Intercâmbio leva representantes das cooperativas COOPERPORÃ e COOPERAI a experiências de agroindustrialização e comercialização em São Paulo
O Assentamento Itamarati, em Ponta Porã (MS), está buscando novas estratégias para agregar valor à produção de leite e ampliar o acesso dos agricultores familiares a mercados. Representantes das cooperativas COOPERPORÃ e COOPERAI participaram de um intercâmbio no Estado de São Paulo, com visitas à COAPAR, em Andradina, e a uma central de distribuição e comercialização de cooperativas (UNISOL), em Mauá, na Grande São Paulo.

A agenda permitiu conhecer experiências de agroindustrialização, controle de qualidade, gestão, logística e comercialização. Em Andradina, a comitiva conheceu a estrutura da COAPAR e o projeto de implantação de uma fábrica de leite em pó voltada à agricultura familiar, com investimento de R$ 15 milhões.
A experiência chamou a atenção dos representantes do Itamarati pela capacidade de transformar a produção dos agricultores em diferentes produtos e ampliar as possibilidades de mercado.
“É como se nós tivéssemos o produto e eles tivessem a montadora. Eles têm uma agroindústria, que é aquilo que a gente não tem”, avalia Vitor Carlos Neves, subprefeito de Nova Itamarati e integrante da comitiva.
Uma articulação que começou em 2025
A aproximação com a experiência paulista começou em 2025, durante o Cooperar Mais Brasil, quando Vitor Carlos Neves participou do evento acompanhado do professor Regio Toesca, coordenador do Eixo de Educação, Gestão e Empreendedorismo do CDR/UFGD.
Na ocasião, eles conheceram a experiência da cooperativa de Andradina e ouviram sobre a implantação da indústria de leite em pó adaptada à agricultura familiar. O contato despertou o interesse em conhecer de perto o modelo.
A partir dessa articulação, foram mobilizadas a COOPERPORÃ, cooperativa local de produção de leite, e a COOPERAI, que também trabalha com.derivados de leite, além do apoio da Prefeitura Municipal de Ponta Porã, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Integrado, para a realização do intercâmbio.
Para Cristiane Villas Boas, presidente da COOPERPORÃ, a visita teve como um dos principais objetivos conhecer referências para um possível projeto de agroindustrialização no próprio território.
“A gente foi com o objetivo de conhecer a realidade, entender como funciona essa agroindústria, porque a nossa cooperativa tem a ideia de fazer uma agroindústria para beneficiamento do leite, para agregar valor ao leite dos produtores aqui do assentamento e da região. Mas também ganhar experiência e conversar sobre futura comercialização lá no Estado de São Paulo”.
Conhecimento para transformar produção em renda
Além da agroindústria, a comitiva conheceu, em Mauá, uma experiência de centralização da comercialização de produtos de diferentes cooperativas.
Um dos pontos que chamou atenção foi a transparência na formação dos preços, com apresentação dos custos envolvidos em cada operação, como logística, frete e demais despesas. A proposta permite que o produtor compreenda melhor como o preço de venda é formado e qual valor efetivamente retorna para a produção.
Para Márcio Azarias, presidente da COOPERAI, esse conhecimento pode contribuir para o fortalecimento das cooperativas locais.
“Essa viagem foi no sentido de buscar conhecimento, trazer esse conhecimento para a cooperativa. A gente viu coisas novas, novos métodos de trabalho. Principalmente na COAPAR, com equipamentos modernos, laboratório e uma estrutura de atendimento ao produtor. Essas coisas a gente pode pensar em trazer para cá.”
Uma cadeia que já existe
O intercâmbio parte de uma realidade produtiva já consolidada no território. Dados do Incra apontam a pecuária leiteira entre as principais atividades do Assentamento Itamarati, enquanto a SEMADESC registra a atuação de produtores organizados em cooperativas e a produção de leite e derivados.
A proposta agora é avançar na cadeia: produzir, beneficiar, comercializar e gerar mais valor dentro das estratégias construídas pelos próprios agricultores.
O objetivo não é simplesmente reproduzir o modelo paulista, mas identificar experiências que possam ser adaptadas à realidade do Itamarati e da região de fronteira.
A comitiva foi formada por Cristiane Villas Boas, Mariluce Forestes e Vitor Carlos Neves, pela COOPERPORÃ, e Márcio Azarias e Renato Mizael, pela COOPERAI.
A visita técnica contou com apoio da Prefeitura Municipal de Ponta Porã, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Integrado.


AF Comunica — Comunicação e Jornalismo Territorial
Assentamento Itamarati — Ponta Porã/MS

