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sexta-feira, 31 de julho, 2026

Iagro aprova novos agrotóxicos em MS e inclui produtos altamente tóxicos na lista

Entre os produtos autorizados, estão herbicidas, inseticidas, fungicidas e defensivos microbiológicos destinados a diferentes culturas agrícolas.

Em portarias publicadas no DOE (Diário Oficial do Estado) desta sexta-feira (31), a Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) aprovou o cadastro de dez novos agrotóxicos para comercialização em Mato Grosso do Sul. Entre os produtos autorizados, estão herbicidas, inseticidas, fungicidas e defensivos microbiológicos destinados a diferentes culturas agrícolas.

A maior parte dos registros está enquadrada na categoria “produto improvável de causar dano agudo”, conforme a classificação toxicológica adotada pelos órgãos reguladores. No entanto, dois inseticidas receberam a classificação de “produto altamente tóxico”.

Entre eles, está o Surrateiro BR, da Solus do Brasil, formulado com o ingrediente ativo lambda-cialotrina. O outro é o Raja 310 SL, da ZSChem, produzido à base de metomil. Ambos foram autorizados para comercialização no Estado pela Iagro.

Na lista de produtos com menor toxicidade, estão os herbicidas Gluferon, Roktar, Cletodim CHDS 240 EC, Grasidim Plus e Lurane, além dos fungicidas microbiológicos Provilar Plus e Biopartners Trichoderma e do nematicida microbiológico Biopartners Eliminate, todos classificados como “produto improvável de causar dano agudo”.

Confira os produtos liberados:

  • Surrateiro BR (inseticida – lambda-cialotrina): altamente tóxico;
  • Gluferon (herbicida – glufosinato sal de amônio): improvável causar dano agudo;
  • Roktar (herbicida – sulfentrazona e diurom): improvável causar dano agudo;
  • Provilar Plus (fungicida microbiológico – Bacillus velezensis e Bacillus subtilis): improvável causar dano agudo;
  • Biopartners Eliminate (nematicida microbiológico – Paecilomyces lilacinus): improvável causar dano agudo;
  • Raja 310 SL (inseticida – metomil): altamente tóxico;
  • Biopartners Trichoderma (fungicida microbiológico – Trichoderma harzianum): improvável causar dano agudo;
  • Cletodim CHDS 240 EC (herbicida – cletodim): improvável causar dano agudo;
  • Grasidim Plus (herbicida – cletodim e haloxifope-p-metílico): improvável causar dano agudo;
  • Lurane (herbicida – glufosinato sal de amônio): improvável causar dano agudo.

Alterações em cadastros

Além dos novos registros, a Iagro alterou o cadastro de produtos já autorizados no Estado. Entre as mudanças, o herbicida Kennox teve o uso ampliado para culturas como amendoim, canola, gergelim, linhaça, quinoa, mamona, milheto, sorgo, cevada e gramados.

Já o Triclopir Nortox passou a ser autorizado também para arroz irrigado, cana-de-açúcar, eucalipto, pinus, pastagem, milho, aveia, centeio, cevada, trigo e triticale.

A agência também incluiu a cultura da soja na indicação de uso dos produtos Ancosar 720 e Defensar 720, ampliou os alvos biológicos do fungicida Reverb e excluiu algumas indicações de controle de pragas do produto Joiner. Além disso, o cadastro estadual do produto Initiate foi cancelado a pedido da empresa detentora do registro.

Contaminação em MS

Em 2025, um dossiê elaborado pela Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) e pela Ensp (Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca) apontou os impactos dos agrotóxicos na saúde reprodutiva, com destaque para áreas de conflito indígena em Mato Grosso do Sul, como a região de Caarapó.

Conforme o estudo, análises realizadas com amostras coletadas entre 2020 e 2021 na Terra Indígena Tirecatinga identificaram contaminação por agrotóxicos em diferentes materiais, como água da chuva, água de poço, rios, plantas medicinais, frutos do Cerrado, alimentos, peixes, caça e mel.

Os resultados indicaram presença de resíduos em 90% das amostras, com detecção de 11 tipos diferentes de agrotóxicos, uma média de quatro substâncias por amostra. Entre eles, cinco (45%) são proibidos na União Europeia.

Há ainda relatos de redução na produção de frutas e adoecimento de animais em períodos de intensa pulverização nas lavouras do entorno da terra indígena.

Fonte: Midiamax