Evento no hospital da Rede HU Brasil reuniu profissionais, lideranças e representantes institucionais em torno da interculturalidade e da valorização dos saberes tradicionais no SUS
Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), integrante da Rede HU Brasil, promoveu, no dia 27 de abril, o evento “Corpo, território e cuidado: vamos dialogar e transformar juntos?”. A atividade integrou a programação do Abril Indígena e reuniu profissionais de saúde, estudantes, lideranças indígenas e gestores para discutir a qualificação do cuidado em contextos interculturais.
A abertura contou com apresentação cultural do grupo de jovens Guarani Kaiowá, que entoou músicas tradicionais relacionadas ao território e à resistência, além da dança indígena Guachiré, que representa boas vibrações. A apresentação também incluiu cantos e rezas, elementos centrais na cultura Guarani Kaiowá.
Representante da Retomada Aty Jovem (RAJ), o professor e mestre em Geografia, Germano Kaiowá, destacou a importância espiritual dessas práticas. “A reza é muito importante para nós. É o que nos deixa felizes, é a nossa força e a nossa energia. Sem a reza e a ancestralidade, para nós, não é nada. Por isso, em qualquer evento, sempre fazemos uma reza. Trazemos nossos ancestrais conosco”, afirmou.




Na sequência, foi realizada a mesa institucional com a participação da ouvidora da UFGD, Naara Siqueira Aragão, representando a reitoria; da diretora de Gestão de Pessoas da HU Brasil, Luciana de Gouvea Viana, por videoconferência; do superintendente do HU-UFGD, Hermeto Macário Amim Pasqualick; da coordenadora do Comitê de Saúde Indígena do hospital, Luciana Comunian; do gerente de Atenção à Saúde, Tiago Amador Correia; e do professor e liderança indígena Germano Kaiowá.
Durante o evento, o superintendente do HU-UFGD, Hermeto Macário Amim Pasqualick, destacou a importância do Abril Indígena e o compromisso institucional com a pauta. “Abril é sempre um mês bastante importante para o HU, para a gente colocar ainda mais em evidência essa relação com a saúde indígena aqui na nossa região, pensando no atendimento, mas também em fortalecer a luta e nos colocar como ponto de apoio para a resistência e para as disputas diárias que o nosso povo indígena enfrenta historicamente”, afirmou. Ele também ressaltou a atuação no território e concluiu: “Fica reforçado o compromisso do HU, da UFGD e da HU Brasil com o fortalecimento da saúde indígena dentro do hospital e no território indígena”.
Por videoconferência, a diretora da HU Brasil ressaltou a importância da equidade no Sistema Único de Saúde (SUS). “Somos uma estatal do SUS, para o SUS. Quando falamos em Sistema Único de Saúde, não podemos deixar nenhuma população à margem. No caso dos povos indígenas, o reconhecimento e a valorização dos saberes ancestrais são fundamentais para garantir a integralidade do cuidado”, afirmou Luciana Viana. Ela também destacou iniciativas voltadas à diversidade, equidade e inclusão na rede, incluindo a valorização e a presença de profissionais indígenas.
Representando a reitoria da UFGD, a ouvidora Naara Aragão enfatizou o papel institucional da universidade. “Ter um cronograma do Abril Indígena com atividades de diálogo, pertencimento e inclusão é uma referência. É nesse caminho que a universidade quer seguir, reconhecendo que a UFGD é diversa e também uma universidade indígena, que valoriza esses saberes”, afirmou.
A programação teve como eixo central o painel “Corpo, território e cuidado”, mediado pela enfermeira Indianara Machado, especialista em saúde indígena e integrante do comitê do hospital. Segundo ela, o objetivo foi promover uma construção coletiva. “Trouxemos profissionais indígenas para compartilhar experiências e dialogar com profissionais, residentes e participantes, buscando caminhos para um cuidado mais equitativo e integral para os povos indígenas”, explicou.
Para a coordenadora do Comitê de Saúde Indígena do HU-UFGD, Luciana Comunian, o evento reforça um trabalho contínuo da instituição. “O comitê atua junto à população Guarani Kaiowá e Terena em Mato Grosso do Sul. O Abril Indígena é um momento simbólico, mas esse trabalho acontece durante todo o ano. É fundamental que colaboradores, residentes e acadêmicos compreendam a realidade das comunidades indígenas, tanto nos territórios quanto dentro do hospital”, destacou.
A iniciativa também impactou diretamente os profissionais em formação. A enfermeira residente em Gestão da Saúde Indígena do HU-UFGD, Arleti Martins, relatou a importância da experiência. “Eu nunca imaginei ver esse processo acontecendo. É incrível ver as lideranças indígenas tendo voz, sendo escutadas. Para mim, é algo novo e muito acolhedor”, afirmou.
Fonte: Gov.br

