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sábado, 3 de outubro, 2026

Urna eletrônica: 30 anos de evolução e segurança nas eleições brasileiras

Este ano marca três décadas desde que o Brasil introduziu uma das maiores revoluções em seus processos eleitorais: a urna eletrônica. Para as gerações mais novas, a lembrança de preencher cédulas de papel e aguardar dias pelo resultado é desconhecida. Antes da adoção da tecnologia, o cenário era de votação manual e apuração demorada, abrindo margens para fraudes e incertezas.

O Brasil ostenta com orgulho seu sistema de votação eletrônica, que se destaca mundialmente. Enquanto nações desenvolvidas ainda dependem de cédulas e processos de contagem extensos, o país sul-americano consegue divulgar seus resultados em questão de horas no mesmo dia da eleição. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assegura a robustez e a segurança do sistema eletrônico brasileiro.

A fragilidade do voto em papel se manifestava na lentidão da apuração manual, que se estendia por dias e criava um ambiente propício para irregularidades. Um exemplo notório do passado, há mais de 30 anos, era a fraude da “urna grávida”, onde cédulas preenchidas indevidamente eram introduzidas na urna antes mesmo do início da votação oficial.

A transformação na Justiça Eleitoral teve seu marco inicial em 1995, com um esforço colaborativo envolvendo especialistas de diversas instituições, incluindo as Forças Armadas e os Ministérios da Ciência e Tecnologia e das Comunicações, que contribuíram para o desenvolvimento da urna eletrônica.

A estreia da urna eletrônica ocorreu nas eleições municipais de 1996, sob o nome oficial de Coletor Eletrônico de Votos (CEV), embora o termo seja pouco utilizado atualmente. Naquele ano, o uso do sistema foi experimental e limitado. A partir das eleições municipais de 2000, todos os eleitores brasileiros passaram a votar eletronicamente.

Ao longo dos anos, a urna eletrônica passou por contínuas melhorias, aprimorando sua segurança e incorporando novas funcionalidades. Em 1998, a urna começou a exibir as fotos dos candidatos. Já em 2002, foram implementadas a cerimônia pública de lacração dos sistemas e o teste de integridade, seguidos pela auditoria dos códigos-fonte em 2004.

A identificação biométrica teve seu início em 2006, com posterior implementação em larga escala. Em 2022, a capacidade de processamento da urna foi ampliada em 18 vezes, e seu terminal passou a contar com tela sensível ao toque para o mesário. Para este ano, a urna apresentará um intérprete de Libras, indicando votos nulos, brancos e legendas, além de uma barra de progresso da votação e a informação sobre a quantidade de dígitos esperada para cada cargo.

A segurança do processo eleitoral é um pilar fundamental. Em outubro de 2025, o TSE abriu o acesso aos códigos-fonte para inspeção por instituições legitimadas, como partidos políticos, Polícia Federal e Ministério Público, que puderam realizar suas verificações até setembro, quando ocorreu a lacração dos sistemas.

O sistema de votação é submetido a mais de 40 processos de auditoria em diferentes fases: antes, durante e após as eleições. A fiscalização abrange desde a abertura do código-fonte até a publicação dos resultados, incluindo Testes Públicos de Segurança, Testes de Integridade, o Registro Digital do Voto (RDV) e a conferência dos Boletins de Urna (BU).

É crucial destacar que a urna eletrônica não possui conexão com a internet, nem utiliza tecnologias como bluetooth ou wi-fi, o que a torna imune a ataques cibernéticos e fraudes remotas. Após o encerramento da votação, os dados são gravados em uma mídia segura, com criptografia e assinatura digital. O Boletim de Urna (BU), emitido por cada urna, registra os resultados locais e é utilizado para a transmissão dos dados para o sistema de totalização, operando em uma rede exclusiva da Justiça Federal.

Ao longo de suas três décadas de existência, a urna eletrônica brasileira nunca teve uma fraude comprovada registrada pela Justiça Eleitoral.

O Brasil não está sozinho no uso de tecnologia para votação. Pelo menos 34 países já adotaram ou utilizam sistemas eletrônicos de votação, sendo que 17 deles empregam urnas eletrônicas em diferentes graus. Entre essas nações estão França, Bulgária, Índia, Peru, México e, em alguns estados, os Estados Unidos.