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segunda-feira, 26 de outubro, 2026

Vitória de Lula: Imprensa internacional destaca virada histórica e desafios do novo mandato

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República, conquistada neste domingo (25) em uma virada eleitoral sem precedentes, gerou repercussão significativa na imprensa internacional, com jornais da Europa e Ásia destacando a intensidade da disputa e os desafios que o novo governo enfrentará.

O jornal francês Le Monde descreveu a vitória de Lula como um “milagre”, ressaltando que as pesquisas iniciais apontavam em outra direção. A publicação atribuiu a virada à forte mobilização popular, tanto nas ruas quanto nas redes sociais, e à rejeição de parte do eleitorado a um novo período de extrema-direita no poder, associado ao bolsonarismo e ao alinhamento com Donald Trump. O diário francês enfatizou que a decisão dos brasileiros em comparecer em massa demonstra um forte compromisso com a democracia, a soberania nacional, a proteção da Amazônia e a justiça social.

O britânico The Guardian interpretou o resultado como uma derrota para a Casa Branca, que via em Jair Bolsonaro um importante aliado internacional. A publicação mencionou outros líderes latino-americanos com perfil semelhante que poderiam ter assumido o poder na região, como parte de uma estratégia de influência dos Estados Unidos.

Já a BBC, também do Reino Unido, ponderou que, após a euforia da vitória, Lula terá pela frente um cenário complexo: um Congresso conservador e um país profundamente dividido. Com mais de 48% dos votos destinados a Bolsonaro, o desafio de unir o Brasil e governar com uma base legislativa de extrema-direita, a mais conservadora desde a redemocratização, foi apontado como um dos maiores obstáculos do novo mandato.

A emissora britânica também observou que a reeleição de Lula foge à tendência de ascensão de governos conservadores na América Latina, onde apenas um pequeno grupo de países mantém gestões alinhadas à esquerda. O Brasil, com suas vastas riquezas naturais e posição estratégica, é visto como um país crucial para os interesses dos EUA e para conter a influência econômica da China na região, sendo Lula considerado um líder mais favorável a Pequim.

A agência Reuters, em análise de Brendan O’Boyle, apontou a gestão fiscal e a resistência do Poder Legislativo como os principais testes para o governo Lula. A proposta de aumentar o salário mínimo acima da inflação e a intenção de reduzir incentivos fiscais podem entrar em conflito com a necessidade de controlar a dívida pública, enquanto o Congresso demonstra relutância em medidas que aumentem a carga tributária. A Reuters também previu que o Executivo enfrentará dificuldades para emplacar indicações em órgãos reguladores, no Banco Central e no STF, antecipando um possível desacordo entre os poderes.

No Japão, o jornal Japan Times qualificou a vitória de Lula como “chocante” e o descreveu como um “presidente icônico da classe trabalhadora brasileira”.

Líderes de diversas nações também se manifestaram. A China expressou o desejo de avançar na construção de uma comunidade de futuro compartilhado. O presidente russo, Vladimir Putin, parabenizou Lula pela reeleição, destacando suas qualidades de liderança e a defesa da soberania russa. A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, celebrou a vitória, afirmando que a democracia e o multilateralismo prevaleceram no Brasil.