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domingo, 26 de julho, 2026

Estelionatos batem recorde e somam 2,26 milhões de casos; alta é de quase 430% desde 2018

Golpes se consolidam como o principal crime patrimonial do país; mais de 97% dos casos registrados não chegam ao Judiciário.

Os registros de estelionato no Brasil atingiram um novo recorde em 2025 e consolidaram os golpes como o principal crime patrimonial do país. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), foram contabilizados 2.261.055 boletins de ocorrência no ano passado, um crescimento de 2,7% em relação a 2024 e de 429,8% na comparação com 2018, primeiro ano da série histórica.

O levantamento mostra que a escalada foi contínua ao longo dos últimos oito anos. Em 2018, o país registrava 426.799 ocorrências de estelionato. Desde então, o número praticamente quintuplicou, ultrapassando a marca de 2 milhões de casos em 2023 e chegando ao maior patamar da série em 2025.

Para o advogado criminalista Lourival Tenório de Albuquerque, esse crescimento é resultado da digitalização das relações e do aperfeiçoamento dos golpes, mas também de uma maior conscientização das vítimas, que passaram a denunciar com mais frequência tanto os crimes consumados quanto as tentativas de fraude.

Para os autores do estudo, a tendência evidencia uma mudança no perfil da criminalidade no país. Enquanto indicadores ligados aos crimes tradicionais de rua, como homicídios, roubos e furtos, apresentam redução, os estelionatos seguem em trajetória de crescimento, impulsionados principalmente pelas fraudes praticadas em ambiente digital.

Os dados mostram que os registros de estelionato por meio eletrônico cresceram 20,6% entre 2024 e 2025, passando de 286.226 para 346.753 ocorrências, reforçando a migração dos golpes para o ambiente digital.

Na avaliação do professor de Segurança Pública do Ibmec Brasília Fagner Dias, o ambiente digital tornou esse tipo de crime mais atrativo porque oferece uma relação de custo-benefício favorável aos criminosos, que conseguem aplicar golpes à distância, utilizando identidades falsas, dificultando a produção de provas e reduzindo significativamente o risco de responsabilização.

Casos não chegam ao Judiciário

Além do avanço dos registros, o Anuário chama atenção para a baixa responsabilização criminal dos autores. Em 2025, os mais de 2,26 milhões de boletins de ocorrência resultaram em apenas 63.771 processos penais e 4.819 pessoas presas por estelionato. Isso significa que mais de 97% dos casos registrados não chegaram ao Poder Judiciário.

Na avaliação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a combinação entre alta incidência e baixa responsabilização transformou o estelionato em uma importante fonte de renda para organizações criminosas. O relatório afirma que o crime deixou de ser praticado predominantemente por indivíduos isolados e passou a integrar a estrutura financeira de grupos organizados.

Golpes mais comuns

O estudo também aponta que os golpes mais comuns sofridos pelos brasileiros envolvem clonagem ou troca de cartão (45%), golpe do WhatsApp (34%), falsa central bancária (31%), golpe do Pix (24%), uso indevido de CPF por SMS (13%) e leilões ou lojas falsas (10%).

Para conter o avanço desse tipo de crime, os especialistas defendem uma atuação integrada entre Estado, instituições financeiras e empresas de tecnologia. Fagner Dias afirma que fortalecer a educação digital da população e ampliar a proteção de dados são medidas fundamentais para reduzir o número de vítimas.

Lourival Tenório defende a criação de um banco de dados nacional integrado que reúna informações sobre telefones e contas bancárias utilizados em fraudes, facilitando a identificação dos criminosos.

Na mesma linha, o advogado especialista em segurança pública Berlinque Cantelmo afirma que o enfrentamento do estelionato passa pela integração entre polícias, bancos e operadoras de telecomunicações, permitindo o bloqueio mais rápido de contas e linhas telefônicas utilizadas em golpes e aumentando a eficiência das investigações.

Fonte: R7