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segunda-feira, 10 de agosto, 2026

Exportação de sucata ferrosa inicia 2º semestre com acentuada queda de 44% e mercado interno não ajuda

Período das monções na Ásia e guerras prejudicam vendas externas; no Brasil, demanda ainda fraca

As exportações de sucata ferrosa, insumo usado na fabricação de aço, iniciaram o segundo semestre com forte queda de 44% em julho. As vendas externas alcançaram 47.014 toneladas no mês passado, em comparação às 84.119 toneladas em julho de 2025.

No ano, as exportações ainda estão ligeiramente acima em 2026. De janeiro a julho, atingiram 520.226 toneladas, 3,7% superiores a igual período de 2025, conforme dados foram divulgados pelo Ministério da Economia, Secex.

Segundo o presidente do Instituto Nacional de Reciclagem (Inesfa), Clineu Alvarenga, órgão de classe que representa mais de 5 mil empresas recicladoras que praticam a sustentabilidade e impulsionam a economia circular, a época das monções (período de chuvas) na Índia e outros países da Ásia, grandes compradores da sucata brasileira, e um mercado mundial instável, com as guerras, explicam essa queda brusca nas exportações brasileiras.

Conforme o Inesfa, as exportações são apenas de volume excedente e representam muito pouco do volume total comercializado. As 47 mil toneladas do mês passado são apenas cerca de 5% do consumo médio anual de 800 mil toneladas absorvidas pelas usinas siderúrgicas (aciarias).

No mercado interno, o quadro também não é favorável e, com a crise no setor de aço (a Gerdau, por exemplo, grande consumidora, parou a fábrica em Pernambuco), a incerteza com o resultado das eleições e a concorrência chinesa de veículos elétricos importados afetam todo o ciclo da reciclagem e consequentemente a demanda por sucata ferrosa pelas siderúrgicas, de acordo com o Inesfa. 

Sucata de alumínio
“Assim como a sucata ferrosa, a de alumínio também tem uma exportação não superior a 5% do volume total, conforme dados do Ministério da Economia/Secex. O argumento da Associação Brasileira do Alumínio (Abal) de que as exportações para a Ásia prejudicam a produção nacional não faz qualquer sentido”, diz Alvarenga.
Dados do ME/Secex mostram que, de janeiro a julho, as exportações de sucata de alumínio foram de apenas 32 mil toneladas, ante uma importação mais de três vezes superior, de 107 mil toneladas. “Não há razão para as indústrias de alumínio pedirem controle na exportação de sucata de alumínio. O Inesfa é a favor do livre mercado”, afirma Alvarenga.

 Fonte: Letras & Fatos Comunicação