Você já parou para pensar no que realmente move a indústria farmacêutica? Acreditamos, por instinto, que sua missão maior seja a busca pela cura das doenças que afligem a humanidade. Mas será que é isso mesmo? Ou existiriam interesses financeiros que, silenciosamente, orientam decisões que afetam diretamente a nossa saúde?
Não se trata aqui de acusar ninguém. Trata-se de levantar uma questão que interessa a todos nós, porque envolve algo sagrado: a vida e a saúde das pessoas. E, quando o assunto é saúde, toda pergunta é legítima e merece ser feita com seriedade.
E não estamos sozinhos nessa dúvida. Autoridades científicas respeitadas no mundo inteiro já levantaram exatamente essa mesma questão. O médico dinamarquês Peter C. Gøtzsche, cofundador da Colaboração Cochrane — referência mundial em medicina baseada em evidências — e ex-diretor do Centro Cochrane Nórdico, é uma das vozes mais contundentes nesse debate. Em suas palestras e em livros como Medicamentos Mortais e Crime Organizado, ele critica duramente a indústria e chegou a declarar, em 2022, que ela “age como o crime organizado”, citando práticas como forjar evidências e fraudes — embora reconheça os êxitos do setor no desenvolvimento de medicamentos.
A neuropsicofarmacologista e psiquiatra Gabriella Gobbi, professora da Universidade McGill, no Canadá, foi ainda mais direta: alertou que “o lucro, e não a ciência, decide quais medicamentos chegam aos pacientes”, afirmando que tratamentos promissores não avançam nos ensaios clínicos porque o capital de risco e a busca pelo lucro determinam quais compostos seguem adiante.
Nem mesmo organizações internacionais de saúde ficam imunes a essa crítica. Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) publicaram o artigo “6 coisas que a indústria farmacêutica não quer que você saiba”, denunciando a narrativa que justifica preços cada vez mais altos e apontando que a pesquisa é orientada pela rentabilidade, e não pelas necessidades reais de saúde pública. No Brasil, o pesquisador Olavo Amaral, em entrevista à Rádio Câmara, chamou a atenção para o conflito de interesses quando a pesquisa é financiada pelo setor privado e movida pela propriedade intelectual e pelas patentes.
Há muito se comenta, portanto, que algumas indústrias farmacêuticas teriam em mãos o remédio da cura — mas que, por razões econômicas, prefeririam manter as pessoas em eternos tratamentos, garantindo consumo contínuo. Verdade ou não, a pergunta é incômoda e necessária: seria a cura um bom negócio para quem vive do tratamento?
E aqui entra um ponto que exige de nós a máxima honestidade. A ciência, representada pela Organização Mundial da Saúde, pelo Ministério da Saúde e pela comunidade científica internacional, afirma que as vacinas contra a covid-19 foram seguras, eficazes e salvaram milhões de vidas. Se é assim, por que ainda há tanta dúvida e desconfiança na população? Talvez porque falte transparência e monitoramento de longo prazo. E é exatamente essa lacuna — a ausência de um acompanhamento público, contínuo e independente dos efeitos de qualquer medicamento ao longo dos anos — que precisa ser investigada.
O que dizer, então, das tantas mortes — inclusive de jovens e atletas — registradas desde o período da pandemia? Pessoas que receberam medicamentos e vacinas cujos próprios fabricantes, à época, declaravam não se responsabilizar pelos chamados “efeitos colaterais”. Ficou a pergunta no ar: se não havia certeza sobre a segurança, por que a pressa? E quem não conhece, ainda, alguém que passou por uma “transformação física e emocional” depois de receber a vacina — mesmo sem jamais ter contraído o vírus? São relatos que circulam em famílias, em rodas de amigos, em consultórios. Histórias que merecem atenção, não desprezo.
Se a indústria farmacêutica realmente manipulasse seus serviços em nome do lucro, em detrimento da saúde das pessoas, estaríamos diante de algo criminoso. Mas, como não podemos afirmar — apenas especular, com base no que ouvimos ao longo da vida e no que essas autoridades científicas denunciam —, o caminho mais sensato é outro: que as autoridades, tanto do Executivo quanto do Legislativo, criem mecanismos para investigar, monitorar e punir qualquer forma de manipulação da saúde humana.
Assim como existem Conselhos de Medicina, de Engenharia e de tantas outras profissões, deveria existir um órgão capaz de monitorar e fiscalizar a composição de todos os produtos de uso humano. Para que a saúde das pessoas nunca mais seja tratada como massa de manobra econômica. Para que a vida esteja, sempre, acima de qualquer interesse.
Essa é uma reflexão que nos convoca a todos — cidadãos, autoridades e sociedade — a olhar com mais atenção para aquilo que consumimos e para quem decide o que chega até nós. Porque, no fim das contas, a pergunta que fica é simples e profunda: a quem realmente interessa a nossa saúde?
Wilson Aquino/Jornalista, Professor e Escritor -Autor do Livro ‘Reflexões e Memória’

