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Abri mão da minha aposentadoria parlamentar para dar o exemplo e hoje contribuo no INSS, fala deputado

Loester Carlos Gomes de Souza, do PSL, conhecido como Tio Trutis e que adotou agora, em Brasília, o nome Loester Trutis, participou do Papo das Seis, do Bom Dia MS.

25/03/2019 10h14 – G1

O deputado federal Loester Carlos Gomes de Souza, do PSL, conhecido como Tio Trutis e que adotou agora, em Brasília, o nome Loester Trutis, participou do Papo das Seis, do Bom Dia MS, nesta segunda-feira (25). Em um primeiro momento, ele comentou uma possível falta de sintonia no partido, o que poderia prejudicar a aprovação de projetos importantes como, por exemplo, a Reforma da Previdência.

“A discussão em todo grupo grande sempre vai haver. O PSL era um partido de 2 deputados e agora tem 55 deputados. É normal haver divergências. Ali a gente tem de delegado da Polícia Federal que operou na Lava-Jato a influencer digital, ex-jornalista, é um partido bem heterogêneo…é a 1ª legislatura da 56ª da tão forte influência das redes sociais, então, acho que isso sempre houve. Mas, agora alguma forma, está mais externada”, afirmou.

O deputado também comentou sobre o episódio no início do ano, em que ele e outros parlamentares foram a China, a convite do governo, para ter contato com empresários e políticos chineses. Na ocasião, houve críticas de alguns setores do governo Bolsonaro, principalmente setores ligados ao filósofo Olavo de Carvalho.

“Na verdade não recebemos nenhuma crítica vindo do governo ou de integrantes do governo. Na verdade, a crítica foi do filósofo, que gravou um vídeo inclusive e uma repercussão de alguns seguidores dele….então assim, todos os sul-mato-grossenses sabem a importância dos países asiáticos para o nosso agronegócio. A gente conseguiu reverter alguns entraves que tinha na nossa balança comercial já com esta viagem. O presidente volta a China agora no 2° semestre e estamos convidados a irem juntos. Então acho que ficou tudo esclarecido. Acho que divergências ideológicas muita para esquerda ou muito para direita, num momento de governo vai atrapalhar. O próprio presidente sempre fez o compromisso de governar sem viés ideológico, o que fosse vantajoso e justo para o Brasil e foi isso que a gente foi atrás”, ressaltou.

Trutis também foi questionado sobre a principal crítica do filósofo Olavo de Carvalho, na qual o grupo dele estaria até tendo contato com o sistema de reconhecimento facial e que poderia adotado em nossos aeroportos.

“Conhecemos o sistema de reconhecimento facial chinês, assim como também já conhecemos israelense. Mas, o grande ruído de comunicação que houve aí é em questão dessa empresa que domina o mercado chinês lá ter tido uma executiva presa por acusação de espionagem….era sobre espionagem industrial e aí a gente foi ver que a maior empresa americana tem 12 executivos presos, a maior empresa japonesa teve executivos presos. O que a gente que é um cidadão comum não sabe é que nesse mundo de alta tecnologia, a espionagem industrial infelizmente acaba sendo uma coisa corriqueira. Nada teve a ver com o governo. Fizeram até uma brincadeira com a gente falando: Nossa, se assustaram tanto quando teve um executivo chinês preso, o tanto de executivos brasileiros que já foram presos e se ninguém mais quisesse fazer negócios com o Brasil, seria uma coisa avassaladora. Mas a gente teve agora o reconhecimento facial usado já no carnaval de Salvador onde um criminoso acabou sendo preso, mesmo fantasiado, graças ao reconhecimento facial”, disse o parlamentar.

No caso da votação da Reforma da Previdência, o deputado falou sobre o prazo. “Acredito que vai ser votada no primeiro semestre. Estivemos conversando com vários militares. Eles estão satisfeitos mesmo tendo um aumento da contribuição obrigatória de 11% para 14,5%, algumas regalias foram cortadas e o que está gerando um desgaste é o que governo Bolsonaro não faz o famoso toma lá dá cá, não oferece cargos em troca de votos. E a tão famosa aposentadoria parlamentar, a partir da próxima legislatura, se Deus quiser estará cortada, então o parlamentar que antes se aposentava com um salário integral de R$ 33 mil, agora vai ter que se aposentar com o teto do INSS, hoje em torno de R$ 5,8 mil. E nós da base do governo, particularmente da minha parte, mesmo tendo direito a aposentadoria parlamentar por ter entrado na 56ª legislatura, já abri mão de uma futura aposentadoria parlamentar e contribuo hoje no INSS. Abri mão do plano de aposentadoria parlamentar para dar o exemplo”, argumentou.

Sobre a proposta, com idade mínima de 65 para homens e 62 anos para mulheres, o deputado comentou as particularidades. “Em regra geral, achei satisfatória. É claro que a gente tem que respeitar alguns direitos preservados. Eu acredito que, para o trabalhador rural, essa idade pode ser reduzida, para trabalhadores de alto risco como policiais, a idade deve ser reduzida, respeitando as suas particularidades. No caso professores acredito que sim, 60 anos é uma idade boa. E mesmo nós, da base do governo, pedimos para fazer uma emenda no Benefício de Prestação Continuada (BPC), para que os trabalhadores passassem a receber R$ 400 aos 65 anos. Nós pedimos para que, já aos 60 anos, como o trabalho do campo é um trabalho mais castigante, que fosse integral esse benefício continuado a partir dos 60 anos, lembrando que hoje, aos 60 anos, o trabalhador do campo não recebe nada. Ele recebe a partir dos 65”, afirmou.

Desde fevereiro deste ano, Loester está coletando assinaturas para a criação da Frente Parlamentar Armamentistas. Hoje, está com 184 assinaturas. Ele ressalta que o objetivo era 170 e ela já está instaurada e, até o dia do lançamento, na primeira semana de abril, deve chegar a 200 assinaturas.

“A frente vem trazer para o congresso assuntos referentes e exclusivos da segurança pública. Por exemplo, o contingente policial ou políticas públicas para a redução da criminalidade. A frente vem trazer para o congresso, tirar só do executivo e trazer para o legislativo, a discussão sobre qualquer tipo de armamento ou da própria legislação. Por exemplo, no Brasil nós temos um monopólio da indústria nacional, que impede as forças policiais de terem uma padronização internacional de armamento. Ou seja, nós compramos um armamento de uma qualidade inferior, com um preço, muitas vezes, superfaturado. Eu não consigo com o meu policial do Rio de Janeiro, que tem a cidade de maior índice de morte de policiais da América Latina, tem um armamento de ponta como um policial americano ou um policial europeu. Essa frente parlamentar, procura, por exemplo, trazer a quebra do monopólio, para quem sabe a gente ter em Três Lagoas uma fábrica sueca que gere empregos, gere dividendos aqui no nosso estado, recolha impostos e possibilite ao nosso policial ter um armamento mais barato e de uma qualidade superior”, garantiu.

O deputado ainda fala sobre o apoio a posse de arma, o decreto, a dívida provisória, a comissão do estatuto do desarmamento. Já a nível regional, Trutis comentou sobre a questão da saúde pública, a região de fronteira e a busca de recursos para o nosso estado.

Tio Trutis participou do Papo das Seis, do Bom Dia MS, nesta segunda-feira (25) — Foto: Átilla Eugênio/TV Morena