Em Mato Grosso do Sul, mulheres com ocupação profissional ainda dedicam 16,6 horas semanais às demandas do lar, enquanto os homens gastam 10,4 horas.
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a incluir oficialmente os riscos psicossociais no ambiente de trabalho, entra em vigor nesta terça-feira (26) e amplia a responsabilidade das empresas na prevenção de fatores como estresse, assédio moral, sobrecarga de trabalho, burnout e violência psicológica.
Essa nova exigência ganha relevância diante de um cenário de sobrecarga que afeta diretamente a saúde mental da força de trabalho, especialmente a feminina. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual (PNADC 2022), do IBGE, mostram que as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas. Esse valor é quase o dobro do tempo registrado entre os homens, cuja média é de 11,7 horas. Em Mato Grosso do Sul, mulheres com ocupação profissional ainda dedicam 16,6 horas semanais às demandas do lar, enquanto os homens gastam 10,4 horas.
Discussões como essas reforçam a necessidade de ambientes de trabalho mais saudáveis e atentos ao bem-estar emocional dos trabalhadores. De acordo com a psicóloga clínica e mestre em psicologia da saúde, Patrícia Penrabel, a atualização da norma representa um avanço importante na forma como o sofrimento emocional é percebido dentro das empresas e da sociedade.
“Quando falamos de riscos psicossociais, estamos falando de pessoas que vivem sob pressão constante, com excesso de demandas, cobranças e, muitas vezes, sem espaço para acolhimento emocional. No caso das mulheres, existe ainda uma sobrecarga histórica que vai além do trabalho formal e que continua dentro de casa”, destaca.
Segundo Patrícia, dar visibilidade ao tema é fundamental para promover ambientes mais saudáveis e relações de trabalho mais humanas.
“Falar sobre saúde mental no ambiente corporativo também é uma forma de prevenção. Quanto mais as empresas compreenderem os impactos emocionais da rotina de trabalho na vida de seus funcionários, maiores são as chances de elas construirem equipes mais saudáveis, produtivas, acolhedoras e que se sintam emocionalmente seguras”, afirma.
O que muda para as empresas
Com a entrada em vigor da nova redação da NR-1, as organizações deixam de focar apenas na integridade física e biológica e passam a gerenciar, obrigatoriamente, o ambiente psicológico corporativo. A nova norma também amplia a fiscalização sobre práticas organizacionais abusivas, jornadas exaustivas e cobranças fora do expediente, além de responsabilizar as empresas pela implementação de políticas eficazes e canais seguros de combate ao assédio moral, sexual e à violência psicológica.
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) já disponibilizou um manual técnico para orientar a implementação das novas diretrizes, também sinalizando que a fiscalização será mais rigorosa a partir de agora.
Fonte: Comunicação e Jornalismo

