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sábado, 12 de setembro, 2026

Setembro Amarelo por Rosildo Barcellos

A morte não é contrário da vida, e sim sua consequência. Historicamente a palavra suicídio (etimologicamente sui = si mesmo; -caedes = ação de matar) foi utilizada pela primeira vez por Desfontaines, em 1737 e significa morte intencional auto-infligida, isto é, quando a pessoa, por desejo de escapar de uma situação de sofrimento intenso, decide tirar sua própria vida.

A tensão nervosa culmina nos conflitos intrapsíquicos que transtorna a tal ponto, que a morte torna-se único refúgio e a inevitável solução dos problemas. Acredito também que o o suicida tenta depositar a culpa de sua morte nos outros indivíduos que compõem seu ambiente social, principalmente nos mais próximos. Neste caso o suicídio funciona como um ”castigo”. É como revidar uma agressão do ambiente que o envolve. Por isto os recados dizendo “agora você vai se lembrar de mim o resto de sua vida”

Na civilização romana, importante era a forma de morrer: com dignidade e no momento certo.

Para os primeiros cristãos, a morte equivalia à libertação, pois a doutrina pregava que a vida era um “vale de lágrimas e pecados”. Nesse momento a morte surgia como um atalho ao paraíso. Nos séculos V e VI, nos Concílios de Orleans, Braga e Toledo, proibiram as honras fúnebres aos suicidas, e determinaram que mesmo aquele que não tivesse obtido sucesso em uma tentativa deveria ser excomungado.

Os familiares dos suicidas eram deserdados e vilipendiados enfrentando os preconceitos sociais. Apenas na Renascença a humanidade dos suicidas foi reconhecida, o romantismo desse período forjou em torno do tema uma áurea de respeitabilidade.

Em outras culturas, o suicídio era um ato de bravura, como quando os kamikazes direcionaram seus aviões-bomba aos contratorpedeiros americanos em Pearl Harbor. Quando buscamos uma solução bíblica encontramos “nenhum homicida tem permanecente nele a vida eterna” (1 João 3.15). O Marquês de Maricá dizia: “Os nossos maiores inimigos existem dentro de nós mesmos” uma fronteira tênue.

Não pretendo, neste momento, conceituar a palavra suicídio, eu mesmo, deparei-me com algumas situações aonde obtive êxito e espero ter auxiliado; (algumas destes indivíduos, não obtive mais contato), de qualquer forma tivemos a morte de 243 pessoas em Mato Grosso do Sul até agosto. O número é o mesmo de dias transcorridos do início do ano ao fim do mês passado. Em matemática simples, portanto, uma pessoa morreu por suicídio a cada dia no estado.

Não obstante, o que precisamos é contribuir para os que estão em volta de alguém com um problema que pra ele ou ela é incalculável, e que se deprime ou se anula como pessoa, podendo desenvolver um quadro de depressão, que pra mim é o mal do século; pois as famílias não conversam mais, não almoçam juntas e não temos mais cadeiras nas calçadas. Não ser ingrato ou egoísta faz uma diferença incomensurável. Acredito ainda, que o suicidado (em tentativa) quer/quis verbalizar a todos, que sua palavra precisa ter valor, claro, como todos nós. E lembrando Geraldo Roca…Agora pra mim, “Dona Música,” porque esse dia foi de amargar. Me arranje o gole que
acalma. Me aplique a dose que salva. Uma pra estrada. Enquanto uma canção percorre, máquinas e nuvens, eu chego até onde ela está …

  • Nota da Redação:
    Articulista do www.pontaporainforma.com.br há anos,(perdemos a conta), com este artigo chega a marca de 2001 publicações. Nesta quinta feira foi homenageado pelo atuante vereador José Claro dos Santos Neto, mais conhecido como Neto Santos, que concorreu às eleições municipais de 2020 em Dourados e em 2024 foi eleito vereador na capital do Estado pelo Republicanos, com 4576 votos. Como colegas de redação ficamos envaidecidos com essa marca que certamente não será igualada tão cedo. Sabemos da sua humildade mas também sabemos o quanto seus textos engrandecem o debate em Ponta Porã. Sua humildade não permite mas nós podemos dizer de como seus textos são lidos inclusive para conhecermos as palavras rebuscadas que engrandecem seus artigos. Para nós ele é muito mais que um articulista é um amigo leal e tantas outras coisas que ele não conta mas…nós sabemos. Abraços parceiro !