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segunda-feira, 19 de outubro, 2026

Pastor da Cura Gay presta depoimento ao Ministério Público

Sem falar com a imprensa, ele deixou a promotoria em Campo Grando ao lado do advogado Marcos Jesus

27/02/2019 12h30 – Campograndenews

O pastor Denilson Cordeiro da Fonseca que ganhou notoriedade após oferecer curso de “Cura Gay” em Campo Grande prestou depoimento ao promotor Eduardo Franco Cândia na tarde desta terça-feira (26). Na ocasião, ele explicou os procedimentos da Escola de Cura, na chácara da Comunidade Cristã Aliançados.

Um denunciante procurou o Ministério Público para informar sobre a ação de enganação do pastor que está “usando de discriminação aos LGBT pregando a “cura gay”, mediante pagamento em valores, contrariando o disposto pela OMS que retirou a homossexualidade da lista internacional de doenças, bem como no Código de Ética da Psicologia que proíbe esses profissionais de induzir convicções de orientação sexual nos pacientes (sic)”, diz a Notícia de Fato.

Com depoimento de cerca de meia hora, Denilson deixou a 67ª Promotoria de Direitos Humanos de Campo Grande, no Bairro Chácara Cachoeira ao lado do advogado Marcos Jesus Assis, que não quis se posicionar sobre o teor da oitiva à reportagem que estava no local.

O Campo Grande News procurou a assessoria de imprensa do promotor, que informou que como defesa, Denilson apresentou à promotoria os folders de divulgação do curso negando se tratar de “cura gay” e que dentre os casos atendidos pela Escola de Cura há situações envolvendo vícios em bebidas e drogas; problemas financeiros e de relacionamento.

Ainda na oitiva, o pastor pontuou que a Escola de Cura tem apenas um convênio com a Igreja Comunidade Cristã Aliançados e que na própria Igreja há fiéis homossexuais.

O curso

As informações sobre o retiro que promete cura já foi assunto de matéria do Lado B. A chamada Escola de Cura promove uma internação de três dias e garante que quem está disposto a “mudar” consegue atingir o objetivo. O curso divido em três módulos custa R$ 970, pode ser parcelado e chega a reunir 100 e 110 participantes.

Na Escola de Cura, é tratada, segundo a igreja, “toda maldição”. As maldições, explica, podem ter vindo da família, adquirido por algum pecado ou por alguma atitude.

O retiro começa na quinta-feira a tarde e há atividades coletivas e também individuais com um pastor em um gabinete. Nesse atendimento individual é feito o tratamento do problema específico da pessoa. A cura é feita com orações de renúncia para que a pessoa mude a situação.

Denilson deixando a 67ª Promotoria de Direitos Humanos de Campo Grande, no Bairro Chácara Cachoeira ao lado do advogado Marcos Jesus Assis. (Foto: Danielle Valentim)