Sistema S é financiado com recursos de origem pública, que podem chegar a R$ 60 milhões este ano.
Manifestação oficial do TCU (Tribunal de Contas da União) revela que o Sesi-MS (Serviço Social da Indústria em Mato Grosso do Sul) e o Senai-MS (Serviço Nacional da Aprendizagem Industrial de MS) repassaram R$ 15.757.150,79 para a Fiems (Federação das Indústrias de MS) no período de 2023 a 2025.
Os dados, enviados após solicitação parlamentar, expõem a dimensão das fontes de receita que alimentam a entidade presidida por Sérgio Longen há quase duas décadas, justamente em um momento no qual sua gestão entra na mira da CGU (Controladoria-Geral da União) sobre suspeitas de fraudes em licitações e em contratos.
Conforme o detalhamento do TCU, os repasses anuais à federação saltaram de R$ 4,5 milhões em 2023 para R$ 5,8 milhões em 2025. Esse dinheiro é oriundo das “cotas de administração superior” — repasses compulsórios previstos em decretos federais, nos quais o Sesi transfere 7% de sua arrecadação e o Senai até 1%, para manter a estrutura da federação patronal.
Dinheiro público abastece cofres da Fiems
Além das cotas do Sesi e do Senai, a Fiems é abastecida pelos chamados recursos parafiscais, que são de natureza pública, obtidos por meio de taxas cobradas compulsoriamente na folha de pagamento de empresas e recolhidas com o apoio da Receita Federal, com projeção de arrecadar cerca de R$ 60 milhões este ano.
Apesar de se tratar de dinheiro de origem tributária e de interesse público, a Fiems não possui um Portal da Transparência para detalhar ou especificar como utiliza esses recursos.
Para se ter uma ideia do montante movimentado pela entidade sob administração de Longen, o portal de licitações da Fiems traz a informação de que realizou mais de R$ 120 milhões em compras nos últimos 12 meses.
Dessa forma, a CGU passou a monitorar a entidade, e auditorias anteriores no Sesi-MS já haviam apontado gargalos e inconsistências na aplicação dessas verbas, com o avanço das denúncias que envolvem a gestão de Sérgio Longen.

Licitações de Longen na mira da CGU
O Jornal Midiamax publicou série de reportagens com denúncias de ex-funcionários e fornecedores, que afirmam existir uma rede de CNPJs controlados pela diretoria da entidade dos industriários para desviar milhões em contratos com o Sistema S, que recebe recursos parafiscais diretamente da Receita Federal.
Segundo os relatos, o suposto esquema foi arquitetado para ganhar contratos de prestação de serviços difíceis de serem conferidos depois, ampliando a margem para superfaturamentos e desvios.
Em nota oficial, a CGU informou que usará as reportagens do Jornal Midiamax como subsídio para o planejamento de suas ações de controle em 2027, ressaltando sua competência para fiscalizar o uso finalístico das verbas do Sistema S, por se tratar de recursos de natureza parafiscal, cuja inclusão em auditorias futuras dependerá de critérios técnicos de priorização e da capacidade operacional da unidade regional em Mato Grosso do Sul.
Em 2024, auditoria da CGU expôs rombo de R$ 24,7 milhões nas contas do Sesi-MS e alertou para diminuição de vagas gratuitas em cursos para a população.
Atestado falso e relatório frágil
A partir das denúncias, o núcleo investigativo do Jornal MIdiamax chegou até um comerciante local que afirmou ter assinado um documento falso utilizado por um desses CNPJs para ganhar uma licitação milionária da Fiems. Dessa forma, a Acto Soluções em Tecnologia (CNPJ 31.356.145/0001-53) conquistou contrato com o Sistema S.
A reportagem localizou, ainda, documentos públicos revelando que um dos sócios da Acto possui e-mail institucional da Fiems.
O esquema, que utilizaria atestados de capacidade técnica falsos — usados para vencer licitações —, não conseguia emplacar além dos limites controlados por Longen. Atestados emitidos pelo Sesi e Senai, usados pela Acto, foram rejeitados em uma licitação do Senar-MS (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de MS).
Fonte: Midiamax

