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quinta-feira, 22 de outubro, 2026

Polícia reconstitui morte de traficante e apura o que delegado e investigador suspeitos faziam antes, durante e depois do crime

Ao todo, foram três horas de trabalho. Investigação contou com depoimento de várias testemunhas e trancou temporariamente a rua onde ocorreu a abordagem em MS.

09/04/2019 10h29 – G1

A Polícia Civil realizou a reconstituição da morte do traficante Alfredo Rengel Weber, de 48 anos, morto a tiros quando seguia em uma ambulância, no dia 23 de fevereiro deste ano. O delegado e o investigador apontado como os responsáveis pelo crime não participaram da ação, na noite dessa segunda-feira (8), em Corumbá, a 415 km de Campo Grande.

“Nós contamos com a participação de várias testemunhas e agora os policiais estão ouvindo e refazendo as oitivas. O delegado e o investigador continuam não colaborando em nada e agora nossa apuração é para esclarecer o que eles faziam antes, durante e depois do crime. A equipe considerou boa a ação, já que acrescentou elementos. Tudo é muito importante para o conjunto probatório”, afirmou ao G1 a delegada corregedora-geral da Polícia Civil, Rosely Molina.

Além da corregedoria da instituição, policiais da Delegacia Especializada em Repressão à Homicídios (DEH), Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), delegacia regional, além do Instituto de Criminalística participaram da reprodução simulada do crime. “A equipe considerou boa a ação, já que acrescentou elementos e esclareceu circunstâncias do crime. Tudo é muito importante para o conjunto probatório, aliada as diligências”, afirmou ao G1 a delegada corregedora-geral da Polícia Civil, Rosely Molina.

Ao todo, foram três horas de trabalho. A rua onde passava o traficante, ferido e dentro da ambulância, foi fechada temporariamente.

Afastamento
Há seis dias, a corregedoria também retirou as armas, além de acesso aos sistemas policiais e determinou o afastamento compulsório do delegado Fernando Araújo da Cruz Júnior e o investigador Emannuel Nicolas Conttis Leite. Eles cumprem prisão temporária de 30 dias e já estão há 11 na cadeia. A portaria foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE), no dia 4 de abril deste ano.

Investigação
Os suspeitos são investigados há quase dois meses e tiveram a prisão temporária cumprida após ação conjunta da DEH e a Delegacia Especializada em Repressão a Roubos à Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras).

As equipes também cumpriram três mandados de busca e apreensão, tanto na casa dos suspeitos, como na delegacia onde Fernando e Emmanuel atuavam. Segundo Molina, a polícia possui elementos para os pedidos e o andamento do inquérito permanece em sigilo.

O delegado Fernando Araújo da Cruz Júnior, formado na turma de 2014, ainda conforme a corregedoria, atuou por diversas vezes em Corumbá. Atualmente, estava como titular na Delegacia da Infância e Juventude (DAIJ).

Já o investigador Emannuel Nicolas Conttis Leite estava trabalhando na 1ª delegacia do município. No entanto, logo após o crime, ele havia solicitado transferência para a mesma unidade onde estava atuando o delegado e, há pouco dias, atuava naquele local.

Entenda o caso
O boliviano foi morto a tiros quando seguia em uma ambulância para Corumbá. Antes, ele estava na cidade de Puerto Suarez, quando houve a abordagem por volta das 22h (de MS).

Antes, ainda conforme a polícia, a vítima havia sido esfaqueada no país vizinho e era transportada na viatura. Após atravessar a fronteira, a ambulância teria sido parada por outro carro próximo ao pedágio desativado, em frente à sede da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Em seguida, um homem desceu, abriu as portas da viatura e fez os disparos de arma de fogo contra o boliviano.

Segundo a investigação, o crime teria ligação com o tráfico internacional de drogas.

Policiais no início de reconstituição sobre morte de traficante, em Corumbá (MS) — Foto: Polícia Militar/Divulgação

Delegado e policial serão levados para a corregedoria, em Campo Grande — Foto: Polícia Civil/Divulgação