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terça-feira, 15 de setembro, 2026

Campanhas eleitorais perdem profundidade com “tiktokização” e foco em crises, aponta Fenaj

A corrida eleitoral no Brasil tem sido marcada por um esvaziamento do debate sobre propostas estruturais, conforme aponta a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Segundo a presidenta da entidade, Samira de Castro, a cobertura midiática e as estratégias de marketing superficial dos candidatos têm ofuscado a discussão de problemas reais do país.

Em entrevista à Agência Brasil, Samira de Castro criticou o que chamou de “tiktokização” das campanhas, onde a superficialidade e a busca por atenção momentânea, impulsionadas pela dinâmica das redes sociais, substituem o aprofundamento em temas cruciais para a nação.

“Sofremos um processo violento de ‘tiktokização’ da campanha eleitoral. Tudo se resume à dancinha”, declarou a presidenta da Fenaj, ressaltando que, em um cenário de atenção fragmentada, poucos candidatos se dispõem a debater as questões mais complexas que afetam a sociedade brasileira.

A crise institucional, com denúncias envolvendo o Poder Judiciário e a Polícia Federal, também tem dominado o noticiário, desviando o foco das discussões eleitorais. De Castro lamentou que essa cobertura, muitas vezes focada no “jornalismo declaratório” e na superficialidade dos escândalos, impede que pautas essenciais como as demandas da sociedade civil e os problemas nacionais ganhem o devido espaço.

“O debate eleitoral fica prejudicado porque, no primeiro plano, as atenções se voltam todas para a crise institucional. Com isso, as pautas comuns dos períodos eleitorais, ou seja, a discussão das propostas dos candidatos, das demandas da sociedade civil e das pautas nacionais, ficam em segundo plano”, explicou. Ela observou que a busca por audiência por parte de muitos veículos contribui para esse cenário, resultando em uma população que não debate com profundidade os programas de governo.

A Fenaj defende que a mídia deve insistir em uma cobertura que vá além da repercussão imediata dos fatos, equilibrando a necessária cobertura das crises com a pauta dos debates políticos e dos desafios futuros do país, em âmbitos econômico, social e geopolítico. É fundamental, segundo a entidade, ouvir a população e buscar fontes plurais e confiáveis, evitando vieses editoriais.

De Castro também alertou para o risco de a imprensa se guiar pela lógica das redes sociais, buscando engajamento momentâneo em detrimento da profundidade informativa. “Muitos veículos de imprensa estão se guiando pela lógica de concorrer com as redes sociais, buscando uma atenção capaz de gerar engajamento momentâneo, mas sem discutir nada com profundidade”, pontuou.

Entre os temas urgentes que, segundo a Fenaj, deveriam ser mais debatidos nas eleições, a presidenta citou a questão climática, a exploração de terras raras e a atração de data centers, destacando a carência de um debate aprofundado sobre essas e outras questões relevantes para o futuro do Brasil.