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quinta-feira, 30 de julho, 2026

Exame necroscópico indica tiro à distância, diz família de fisioterapeuta morta em maio

Outra linha de investigação analisada pela 1ª Deam é que Fabíola tenha sido vítima de feminicídio.

Laudo do Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) pode descartar a hipótese de que a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos — encontrada morta com um tiro na cabeça no dia 18 de maio deste ano —, tenha tirado a própria vida. A informação foi confirmada à reportagem do Midiamax nesta quinta-feira (30), pela família da vítima.

“O laudo necroscópico saiu esta semana. Ainda não foi juntado ao inquérito policial. Nele, diz que todas as características de lesão de projétil, com a arma encostada na pele ou a curta distância, estão ausentes. Ou seja, o disparo foi à distância”, frisa o médico José Ricardo Marcotti, 58 anos, irmão de Fabíola.

A família, que em outras ocasiões informou não acreditar na hipótese de que Fabíola tenha tirado a própria vida, ressalta que ainda aguarda o resultado do exame de balística e do inquérito policial sobre o caso.

“Acho que somente a balística confirmará a distância exata, inclusive com a trajetória do projétil. Esperamos a finalização do inquérito policial, primeiramente. Mas temos certeza, desde o início dos fatos, e agora através deste laudo necroscópico e de outras informações, de que a Fabíola não cometeu suicídio”, frisa.

A reportagem do Jornal Midiamax acionou a Polícia Civil para falar sobre o caso, mas foi informada de que a 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) se manifestará apenas após a conclusão do inquérito policial.

Possibilidade de feminicídio

Outra linha de investigação analisada pela 1ª Deam é que Fabíola tenha sido vítima de feminicídio. A fisioterapeuta foi encontrada morta com um tiro na região da cabeça, no dia 18 de maio, na residência localizada na Chácara dos Poderes, em Campo Grande, onde morava com o médico cardiologista João Jazbik Neto.

As investigações que consideram a possibilidade de feminicídio apontam o companheiro da vítima como o principal suspeito. O cardiologista chegou a ser preso e ganhou liberdade provisória no dia 22 de maio, mediante medidas cautelares, incluindo a utilização de tornozeleira eletrônica.

Na ocasião, o delegado Leandro Santiago, da 1ª Deam, informou que o cardiologista teria ligado para um ex-funcionário e um caseiro para se deslocarem até a casa. No local, o médico teria pedido aos dois que colocassem um armário, com diversas armas, em outro cômodo da casa.

O delegado também informou que a versão apresentada pelo cardiologista, de que a mulher teria tirado a vida, não condiz com o ferimento no corpo da fisioterapeuta.

Em decisão assinada pela promotora de Justiça Daniele Borgjetti Zampieri de Oliveira, no último dia 16, o Ministério Público Estadual prorrogou por 60 dias o prazo para finalização do inquérito policial. Diversas perícias ainda são realizadas.

À reportagem do Midiamax, o advogado José Belga Assis Trad, que representa o cardiologista João Jazbik Neto, defende que a informação sobre o laudo necroscópico não procede.

“Se trata de informação inverídica. Em primeiro lugar, porque o laudo necroscópico não faz qualquer tipo de conclusão sobre os possíveis acontecimentos que levaram a uma determinada lesão, limitando-se a descrever as lesões encontradas no corpo examinado”, afirma.

A defesa também reforça que o laudo não foi juntado ao inquérito policial e que aguarda os trabalhos da polícia judiciária acerca do caso.

Confira na íntegra a nota enviada pela defesa do cardiologista:

Fonte: Midiamax