Às vésperas do Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, o Sindicato dos Empregados no Comércio de Campo Grande (SECCG) faz uma avaliação crítica da realidade enfrentada por milhares de trabalhadores, especialmente do setor comerciário. Para a entidade, a data, historicamente marcada por conquistas e reflexões, tem sido cada vez mais simbólica e distante da realidade vivida pela maioria dos profissionais.
Segundo o sindicato, embora o trabalhador continue sendo o principal motor da economia, sua remuneração não acompanha o crescimento dos resultados empresariais. Dados recentes do setor mostram que o comércio brasileiro movimenta mais de R$ 5 trilhões por ano, segundo estimativas de entidades nacionais do varejo, enquanto o salário médio do trabalhador permanece comprimido, muitas vezes limitado ao mínimo legal ou a pisos salariais ainda insuficientes para cobrir o custo de vida.
Em Campo Grande e em todo o país, o cenário se repete: jornadas extensas, alta produtividade exigida e baixa valorização salarial. “O trabalhador produz, vende, gera lucro, sustenta o crescimento das empresas, mas não participa de forma justa dessa riqueza”, afirma o presidente do SECCG, Carlos Santos.
Outro ponto de preocupação destacado pela entidade é a intensificação da jornada de trabalho. Com a ampliação do funcionamento do comércio, incluindo sábados, domingos e feriados, muitos trabalhadores permanecem praticamente à disposição das empresas durante toda a semana, sem a devida compensação financeira ou descanso adequado.
“A maioria dos trabalhadores está integralmente à disposição das empresas, exercendo suas funções também aos sábados, domingos e feriados e, mesmo assim, não recebe uma remuneração compatível com tamanho esforço. Isso impacta diretamente na saúde física, mental e na convivência familiar”, pontua Carlos Santos.
O sindicato reconhece que o empresariado também enfrenta desafios, como a elevada carga tributária e os custos operacionais. No entanto, defende que essas questões devem ser enfrentadas no campo político e estrutural, sem transferir o peso para o elo mais fraco da cadeia produtiva: o trabalhador.
Além disso, o SECCG ressalta que o custo de vida tem avançado de forma significativa nos últimos anos, pressionando o orçamento das famílias. Alimentação, moradia, transporte e serviços básicos consomem parcela cada vez maior da renda, reduzindo o poder de compra e comprometendo a qualidade de vida.
“O trabalhador precisa de salário digno para viver com o mínimo de tranquilidade, sustentar sua família e ter acesso a direitos básicos, como lazer e descanso. Não se trata de privilégio, mas de justiça social”, reforça o presidente.
A entidade também defende o direito universal ao descanso semanal, sem distinção de gênero ou categoria, como forma de preservar a dignidade do trabalhador e fortalecer os vínculos familiares.
Para o sindicato, o 1º de Maio deve ser mais do que uma data comemorativa: precisa ser um momento de reflexão e de retomada da luta por melhores condições de trabalho, salários justos e equilíbrio nas relações entre capital e trabalho.
“Enquanto houver desigualdade na distribuição da riqueza gerada pelo próprio trabalhador, haverá pouco a comemorar. Mas haverá sempre motivos para lutar”, conclui Carlos Santos.

