A alta dos casos está associada ao crescimento do número de hospitalizações por VSR (vírus sincicial respiratório) e influenza A.
Novo Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (28), aponta que o número de casos de SRAG (síndrome respiratória aguda grave) continua aumentando em todo o país, e Mato Grosso do Sul segue em alerta com registros em todas as faixas etárias.
Conforme o relatório epidemiológico, todas as unidades da Federação estão com incidência de SRAG, exceto Rondônia. Além disso, 20 federações estão com sinal de crescimento na tendência de longo prazo, em comparação às últimas seis semanas até a Semana 20 de monitoramento.
Na lista, aparecem Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.
A alta dos casos está associada ao crescimento do número de hospitalizações por VSR (vírus sincicial respiratório) e influenza A. O rinovírus também tem contribuído para o aumento de SRAG, principalmente entre crianças e adolescentes.
A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, alerta que, diante deste período de alta circulação de diversos vírus respiratórios, é essencial que as pessoas se vacinem contra a influenza e o VSR. Portella ressalta que as vacinas contra esses vírus reduzem as chances de desenvolvimento das formas graves da doença e de óbito.
“A vacina contra o VSR é destinada às gestantes a partir da 28ª semana de gestação e protege o bebê durante os primeiros seis meses de vida. Já a vacina contra a influenza tem como público-alvo idosos, crianças, pessoas com comorbidades, gestantes, puérperas, entre outros grupos de risco”, avisa.
Além disso, a pesquisadora recomenda a adoção de medidas de etiqueta respiratória, como cobrir a boca e o nariz com o braço ou um lenço ao tossir e espirrar, evitar compartilhar utensílios de uso pessoal, lavar as mãos com frequência, usar máscara e evitar contato próximo com outras pessoas em caso de sintomas de gripe ou resfriado.

UPAs atenderam mais de 5 mil casos de SRAG em 7 dias
A última semana bateu recorde de atendimentos de urgência por SRAG em Campo Grande. As UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) da Capital receberam 5,2 mil pacientes com sintomas gripais apenas nos últimos sete dias. No ano, já são mais de 58 mil atendimentos.
Desde o meio de abril, a média semanal de atendimentos de urgência por SRAG era de 4,4 mil em Campo Grande. Entre os dias 10 e 16 de maio, foram 4,8 mil, o maior valor até então. Agora, esta é a primeira vez que as UPAs atendem mais de 5 mil pessoas com gripe em uma semana neste ano.
Campo Grande acumula 949 notificações de SRAG em 2026. Apenas nos últimos sete dias, foram 72 novos registros — 85% a mais que na semana anterior. No entanto, o número segue abaixo do pico de 109 notificações em uma semana, registrado no fim de abril.
Além disso, sete pessoas perderam a vida por doenças gripais em Campo Grande, entre os dias 17 e 23 de maio. Esta foi a segunda semana de 2026 com maior número de mortes por SRAG, atrás apenas da primeira semana de março, quando a Capital registrou 11 mortes em sete dias. No total, são 67 óbitos.
Rinovírus lidera notificações
Entre as 949 notificações de SRAG, 554 foram confirmadas, 72 estão em investigação e 323 não tiveram a causa especificada. O rinovírus causou 186 casos; VSR (vírus sincicial respiratório), 148; influenza, 127; covid-19, 15; e outros, 41.
Com relação às 67 mortes, a maioria (21) foi causada por influenza. Em seguida, rinovírus (10) e covid-19 (3). Outras 41 mortes foram causadas por vírus não especificados.
Vacinação
A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS em 2026 é a trivalente, produzida pelo Instituto Butantan. Ela protege contra três cepas do vírus influenza: influenza A (H1N1), influenza A (H3N2) e influenza B. Até o momento, 37,74% do público-alvo recebeu a vacina.
Na avaliação da Sesau, a cobertura vacinal está muito abaixo do ideal. “O ideal seria já estarmos entre 50% e 60%, considerando o período de maior circulação dos vírus respiratórios. Ainda assim, temos o ano todo para alcançar os 90%”, explica a superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Veruska Lahdo.
A meta é atingir 90% do público prioritário, que inclui gestantes, idosos e crianças. Campo Grande vive período de alta circulação de vírus respiratórios, cenário observado não apenas na Capital, mas em todo o país. Segundo Veruska Lahdo, esse aumento é típico do outono e do inverno.
A vacinação contra a influenza segue disponível para toda a população a partir dos 6 meses de idade. A orientação é que a população procure a unidade de saúde mais próxima, levando documento pessoal e, se possível, a caderneta de vacinação.
Casos no Brasil
Em 2026, já foram notificados 70.211 casos de SRAG no Brasil, sendo 33.245 (47,4%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 25.790 (36,7%) negativos, e ao menos 6.309 (9%) aguardando resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.
Fonte: Midiamax

