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terça-feira, 25 de agosto, 2026

Pantanal em Alerta amplia ações diante do avanço das queimadas no bioma

O avanço dos incêndios florestais em Mato Grosso do Sul reforça a importância de ações permanentes de monitoramento, prevenção e responsabilização ambiental. Nesse cenário, o Programa Pantanal em Alerta, coordenado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), em parceria com órgãos estaduais, tem se consolidado como uma das principais estratégias para proteger o bioma Pantanal e reduzir os impactos das queimadas.

Os dados de monitoramento apontam um aumento significativo da área atingida por incêndios no Pantanal sul-mato-grossense. Entre 10 de janeiro e 16 de agosto de 2025, foram registrados 21.935,60 hectares queimados. Já entre 7 de janeiro e 18 de agosto de 2026, o número chegou a 90.719,60 hectares, mais de quatro vezes a área registrada no período correspondente de 2025.

Diante dessa situação, o MPMS tem intensificado as medidas preventivas e de fiscalização por meio do Pantanal em Alerta. O programa utiliza imagens de satélite, análise geoespacial e integração de dados para identificar focos de calor em tempo quase real, permitindo respostas mais rápidas dos órgãos responsáveis pelo combate ao fogo. As informações são compartilhadas com proprietários rurais, brigadistas e equipes de fiscalização, ampliando as chances de contenção dos incêndios ainda em seus estágios iniciais.

Além disso, o Pantanal em Alerta dispõe de um sistema desenvolvido pelo MPMS em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS), com o objetivo de ampliar a detecção e a comunicação sobre possíveis ocorrências de incêndios florestais no Estado.

Aberto à participação da sociedade, o sistema permite que qualquer cidadão realize um cadastro e indique uma área de interesse para acompanhamento. A partir do cadastramento, o usuário passa a receber alertas sobre possíveis focos de incêndio registrados nas proximidades da área informada. As notificações são encaminhadas por e-mail ou mensagem no celular, permitindo o acompanhamento das ocorrências de forma rápida e acessível.

Além do monitoramento, a iniciativa aposta na articulação entre instituições como MPMS, Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), Polícia Militar Ambiental (PMA), Corpo de Bombeiros, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Perícia Criminal e Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). A atuação integrada busca não apenas combater incêndios, mas também identificar suas causas, produzir provas técnicas e responsabilizar eventuais infratores nas esferas cível e criminal.

Outro diferencial do programa é a definição de propriedades prioritárias para o desenvolvimento de ações preventivas e de educação ambiental. Por meio do uso de geotecnologias e da análise de dados históricos, o MPMS identificou áreas que demandam acompanhamento mais próximo, considerando fatores como histórico de focos de ignição, recorrência de incêndios, proximidade com Unidades de Conservação, presença de áreas ambientalmente sensíveis e registros de reincidência desde 2020.

Os resultados dessa estratégia já aparecem em campo. Em operações realizadas no âmbito do Pantanal em Alerta, imagens de satélite e análises técnicas têm subsidiado fiscalizações direcionadas, resultando em autuações por queima ilegal e no aprofundamento de investigações sobre a origem dos incêndios.

Os números reforçam o alerta para o Pantanal sul-mato-grossense. Além do aumento expressivo da área atingida pelo fogo em 2026, o bioma segue sob influência de condições climáticas favoráveis à propagação dos incêndios, como estiagem prolongada, baixa umidade do ar e temperaturas elevadas. O cenário exige monitoramento permanente e resposta rápida dos órgãos de fiscalização e combate ao fogo.

Mais do que responder às emergências, o Pantanal em Alerta reúne tecnologia, inteligência territorial e atuação integrada para prevenir incêndios, identificar suas causas e subsidiar a responsabilização de infratores. A iniciativa também amplia a participação da sociedade na proteção do Pantanal e na preservação de um dos biomas mais importantes do mundo.

Texto: Karla Tatiane
Foto: Banco de imagem
Gráfico Nugeo/MPMS
Revisão: Rejane Sena

Fonte: Ministério Publico MS