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sábado, 12 de setembro, 2026

Presidente e diretores da Santa Casa são presos em operação que apura desvios de R$ 4,9 milhões no maior hospital de MS

Operação Antidotum cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul e Goiás.

A diretora-presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, está entre os presos nesta sexta-feira (11), durante a Operação Antidotum, que investiga supostos desvios e prejuízos de pelo menos R$ 4,9 milhões em contratos ligados à Santa Casa de Campo Grande. 

Além de Alir, também foram presos os diretores do hospital. São eles:

  • Alessandro Dias Junqueira (diretor administrativo da Santa Casa)
  • Rinaldo Romano (diretor Administrativo Financeiro na Santa Casa)
  • Paulo Guilherme Gutierre Mariosa (diretor de Finanças Adjunto da Santa Casa)
  • Monique Gregório (supervisora Serviço de Arquivo Médico e Estatística da Santa Casa)
  • Mauricio Aparecido Benites (empresário)

O g1 ainda não conseguiu contato com as defesas dos alvos da operação deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

A Santa Casa de Campo Grande é um dos principais hospitais de Mato Grosso do Sul e referência no atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A instituição recebe pacientes de diferentes municípios do estado e oferece atendimentos de média e alta complexidade.

Apesar das ocorrências registradas na cidade, o hospital informou que o atendimento e a assistência seguem funcionando normalmente. A unidade também esclareceu que as visitas estão mantidas.

Presidente e diretores da Santa Casa são presos em operação que apura desvios de R$ 4,9 milhões no maior hospital de MS
Alir Terra. — Foto: Divulgação.

A operação

Na manhã desta sexta-feira (11), agentes do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) estiveram na Santa Casa para cumprir os mandados e apurar as supostas irregularidades apontadas pela investigação.

Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande e Dourados, em Mato Grosso do Sul, além de Goiânia (GO).

Segundo o MPMS, cerca de R$ 1,4 milhão teria sido desviado somente no primeiro ano do contrato de digitalização de prontuários. Em outro levantamento, o órgão estima um prejuízo de pelo menos R$ 3,5 milhões à Santa Casa, relacionado a pagamentos feitos a empresas pertencentes ao mesmo grupo.

O Ministério Público afirma que o valor total do suposto prejuízo é calculado e pode ser maior. Em nota, a Santa Casa informou que acompanha a operação. Leia a íntegra da nota mais abaixo.

Investigações apontou irregularidades

Segundo o MPMS, a investigação começou após suspeitas de irregularidades em um contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para digitalizar prontuários médicos.

O contrato previa o pagamento de R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Segundo o Ministério Público, os cerca de R$ 1,4 milhão teriam sido desviados somente no primeiro ano de parceria.

A operação é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados (CDA) da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS).

Contratos com empresas do mesmo grupo

Durante a investigação, o Gecoc também identificou suspeitas de irregularidades em contratos da Operadora Santa Casa Saúde, controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande.

Segundo o MPMS, os contratos foram firmados com várias empresas do mesmo grupo econômico. O proprietário delas teria ligação com integrantes da diretoria da Santa Casa.

As empresas também estariam registradas no mesmo endereço. Segundo a investigação, porém, o imóvel estava desocupado. Somente em 2025, a Operadora Santa Casa Saúde teria pago cerca de R$ 9,6 milhões a essas empresas.

Ainda segundo a investigação, contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido omitidos de órgãos de fiscalização. Entre eles estão o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.

A apuração continua para identificar o valor total dos recursos que podem ter sido desviados e a participação de cada investigado.

O nome da operação vem do latim antidotum, que significa antídoto. A palavra é usada para definir uma substância capaz de neutralizar ou impedir a ação de algo nocivo. No sentido figurado, também pode representar uma medida ou solução adotada para combater um problema.

Operação ocorre em meio a crise na Santa Casa

Presidente e diretores da Santa Casa são presos em operação que apura desvios de R$ 4,9 milhões no maior hospital de MS
Batalhão de Choque dá apoio em operação contra desvios da Santa Casa de Campo Grande — Foto: Gabi Cenciarelli/ Reprodução

A operação ocorre poucos dias após a Santa Casa de Campo Grande suspender cirurgias cardíacas pediátricas eletivas. Na terça-feira (8), foi divulgado que crianças que precisam desse tipo de procedimento pelo SUS em Mato Grosso do Sul poderiam ter que viajar para outros estados para serem atendidas.

A Santa Casa é referência nesse tipo de atendimento no estado. Segundo o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed-MS), é a única unidade credenciada pelo SUS em Mato Grosso do Sul para realizar cirurgias cardíacas pediátricas de alta complexidade.

A suspensão dos procedimentos eletivos ocorre desde 29 de julho. Segundo o sindicato, atendimentos ambulatoriais também foram suspensos.

Segundo o hospital, a medida foi tomada pela falta de médicos especializados. Dos dois cirurgiões que atuavam no serviço, um está afastado por um problema grave de saúde e a outra profissional pediu rescisão do contrato. A Santa Casa afirmou que a especialidade é de alta complexidade e que há poucos profissionais disponíveis, o que dificulta a recomposição da equipe.

O hospital também afirmou que a manutenção do atendimento pelo SUS depende do cumprimento das obrigações contratuais pelos órgãos públicos. Segundo a instituição, ainda há desequilíbrio financeiro no contrato, que afeta a manutenção de equipes, medicamentos e insumos. Sobre o aporte de R$ 4 milhões anunciado publicamente, a Santa Casa disse que ainda não recebeu o dinheiro.

O que diz a Santa Casa?

A Santa Casa se manifestou por nota. Leia a íntegra abaixo:

“A Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande informa que está prestando atendimento às autoridades responsáveis pela operação realizada nesta sexta-feira (11), colocando-se à disposição para fornecer as informações e os esclarecimentos que forem formalmente solicitados. A instituição respeita e acompanha o trabalho das autoridades competentes e, neste momento, aguarda a liberação do acesso aos autos para conhecer oficialmente o conteúdo das acusações e, a partir disso, poder se manifestar de forma adequada sobre os fatos. A Santa Casa reforça que os atendimentos à população seguem normalmente, sem qualquer prejuízo à assistência aos pacientes”.

Fonte: G1 MS