De Itaquiraí a Iguatemi, moradores relatam efeitos de investimentos feitos em parceria entre Estado e prefeituras: ações alcançam ainda saúde, habitação e assistência social
Para Juliana de Paula, de 42 anos, falar sobre a presença do Governo do Estado em Itaquiraí não começa com cifras milionárias ou grandes projetos. Começa por algo muito mais próximo da vida cotidiana: o esgoto. Moradora da cidade, ela acompanhou a mudança de um município que praticamente não tinha rede de coleta e tratamento para outro que caminha para atender quase toda a área urbana.
“Nosso município desenvolveu bastante. Conseguimos trazer a rede de esgoto, que era zero por cento, e agora estamos com 98% de toda a cidade com a rede de esgoto tratada”, afirma Juliana. Para ela, parte da transformação é resultado da parceria entre a prefeitura e o Governo de Mato Grosso do Sul, comandado por Eduardo Riedel (Progressistas), governador e candidato à reeleição.
A percepção da moradora encontra correspondência no avanço recente do saneamento no município. Em agosto, as residências de Itaquiraí foram autorizadas a se ligar ao novo sistema, estruturado para permitir que o município chegue a 98% de cobertura de coleta e tratamento. A mudança é concreta: significa substituir fossas e soluções individuais por uma rede pública capaz de recolher e tratar o esgoto antes de devolvê-lo ao meio ambiente.
É justamente essa relação entre problemas locais e decisões tomadas pelo Estado que Riedel procura colocar no centro de seu modelo de gestão. Na quinta-feira (17), durante passagem por Itaquiraí, Iguatemi, Tacuru e Sete Quedas, no Cone Sul de Mato Grosso do Sul, o governador afirmou que as prioridades apresentadas pelas próprias cidades devem orientar a aplicação dos recursos estaduais.
“As demandas dos municípios legitimam o que a gente vai fazer no Governo. Nossa linha de trabalho vai continuar com atenção máxima aos municípios, para dar sequência àquilo que é prioridade de cada cidade sul-mato-grossense”, disse. “Quando cada município cresce, quem ganha é o Estado.”
A candidatura de Riedel à reeleição pelo Progressistas foi oficializada em agosto e está registrada para a disputa pelo Governo de Mato Grosso do Sul.
Onde o problema aparece primeiro
A lógica municipalista defendida pelo governo parte de uma constatação simples: é na cidade que problemas muitas vezes discutidos de forma abstrata aparecem concretamente. É ali que falta asfalto, que uma ponte interrompida dificulta o transporte da produção, que uma família espera por uma casa ou que um paciente precisa encontrar atendimento.
“O diálogo com os municípios é fundamental. São vocês que trazem a visão e a legitimidade do município à mesa de discussão”, afirmou Riedel durante a passagem pela região. “Não temos como olhar para um Estado próspero se não olharmos para quem mora nos municípios, que é onde a vida acontece.”
Em Iguatemi, essa presença é percebida de outra maneira pelo taxista Wilson Matheus. Há 20 anos trabalhando pelas ruas da cidade, ele associa parte das mudanças que observa ao modelo de parceria entre prefeitura e Estado.
“Pra nós tá ótimo. O Governo tem uma política de desenvolver as cidades, trazendo investimentos junto com o prefeito. Tudo que vem aqui pra Iguatemi, tudo feito nessa parceria entre prefeito e governo, vai ser bom pra nós, pra população, pra comunidade toda”, afirma.
Para quem produz no campo, porém, desenvolvimento também depende do caminho entre a propriedade e a cidade.
Médico veterinário, vereador e produtor rural, Genésio Neto conta que produtores e representantes políticos de Iguatemi foram chamados a discutir onde os recursos estaduais deveriam ser aplicados. A prioridade escolhida foi a infraestrutura de estradas e pontes.
“Foi aí que nosso município passou a ter acesso para chegar os insumos e para sair os produtos”, relata. Segundo ele, as melhorias deram mais condições para o escoamento da produção agrícola e pecuária local.
A questão ajuda a explicar por que uma parcela tão grande dos investimentos estaduais na região está concentrada em infraestrutura.
Entre os projetos estão a implantação e pavimentação de 31,26 quilômetros da MS-290, ligando Naviraí, Itaquiraí e Iguatemi, com investimento informado de aproximadamente R$ 84,9 milhões; a restauração da MS-295, com R$ 86,1 milhões no trecho de Iguatemi e R$ 64,7 milhões em Tacuru; a MS-156, com R$ 44,8 milhões em Tacuru; e a MS-488, em Itaquiraí, com R$ 34 milhões.
As intervenções nas MS-295 e MS-156 integram corredores importantes para a circulação regional e o escoamento da produção no sul do Estado.
Saneamento transforma cidades
Se para o produtor uma estrada pode determinar a chegada de insumos e a saída da safra, dentro das cidades parte da transformação ocorre debaixo da terra.
Além da mudança relatada por Juliana em Itaquiraí, Sete Quedas também avança na implantação do saneamento. O prefeito Erlon Fernando Possa Daneluz lembra que o município não possuía o serviço e agora caminha para sua universalização.
Para ele, municípios pequenos e de fronteira dependem da capacidade de apresentar seus problemas diretamente ao Estado.
“Nós temos a liberdade de conversar por telefone com o governador, de marcar agendas, de discutir os problemas do município, de levar os projetos. Quando a gente tem dificuldade, a equipe do governo ajuda a elaborar os planos de trabalho”, afirma. “Aqui em Sete Quedas, que não tinha saneamento, agora o serviço já segue pra ser universalizado.”
Nos dados apresentados para os quatro municípios, estão previstos R$ 7,5 milhões para esgotamento sanitário em Itaquiraí, R$ 14,2 milhões em Sete Quedas e R$ 4,1 milhões em Iguatemi, além de investimentos no abastecimento de água de comunidades e assentamentos.
Em Itaquiraí, o prefeito Thalles Tomazelli também cita uma dessas mudanças fora da área urbana: a entrega do sistema de abastecimento de água do assentamento Santa Rosa, aguardado havia anos pelos moradores.
Para Tomazelli, a principal vantagem do modelo é permitir que as necessidades sejam definidas a partir de quem administra e vive o município.
“As pessoas moram, residem, os problemas estão nos municípios”, resume. “Quando você olha e discute com os prefeitos, com a classe política e a necessidade, é que de fato o municipalismo acontece.”
Estradas, postos de saúde e espaço no orçamento
Em Iguatemi, o prefeito Lídio Ledesma afirma que a parceria com o Estado também produz um efeito menos visível: quando o Governo assume parte dos investimentos de maior porte, o município consegue liberar recursos próprios para outras necessidades.
Segundo ele, investimentos estaduais alcançaram estradas, pontes, unidades de saúde, pavimentação e recapeamento. O prefeito afirma que o município chegou a cerca de 90% de pavimentação asfáltica com auxílio do MS Ativo e conseguiu direcionar recursos para outras áreas, entre elas a educação.
“Conseguimos economizar muito e investir em outros setores”, diz Ledesma. “Fizemos muita pavimentação, muito recape, conseguimos conservar as nossas estradas e criar uma escola de ensino em tempo integral que está sendo modelo, piloto para nós.”
Na saúde, os repasses estaduais informados aos quatro municípios somam cerca de R$ 33 milhões entre 2023 e 2026.
Iguatemi recebeu R$ 9,8 milhões, além de R$ 728,9 mil destinados à reforma e ampliação das unidades de saúde Vila Nova e Vila Rosa, entregues em 2024. Itaquiraí soma R$ 7,1 milhões em repasses; Tacuru, R$ 10,2 milhões; e Sete Quedas, cerca de R$ 5,8 milhões.
Além dos repasses, os hospitais locais recebem contratualizações mensais para manutenção de leitos clínicos e cirúrgicos, enquanto atendimentos de maior complexidade são encaminhados para centros regionais como Dourados e Ponta Porã.
Na fronteira, porém, financiar a saúde envolve uma particularidade: a população oficialmente residente nem sempre corresponde à pressão real exercida sobre os serviços.
O secretário de Saúde de Sete Quedas, Everton Magdo de Cristo, afirma que o novo modelo estadual de financiamento passou a prever um adicional de 20% sobre a produção dos municípios fronteiriços.
“Nós, municípios de fronteira, tínhamos o mesmo tratamento dos municípios que não são. Agora, nesse novo financiamento, nós temos um aditivo de 20% em cima da nossa produção, porque a demanda da fronteira acaba sendo o dobro do que nós recebemos”, explica.
Para Everton, políticas desenhadas de maneira uniforme podem não responder às diferenças entre municípios pequenos, cidades maiores e localidades situadas junto à fronteira. A regionalização, segundo ele, também pode aproximar o atendimento especializado da população.
Em Tacuru, a demanda é também por moradia
Em Tacuru, a secretária municipal de Governo, Aparecida Pedro Rodrigues, aponta a habitação entre as necessidades que chegam à mesa nas conversas com o Estado.
“Um dos setores atendidos é a habitação, que em Tacuru tem um déficit muito grande e precisa de muitas coisas”, afirma. Para ela, o acesso da administração municipal às estruturas estaduais facilita a apresentação dessas demandas.
Nos quatro municípios, os investimentos informados em habitação chegam a R$ 16 milhões. São 33 moradias já entregues e outras 291 unidades em andamento.
Itaquiraí entregou 16 casas e possui 130 em construção. Tacuru entregou 17 e tem 121 unidades em diferentes etapas, incluindo moradias rurais nas aldeias Sassoró e Jaguapiré. Iguatemi trabalha com outras 40 unidades e possui 84 títulos de regularização fundiária em processo.
O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti, cita ainda drenagem e esgoto entre as demandas apresentadas ao Governo do Estado. Segundo ele, são intervenções que precisam ocorrer antes ou junto da pavimentação para evitar que a água comprometa o asfalto posteriormente.
“Tem obra nos quatro cantos da cidade”, afirma. “O governador ouviu a classe política e atendeu as demandas que a cidade realmente precisava: drenagem e esgoto, que fazem a água não afetar mais o pavimento, e as 75 unidades habitacionais, que já estão licitadas.”
A política pública para além das obras
Nem toda presença do Estado, porém, pode ser medida em quilômetros de rodovia, metros de tubulação ou casas construídas.
Nos quatro municípios visitados, 799 famílias são atendidas pelo Mais Social e 431 pelo Energia Social: Conta de Luz Zero. Também foram informadas a distribuição de 1.020 cestas alimentares para indígenas e outras 23 cestas destinadas a famílias de Sete Quedas.
Iguatemi concentra 363 famílias atendidas pelo Mais Social; Itaquiraí, 211; Sete Quedas, 148; e Tacuru, 77. No Conta de Luz Zero, são respectivamente 144, 85, 109 e 93 famílias.
É nesse ponto que Elaine Pereira, secretária de Assistência Social de Sete Quedas, considera que o chamado municipalismo também precisa ser observado.
Há anos trabalhando na assistência, ela afirma que a parceria entre Estado e município não pode se restringir às grandes obras, porque existe outra parcela da população cuja necessidade aparece dentro dos serviços sociais.
“Esse olhar municipalista do governo, de olhar para os municípios com atenção, tanto na parte de obras quanto na parte social, é um diferencial na vida do interior”, diz. “Principalmente para as nossas famílias que estão em vulnerabilidade social, que são vidas atendidas pela assistência.”
É uma dimensão diferente daquela percebida pelo produtor que precisa da estrada, pelo paciente que procura o posto de saúde ou pela família que espera uma casa — mas que faz parte da mesma discussão sobre como recursos estaduais chegam aos municípios.
Do Estado para a cidade — e da cidade para a vida cotidiana
A estratégia defendida por Riedel é dar continuidade a um modelo iniciado na gestão anterior, de Reinaldo Azambuja, e ampliado pela atual administração por meio de programas como o MS Ativo. Prefeitos e representantes municipais apresentam prioridades, enquanto o Estado participa do financiamento e da execução de projetos em diferentes áreas.
Esse desenho, contudo, também estabelece um desafio: manter os investimentos, transformar obras em serviços efetivamente disponíveis à população e garantir que as diferenças entre os 79 municípios sejam consideradas na distribuição dos recursos.
Os próprios depoimentos mostram que as necessidades não são iguais. Em Iguatemi, o produtor fala de pontes e estradas. Em Sete Quedas, a fronteira pressiona a estrutura da saúde. Em Tacuru, o déficit habitacional permanece como uma demanda importante. Em Itaquiraí, uma cidade que praticamente não tinha coleta de esgoto começa a conviver com outra realidade.
Para Juliana de Paula, é justamente essa última transformação que torna uma política pública distante dos gabinetes algo visível.
A rede de esgoto não é, para ela, apenas um indicador de cobertura. É uma mudança que chegou à cidade onde vive.
E talvez seja nessa distância entre o número escrito numa planilha e a obra que alcança a porta de uma casa que o municipalismo defendido pelo Governo de Mato Grosso do Sul terá de continuar sendo medido: não apenas pelo volume de recursos anunciado, mas pelo quanto deles efetivamente se transforma em estrada que permite passar, atendimento que chega, moradia que sai do papel, água que chega à comunidade e saneamento que passa a fazer parte da vida das pessoas.
Fonte: Assessoria de Imprensa | Eduardo Riedel

