Prisões só ocorreram após intervenção da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).
02/03/2019 06h – G1
O caso da adolescente de 15 anos que sofreu um estupro coletivo em Manaus ocorreu no dia 12 de fevereiro, mas a família da jovem denuncia que houve descaso das autoridades em investigar o crime. Dois dos cinco suspeitos de participação no abuso foram presos apenas nesta sexta-feira (1º), mais de 15 dias depois do ocorrido.
Em entrevista exclusiva à Rede Amazônica, a vítima relatou as horas de terror que passou com os criminosos. “Eu fiquei, acho que, umas quatros horas sendo abusada… sem parar”, contou. “Parece que é tudo um pesadelo, parece que eu não consigo acordar disso…”, acrescenta.
A menina saía todos os dias de casa para uma escola na Zona Leste de Manaus. No dia 12, um conhecido da família a acompanhou, mas, em vez da escola, a levou para uma casa, onde ela foi violentada por ele e outros quatro homens – um de cada vez.
Segundo a menina, Daniel, um dos presos nesta sexta-feira, foi o mais violento, e o último a estuprá-la. “Ele foi o último. E eu já não aguentava mais. Mas ele forçava, tentava a toda hora, ele segurava meu braço quando eu tentava empurrar ele pra parar”, lembra.
Depois de conseguir voltar para casa, a menina passou por mais sofrimento, quando ela e a mãe tentaram registrar Boletim de Ocorrência do crime.
Prisões
Na manhã desta sexta, Daniel de Oliveira Lima e Bruno Leonardo dos Santos foram presos. Na delegacia, eles não quiseram falar com a imprensa.
Segundo a polícia, Daniel seria chefe do tráfico local e responsável pelas ameaças, e Bruno foi a pessoa que levou a vítima até os outros criminosos.
“Os dois presos confessam. Admitem o crime. Inclusive, nomearam outros integrantes que até então não tínhamos a qualificação. A desculpa de todo estuprador é que a vítima queria. Nenhuma mulher quer ser estuprada, nenhuma vítima quer ser estuprada. Então, principalmente, violentada da forma que foi”, aponta a delegada Joyce Coelho.
Enquanto convive com o trauma e o medo de novas ameaças, a família espera que todos os envolvidos sejam presos. Outras três pessoas ainda não foram localizadas. “Isso é muito revoltante, porque minha filha poderia ter morrido. Por questões de minutos, ela não morreu”, diz a mãe da vítima.
O outro lado
A Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) disse que determinou à Corregedoria Geral do Sistema de Segurança a abertura de uma sindicância para apurar os fatos.
*Colaboraram Alexandro Pereira, Cesar Nunes, Daniela Branches, Fernando Henrique e Luciane Marques, da Rede Amazônica




