Recebi hoje, com profunda tristeza, a notícia do falecimento do jornalista João Natalício de Oliveira, nome importante da imprensa de Ponta Porã e de toda a região de fronteira. Sua partida me trouxe lembranças de uma época especial da minha vida.
Foi em Ponta Porã que desenvolvi boa parte do meu gosto pela leitura. E, nessa descoberta, teve papel importante o Jornal da Praça, especialmente no período em que João Natalício esteve à frente de sua direção.
Lembro-me daquele jornal com enorme carinho. Suas páginas traziam notícias, acontecimentos, opiniões e histórias da cidade. Era uma maneira de conhecer melhor Ponta Porã, acompanhar a vida da comunidade e compreender o que acontecia ao nosso redor.
Naquela época, os jornais impressos tinham uma presença muito especial na vida das pessoas. Eram aguardados, lidos com atenção e frequentemente comentados entre amigos e familiares. O Jornal da Praça fazia parte desse tempo e desempenhava um papel importante na comunicação regional.
João Natalício contribuiu para que o jornal se tornasse uma referência na cidade. Dirigir um veículo de comunicação no interior exige dedicação, persistência e compromisso com os leitores. Sua trajetória merece reconhecimento.
Há uma particularidade nesta homenagem: nunca conheci João Natalício pessoalmente. Não tive a oportunidade de conversar com ele ou de lhe agradecer pela contribuição que, mesmo à distância, deu à minha formação.
Conheci-o por meio do jornal que dirigia. E isso, por si só, demonstra a força da imprensa. Um jornalista pode influenciar a vida de pessoas que jamais encontrou. Pode despertar o interesse pela leitura, ampliar conhecimentos e ajudar a formar opiniões.
Comigo aconteceu exatamente isso. O Jornal da Praça foi uma das leituras que acompanharam minha juventude. Aprendi a valorizar a notícia, a palavra escrita e a importância de acompanhar os acontecimentos da sociedade.
Hoje, quando a informação circula em segundos pelos telefones e computadores, é importante recordar aqueles que ajudaram a construir a imprensa regional muito antes das facilidades tecnológicas que conhecemos.
Ponta Porã deve reconhecer a contribuição de João Natalício de Oliveira. Sua história está ligada a um período importante da comunicação local, quando o jornal impresso aproximava pessoas, registrava acontecimentos e ajudava a preservar a memória da cidade.
Sua morte entristece aqueles que acompanharam seu trabalho, inclusive leitores como eu, que nunca tiveram o privilégio de conhecê-lo pessoalmente. Fica minha solidariedade aos familiares, amigos e a todos que conviveram com ele.
João Natalício, talvez o senhor nunca tenha sabido, mas seu trabalho ajudou um jovem de Ponta Porã a gostar ainda mais da leitura. Esse jovem era eu. Por isso, hoje não me despeço apenas de um jornalista. Presto minha homenagem e minha gratidão a alguém que, pelas páginas de um jornal, também fez parte da minha formação. Muito obrigado. Descanse em paz.
André Borges
advogado

