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domingo, 4 de outubro, 2026

Escola que já foi curral transforma vidas e emoções no dia da votação

Em Águas Lindas de Goiás, a Escola Municipal Domingos Simões se tornou palco de emoções e esperança para eleitores neste domingo (2). O local, que no passado abrigava um curral de vacas, hoje é um símbolo de transformação social e educação, reunindo histórias de quem passou por seus corredores e agora exerce a cidadania.

Um dos primeiros a chegar foi Pedro Pereira, 56 anos, porteiro que interrompeu os estudos no ensino fundamental para trabalhar na roça. Ele relembrou a dificuldade de conciliar o trabalho com a distância de sua casa para a seção eleitoral, mas ressaltou a importância de votar. “Pisar numa escola mexe demais comigo”, confessou, emocionado, destacando o desejo de ver seus filhos com mais oportunidades.

A história de Pedro se cruza com a de muitos outros eleitores que, apesar das limitações educacionais, enxergam na educação a chave para um futuro melhor. A escola, que começou de forma improvisada em 1992 com cerca de 60 crianças, hoje atende 1.350 alunos e se tornou um ponto de referência para a comunidade.

Maria do Socorro Pereira, professora e ex-diretora da instituição, relembrou os desafios iniciais. “Ocupamos o lugar que era o curral das vacas”, disse, explicando que a iniciativa surgiu da necessidade de oferecer ensino para os filhos de trabalhadores rurais. A luta pela estrutura e qualidade do ensino moldou a trajetória da escola, que já se chamou Ayrton Senna da Silva.

O sentimento de gratidão e esperança era palpável entre os eleitores. Géssica Matos, 33 anos, camareira de hospital, votou na mesma escola onde estudou e sonha com um futuro democrático e com ensino de excelência para seu filho de nove meses. “Votar alimenta nossos sonhos”, afirmou, ressaltando o impacto da instituição em sua trajetória.

A voz da comunidade também ecoou através de Adenilson dos Santos Filho, 36 anos, advogado que iniciou sua jornada educacional na escola. Ele creditou à instituição e programas como o Prouni a possibilidade de ascender socialmente. “Essa escola eu nunca esquecerei. É referência para todos nós”, declarou.

A diretora Zélia Vaz, 58 anos, destacou o papel da escola no atendimento a famílias em situação de vulnerabilidade social e a importância de ver ex-alunos retornando como cidadãos com direito ao voto. “Para nós, é muito gratificante vê-los ou revê-los como adultos e cidadãos no direito ao voto”, concluiu.