ativa das equipes tem permitido à Reflorestar ampliar sua atuação em áreas inclinadas, mantendo padrões elevados de segurança e desempenho operacional. Em um cenário de crescente complexidade no uso do solo, a Reflorestar segue evoluindo seus métodos para garantir operações seguras, eficientes e adaptadas às diferentes realidades de terreno.