As redes sociais deveriam ter um algoritmo que denunciasse usuários que postam crueldades
17/07/2019 07h40 – R7
O caso de Alline teve a potência de encurralar e desmascarar os canalhas e egoístas, os covardes anônimos que encontram tempo em suas vidas miseráveis para exercitar as mais abjetas perversões. Ocuparam seu ócio maltratando uma pessoa em situação tão extrema de dor, abandono e fragilidade.
A blogueira sofria de depressão. Já temos informação suficiente para saber que se trata de uma doença terrível, ardilosa, muitas vezes invisível. A depressão é uma arma, um revólver esperando que algo ou alguém aperte o gatilho. Na internet, nunca faltam carrascos.
Porém, na morte de Alline, muitos seres abjetos, lodosos, cínicos, que se julgam engraçadoss ou divertidos, levaram uma porrada, um nocaute fulminante: em menos de 24 horas, suas mãos, seus teclados, ficaram cobertos de sangue. Eles sabem. Os comentários ofensivos foram apagados e deram lugar a mensagens de solidariedade. Culpa. Que bom.
Talvez a moça tivesse se matado da mesma forma, sem o cyberbullying que sofreu? Jamais saberemos. Mas temos consciência absoluta de que muita gente sabe o que fez. Alguns se arrependeram. Que mudem a partir disso.
Mas outros virão. É um tsunami de ódio e rancor o que paira sobre nós. Estamos de quilha nessa onda. Ela avança.
As redes sociais deveriam ter um algoritmo que denunciasse usuários que postam crueldades. Deviam ser bloqueados. Sim: censurados. Expulsos do convívio digital. Gente sórdida. Por que não se matam?


