Ministério da Fazenda avalia diminuir alíquotas do PIS e da Cofins, tributos federais.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quinta-feira (23) que o governo federal avalia alternativas para reduzir as alíquotas do PIS e da Cofins sobre a gasolina.
Em entrevista coletiva, Durigan comentou que o governo discute com o Congresso Nacional um novo mecanismo para conter os impostos nos combustíveis, que manterá neutralidade fiscal e permitirá que a população “não sinta as consequências da guerra no Oriente Médio”.
“Estamos fazendo uma discussão sobre o mecanismo que está sendo discutido com o Congresso, que permite que nós sigamos nossa linha de mitigar o impacto da guerra no país”, afirmou.
Também presente na coletiva, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, detalhou o que foi discutido com o Congresso. Segundo ele, a estratégia é criar um projeto de lei complementar que será apresentado pelo líder do governo na Câmara dos Deputados.
“Nossa tese é simples: para um país produtor e exportador de petróleo, nós aumentamos a receita pública quando ele aumenta de preço; o que estamos propondo no Congresso é simplesmente converter esse aumento de arrecadação em redução de tributos aplicados em diesel, gasolina, etanol e biodiesel”, disse Moretti.
Medidas
Desde março, o governo tem adotado medidas para conter as altas dos preços de outros combustíveis.
O primeiro anúncio foi a desoneração do PIS e da Cofins do diesel, bem como a concessão de subsídios ao combustível. O custo total das iniciativas já supera R$ 30 bilhões.
Inicialmente, a subvenção foi de R$ 0,32 por litro, mas acabou ampliada para R$ 1,52 no diesel importado e R$ 1,12 no nacional, com divisão de custos entre União e estados. Também foram adotadas medidas como:
Subsídio de cerca de R$ 11 por botijão de gás de cozinha importado;
Isenção de PIS/Cofins sobre querosene de aviação e biodiesel.
Segundo Durigan, durante sua agenda fora do país, a postura do Brasil diante dos efeitos da guerra foi elogiada. “O que eu tive de resposta foi que o Brasil, além de estar aderente às orientações, foi um dos primeiros a adotar medidas que devem servir de exemplo para outros países”, comentou.
Impactos
A alta do petróleo já acende alertas para a inflação brasileira. Segundo projeções da IFI (Instituição Fiscal Independente), o conflito pode acrescentar entre 0,7 e 1 ponto percentual ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) neste ano.
Além disso, a Petrobrás já havia anunciado reajustes, como no QAV (querosene de aviação), embora esteja tentando moderar o repasse para a gasolina e o diesel para evitar um choque imediato no consumo.
*Estagiária sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe

