Gaeco e Gecoc descobriram esquemas nos mais diversos setores, com ênfase em contratos relacionados a obras públicas no Estado.
Levantamento feito pelo Correio do Estado no site do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) mostrou que, nos cinco meses deste ano, seis prefeituras receberam a “visita” do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), em operações que apuram supostos esquemas de corrupção.
Ao todo, foram seis operações deflagradas este ano, que investigaram agentes públicos de seis municípios: Operação Collusion e Operação Simulatum, ambas em Terenos; Operação Cartas Marcadas, em Corguinho e Rio Negro; Operação Mão Dupla, que apurou desvios em Coronel Sapucaia; Operação Buraco sem Fim, em Campo Grande; e Operação Rota Desviada, em Nova Alvorada do Sul.
Desde o ano passado, o MPMS tem intensificado ações contra corrupção que envolvem desfalques aos cofres públicos. Em 2025, foram mais de 10 municípios investigados.
Matéria do Correio do Estado, publicada em novembro do ano passado, mostrou que metade das investigações que resultaram em ações deflagradas pelo MPMS até aquele mês contra administrações municipais envolveu corrupção nos setores de Saúde e Educação, com esquemas que englobavam servidores, secretários e até parlamentares.
OPERAÇÕES

Este ano, a primeira prefeitura alvo de operação foi a de Terenos, com duas operações simultâneas em janeiro. A Operação Collusion investigou “organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública, em especial fraudes a licitações e contratos públicos, bem como crimes correlatos, mediante conluio entre os investigados para a obtenção de contratos relacionados a materiais e serviços gráficos firmados com o município e a Câmara Municipal de Terenos, desde o ano de 2021”.
Já a Operação Simulatum apurou existência de “organização criminosa voltada à prática de fraude em contratos de publicidade e locação de equipamentos de som firmados com a Câmara Municipal de Terenos, também desde o ano de 2021”.
Nas ações, foram cumpridos 6 mandados de prisão e 30 mandados de busca e apreensão.
No mês seguinte, duas prefeituras foram alvo de uma mesma operação, a Cartas Marcadas. Segundo o Gaeco, foi constatada a suposta existência de organização criminosa, “voltada à prática de crimes contra a administração pública, instalada nos municípios de Corguinho e de Rio Negro, com núcleos de atuação bem definidos, liderada por agentes políticos que atuavam como principais articuladores do esquema criminoso”.
Ainda segundo o MPMS, o esquema se valia de servidores públicos para “frustrar o caráter competitivo de licitações públicas, direcionando os respectivos certames”.
As licitações iam desde contratações para aquisição de materiais de expediente até a contratação de empresas para a execução de obras públicas.
A investigação mostrou que nos últimos três anos as empresas participantes do esquema haviam recebido R$ 9 milhões em contratos.
Em março foi a vez de Coronel Sapucaia receber a “visita” de membros do MPMS, durante a Operação Mão Dupla, que investiga fraude em processos licitatórios e os contratos deles decorrentes, além de peculato-desvio, corrupção passiva e pagamento irregular em contratos públicos, envolvendo agentes políticos, secretários, servidores e empresários.
A investigação foi originada a partir da Operação Pretense. Entre os alvos estava Rudi Paetzold, que foi prefeito da cidade até 2024.
Neste mês, duas operações já foram deflagradas, a primeira delas para investigar contratos de tapa-buraco em Campo Grande, que levou à prisão de sete pessoas, entre elas, o ex-secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos Rudi Fiorese e outros dois servidores da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) e ex-funcionários.
A investigação apontou pagamentos por serviços de tapa-buraco não feitos pela Construtora Rial por anos. O dono da empresa também está preso.
A última operação, realizada na terça-feira, mirou contrato de Nova Alvorada do Sul com a Associação dos Estudantes Universitários de Nova Alvorada do Sul (Aeunas) para transporte de alunos.
“As investigações apontam que os recursos públicos do termo de fomento firmado entre o município de Nova Alvorada do Sul e a entidade estudantil, que tinha como objeto o custeio de transporte para os estudantes universitários, eram sistematicamente desviados em benefício de servidores públicos e membros do Poder Legislativo municipal”, disse o MPMS.
Fonte: Correio do Estado

