O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou ao local de helicóptero, com cerca de uma hora e 20 minutos de atraso
A cerimônia de entrega de títulos de domínio no Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, começou nesta quinta-feira (25) com discursos voltados à valorização da fronteira e à cobrança por investimentos na região. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou ao local de helicóptero, com cerca de uma hora e 20 minutos de atraso, para participar do ato que prevê a entrega de 1.390 documentos a famílias assentadas em Mato Grosso do Sul.
O primeiro a discursar foi o prefeito de Ponta Porã, Eduardo Campos (PSDB). Diante de Lula, ele afirmou que a presença do presidente representa “reconhecimento, respeito e esperança” para famílias que ajudaram a construir a história da região.
Campos também destacou o papel da fronteira com o Paraguai. Segundo ele, Ponta Porã não pode ser vista apenas como limite geográfico, mas como espaço de encontro, integração, comércio, desenvolvimento e oportunidade. “Ponta Porã é uma cidade de fronteira, mas, para nós, fronteira é muito mais que limite. Fronteira é encontro, integração, comércio, desenvolvimento e oportunidade”, afirmou.
O prefeito disse ainda que a relação com o povo paraguaio fortalece a economia local e gera empregos. Para ele, a fronteira olha para o futuro com confiança, impulsionada pela agricultura familiar e pela integração latino-americana.
Ao citar o Assentamento Itamarati, Eduardo Campos classificou a área como exemplo da força do povo brasileiro. Ele disse que a titulação representa uma conquista histórica e um sonho coletivo.
“O Assentamento Itamarati é um exemplo da força do povo brasileiro. Hoje celebramos uma conquista histórica e um sonho coletivo, que é transformar Itamarati em referência nacional de desenvolvimento rural sustentável, inovação e agricultura familiar. Temos terra, gente trabalhadora, universidades parceiras, projetos e vontade de fazer acontecer”, discursou.
Depois do prefeito, falou Cleiton Alexandre Valença, presidente da Arco Porã, ligada ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Ele usou a presença de Lula para apresentar reivindicações dos trabalhadores rurais e cobrar estrutura para ampliar a produção nos assentamentos.
Cleiton afirmou que Mato Grosso do Sul é o segundo estado com mais famílias acampadas no país. Segundo ele, são 19 mil famílias nessa condição, sendo 3 mil apenas na região de Ponta Porã e Antônio João. “Somos o segundo estado com mais famílias acampadas, 19 mil, sendo 3 mil aqui em Ponta Porã e Antônio João”, disse.
O representante dos trabalhadores também destacou a produção de sementes na região e pediu investimentos para reforma do complexo usado no tratamento e armazenamento dos produtos. Segundo ele, os assentamentos já exportam sementes para outros locais e precisam de estrutura para ampliar essa capacidade.
“Existe aqui uma grande produção de sementes. Já exportamos para vários lugares. Nesse sentido, queremos a reforma do complexo para tratar e armazenar as sementes que exportamos. Queremos que o aeroporto seja reformado, queremos agroindústria”, afirmou.
Após os discursos iniciais, teve início a cerimônia de entrada dos títulos, principal ato da agenda no Assentamento Itamarati. Os documentos serão entregues a famílias de diferentes assentamentos do Estado.
Além do Itamarati, serão contemplados moradores dos assentamentos Nova Era, em Ponta Porã; Aldeia, em Bataguassu; Ressaca, em Bela Vista; Taquaral, em Corumbá; Guanabara, em Amambai; Indaiá IV, em Aquidauana; além de áreas localizadas em Sidrolândia, Itaquiraí, Rio Brilhante, Corguinho e Nova Alvorada do Sul.
O Governo Federal afirma que a titulação definitiva garante segurança jurídica às famílias assentadas, formaliza o direito à terra, reduz conflitos e dá mais estabilidade para produzir, investir e acessar políticas públicas. O Assentamento Itamarati ocupa área de 50.081 hectares e reúne 2.837 famílias, sendo considerado uma das maiores experiências de reforma agrária do país.
Os recursos devem ser usados na recuperação de estruturas de cooperativas, ampliação da capacidade de armazenamento de grãos, melhoria da infraestrutura hídrica, fortalecimento da agroindustrialização, comercialização, capacitação, fiscalização de obras, sustentabilidade e transição energética.
Fonte: Campograndenews

