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segunda-feira, 4 de maio, 2026

Dia Mundial do Atum: conheça os benefícios da proteína para a saúde cardiovascular 

Comemorado no último dia 2 de maio, o Dia Mundial do Atum reforçou o papel do pescado na alimentação global. Além de versátil, o atum se destaca como uma fonte prática de proteínas de alta qualidade, atendendo à crescente demanda por hábitos mais saudáveis.  

O mercado global de conservas de atum e sardinha deve alcançar US$16,38 bilhões em 2026 e ultrapassar US$27,74 bilhões até 2035, com crescimento médio anual de 6,03%. No Brasil, o atum vem se consolidando na mesa do brasileiro, cerca de 25 mil toneladas são capturadas anualmente, conforme o Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura (Conepe). 

O nutricionista e professor da Afya São João Del Rei, Dr. Marcio Augusto Trindade informa que apesar de ser uma proteína rica em nutrientes, é preciso ficar atento ao consumo elevado devido ao alto teor de mercúrio presente em peixes de grande porte.

“Quando consumido em excesso, o mercúrio pode ter efeitos tóxicos, principalmente sobre o sistema nervoso central. Em adultos, isso geralmente está associado a exposições mais elevadas e prolongadas. Já em grupos mais sensíveis, como gestantes, lactantes e crianças, o cuidado deve ser redobrado, pois o mercúrio pode interferir no desenvolvimento neurológico”.

Por isso, a recomendação não é evitar o atum, mas consumi-lo com equilíbrio. A nutróloga comenta que, de modo geral, orienta-se o consumo de duas a três vezes por semana, sempre alternando com outros peixes que apresentam menor teor de mercúrio, como a sardinha.

“Outro ponto importante é que nem todo tipo de atum apresenta o mesmo risco. Espécies menores, como o atum light enlatado, tendem a ter menor concentração de mercúrio quando comparadas a espécies maiores, como o atum albacora. O atum enlatado, por sua vez, preserva grande parte dos seus benefícios, especialmente no que diz respeito ao teor de proteína e de ômega-3, sendo uma opção prática para o dia a dia. No entanto, há algumas diferenças importantes: pode apresentar maior teor de sódio e, quando conservado em óleo, um valor calórico mais elevado. Por isso, vale dar preferência às versões em água e com menor teor de sal”, complementa o nutricionista.

Benefícios do atum para a saúde do coração 

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, o pescado geral já corresponde a 51% do consumo mundial de proteínas de origem animal, evidenciando uma mudança significativa nos padrões alimentares. A produção global já supera 185 milhões de toneladas, sendo que mais da metade desse volume é proveniente da aquicultura.

Desde a década de 1960, o consumo per capita quase dobrou, passando de 9,1 quilos para 20,7 quilos por pessoa ao ano em 2022. A expectativa é de que esse crescimento continue até 2030, quando o mundo deverá demandar aproximadamente 24 milhões de toneladas adicionais de pescado por ano, de acordo com estimativas do IFC Brasil (2025).

Diante desse cenário, a nutróloga e professora da Afya Educação Médica Montes Claros, Dra Juliana Couto Guimarães, explica que o atum é um verdadeiro “coringa” na cozinha e é rico em micronutrientes, incluindo as vitaminas B12 e D, além do mineral selênio. O consumo regular é um dos pilares de uma dieta cardioprotetora, devido à presença de ácidos graxos ômega-3 (como EPA e DHA). A atuação desses compostos ocorre de várias formas. A especialista destaca os principais benefícios do consumo para a saúde cardiovascular:

  1. Controle de lipídios: auxiliam na redução dos níveis de triglicerídeos circulantes no sangue.
  2. Melhora da função vascular: promovem a saúde do endotélio (camada interna dos vasos sanguíneos), favorecendo uma circulação mais eficiente.
  3. Ação anti-inflamatória: reduzem marcadores de inflamação sistêmica, que são fatores de risco para o desenvolvimento de placas nas artérias (aterosclerose).
  4. Efeito antiarrítmico: Possuem propriedades que auxiliam na estabilização do ritmo cardíaco, oferecendo uma proteção adicional contra arritmias.