O cuidado com a saúde e o bem-estar dos animais do Bioparque Pantanal é constante. Para isso, foram desenvolvidos protocolos que atendem às necessidades específicas de cada espécie. Uma parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul garante exames de imagem com precisão. Cobras e arraias são monitoradas regularmente por profissionais das duas instituições.

Recentemente, os exames foram realizados em dois dos maiores ícones do Bioparque, a “sucuri ” e as arraias “Leopoldi”, conhecidas carinhosamente como Fernanda Montenegro e Fernanda Torres.
O procedimento, embora complexo, é realizado de forma não invasiva. No caso da sucuri, os biólogos e médicos-veterinários utilizaram um tubo de acrílico para contenção, permitindo que o exame fosse feito sem a necessidade de sedação. Simultaneamente, as arraias “Leopoldi” passaram por um manejo igualmente cuidadoso na quarentena, reforçando que o monitoramento é uma rotina estabelecida para centenas de animais.
De acordo com o médico-veterinário Edson Pontes, o foco é fazer com que o animal se sinta seguro e respeitado. O especialista também detalha como a equipe prepara esse momento. “Nós a conduzimos para um tubo de acrílico e protegemos sua visão, criando um ambiente calmo. O exame foi acompanhado por seis profissionais, garantindo que tudo fosse feito de forma rápida, segura e sem desconforto”.
O veterinário compartilha uma curiosidade sobre as cobras: ao contrário dos mamíferos, os répteis não possuem um diafragma para separar o tórax da cavidade abdominal. Por isso, todos os órgãos ficam concentrados em um único espaço, chamado cavidade celomática. Segundo Edson, esse acompanhamento constante é essencial para monitorar se o fígado, os rins e as vísceras abdominais estão funcionando corretamente.
Conhecimento
Essa troca de conhecimentos entre quem estuda e quem cuida dos animais no dia a dia é o que faz toda a diferença. O professor do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Paulo Antonio Andreussi, explica que estar presente no Bioparque é uma oportunidade única de conhecer de perto as maravilhas da natureza pantaneira.

Para ele, participar desse cuidado com a sucuri, por exemplo, é uma experiência enriquecedora, principalmente para os estudantes observarem como o trabalho acontece na prática. “Para nós, o Bioparque é uma oportunidade incrível de aprendizado, porque temos o privilégio de conviver com uma enorme variedade de animais. Fazemos questão de manter essa parceria com muita satisfação. É uma troca de experiências muito rica, em que todos aprendem juntos”.
Médico-veterinário e também professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Diogo Helney Freire, que acompanhou de perto o ultrassom das arraias Fernanda Montenegro e Fernanda Torres, ressalta que o protocolo vai além da realização dos exames de imagem. “A UFMS contribui com o suporte técnico na realização e interpretação dos exames, além das análises de sangue encaminhadas para a universidade. Esses dados são essenciais para garantir a qualidade do desenvolvimento e o acompanhamento sanitário adequado das arraias e dos demais animais”, afirmou.
Para a diretora-geral do Bioparque Pantanal, Maria Fernanda Balestieri, os protocolos de bem-estar animal e conservação garantem que cada espécie receba um tratamento de excelência, fundamentado em ciência e respeito à vida. “Ver nossos animais atingirem índices ideais de crescimento e saúde confirma que nossos protocolos são rigorosos e eficazes. Essa cooperação técnico-científica com a universidade eleva nosso padrão de cuidado, transformando o Bioparque em um espaço de conservação, preservação e turismo científico”.
Caio Henrique Romero e Gabriel Issagawa, Bioparque Pantanal
Fonte: Governo MS




