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terça-feira, 23 de junho, 2026

Justiça mantém presa veterinária após marido ter 30% do corpo queimado em briga

O homem teve cerca de 30% do corpo queimado, principalmente no tronco e nos braços

A médica veterinária Lidiane Cecília Pereira, de 42 anos, vai continuar presa após passar por audiência de custódia realizada nesta terça-feira (23). Ela foi detida na tarde de ontem, depois que o marido, de 41 anos, sofreu queimaduras graves durante uma discussão do casal, em Campo Grande.

A decisão foi tomada diante da gravidade do caso e do estado de saúde da vítima, que permanece intubada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Proncor. O homem teve cerca de 30% do corpo queimado, principalmente no tronco e nos braços.

Embora Lidiane tenha residência fixa, trabalho e não tenha registros relevantes contra ela, o juiz entendeu que as circunstâncias do caso justificam a manutenção da prisão. Na decisão, ele apontou que a vítima segue em situação delicada e precisa de cuidados médicos intensivos.

Lidiane é investigada por tentativa de homicídio. À Polícia Civil, ela afirmou que não queria matar o marido e disse que a intenção era pressioná-lo a admitir uma suposta traição. Conforme o depoimento, a discussão começou ainda na madrugada de segunda-feira, motivada pela suspeita de que o companheiro mantivesse um relacionamento extraconjugal em Brasília, onde trabalha desde 2024.

O casal está junto há cerca de 26 anos e tem dois filhos. Pela manhã, a discussão continuou quando o marido começou a arrumar os pertences para retornar à Capital Federal. Lidiane contou que pegou um recipiente com álcool na cozinha e voltou ao quarto, onde ele organizava uma mochila para a viagem.

“Era a mochila com os pertences dele que eu queria queimar”, afirmou.

Segundo a veterinária, a intenção era impedir que o companheiro viajasse. Ela disse acreditar que parte do álcool atingiu a camiseta que ele usava. Ainda conforme o relato, o marido saiu do quarto e foi até a garagem. Lidiane foi atrás, levando um maço de cigarros e um isqueiro.

“Eu quis assustar ele com o barulho do isqueiro”, declarou.

A versão apresentada por ela é que acionou o isqueiro e, pouco depois, percebeu que a camiseta do marido começou a mudar de cor. Em seguida, surgiram as chamas. “Foi quando eu tentei rasgar a camiseta dele para tirar”, relatou.

A filha do casal, de 22 anos, contou que acordou com a discussão e ouviu o pai correndo pelo quintal enquanto gritava: “não, não, não, para, para, para”. Ao sair do quarto, encontrou o homem em chamas e correu para buscar uma mangueira.

A jovem também relatou que os conflitos entre os pais ficaram mais intensos nos últimos dois anos, depois que o homem passou em concurso público e se mudou para Brasília. Segundo ela, a distância aumentou crises de ciúmes e desconfianças da mãe.

Depois do incêndio, a própria Lidiane socorreu o marido. Ela o colocou no carro e o levou ao Hospital Cassems. Depois, ele foi transferido para o Proncor.

Durante o trajeto, segundo a veterinária, o marido estava consciente. Ela afirmou que, conforme ouviu da equipe médica, as queimaduras atingiam cerca de 30% do corpo. Lidiane disse estar arrependida e negou ter tido intenção de machucar o companheiro.

“Eu não queria ter feito isso. Não era minha intenção machucar ele”, declarou.

Em outro trecho do depoimento, afirmou que queria uma confissão. “Eu achei que era o único jeito dele falar a verdade. Que se eu ameaçasse, talvez ele fosse ficar com medo e abrir o jogo”, disse.

A investigação também apontou que Lidiane faz tratamento psiquiátrico há anos. A filha informou que a mãe tem diagnóstico de depressão, transtorno de ansiedade generalizada e síndrome do pânico. Em depoimento, a veterinária confirmou o acompanhamento médico e disse que havia cerca de 15 a 20 dias que estava sem tomar a medicação prescrita.

Na audiência, a Justiça também determinou que Lidiane receba atendimento médico imediato na unidade prisional, com as providências necessárias para preservar sua saúde e integridade física.

Fonte: Campograndenews