A posse está marcada para o dia 31 de julho, na sede do tribunal.
Guaraci Mendes da Silva Terena carrega no nome a origem, a história e o orgulho de um povo. Indígena Terena da aldeia Imbirussu, na Terra Indígena de Taunay-Ipegue, ele se prepara para tomar posse como auditor do TCU (Tribunal de Contas da União), em Brasília.
A posse está marcada para o dia 31 de julho, na sede do tribunal. Antes disso, Guaraci conclui o programa de formação do cargo. A conquista é histórica: ele será o primeiro indígena auditor do TCU. “O primeiro de muitos, espero. E trabalharei para isso”, afirmou.
Aos 38 anos, Guaraci chega ao tribunal após uma trajetória de duas décadas no serviço público. Ao longo desse caminho, foi servidor do Banco do Brasil em Curitiba, da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) no Maranhão e do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
Mas a caminhada até a aprovação não foi simples. Guaraci conta que a conquista foi construída com sacrifício, especialmente da família. Casado e pai de três filhos pequenos, todos Terena, ele afirma que a esposa e as crianças abriram mão de momentos de lazer, recursos e convivência para que ele pudesse estudar. “Sou muito grato por isso”, disse.
Com o apoio da família, Guaraci concluiu três faculdades e cinco pós-graduações. A formação acadêmica, somada à experiência no serviço público, ajudou a preparar o caminho até a aprovação em um dos concursos mais disputados do país. Além da atuação profissional, ele também exerceu funções representativas junto ao povo indígena, como conselheiro no Condisi (Conselho Distrital de Saúde Indígena) e no CMDDI (Conselho Municipal dos Direitos e Defesa dos Povos Indígenas).
Para Guaraci, ocupar uma vaga no TCU vai além de uma conquista individual. É também uma forma de abrir caminhos para que mais indígenas estejam presentes em espaços de decisão. “Os povos indígenas precisam estar inseridos nas instâncias que tratam dos seus interesses, como é o caso das políticas públicas, auditadas pelo TCU em sua efetividade, aplicação de recursos e execução”, destacou.
Ele lembra que a presença indígena nesses espaços é fruto da luta de lideranças tradicionais que, mesmo sem estudo formal ou recursos, abriram caminhos para as novas gerações. “Como dizem nossas lideranças tradicionais: não podem tratar da gente sem a gente. Hoje colhemos os frutos da luta dessas lideranças. É nosso dever fazer jus e retribuir ao nosso povo essa honra, de poder representá-los onde estivermos”, afirmou.
Fonte: Topmidianews

