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sábado, 17 de outubro, 2026

Ponta Porã quer fim da violência

11/07/2014 06h10

Reunião na ACEPP buscou soluções para a segurança pública em Ponta Porã

Divulgação (TP)

Considerando-se acima do limite da paciência de qualquer cidadão civilizado, comerciantes, empresários, profissionais liberais e representantes de classes e de comunidades declararam, nesta quarta-feira, durante encontro realizado na Associação Comercial e Empresarial de Ponta Porã (ACEPP), que não aceitam mais os altos índices de criminalidade registrados na fronteira, decidindo deflagrar uma mobilização que inclua não só a população, mas, principalmente autoridades e instituições representativas.

O encontro foi organizado pela ACEPP, a pedido de comerciantes e empresários, vítimas constantes de furtos e assaltos que vêm ocorrendo nos últimos meses em Ponta Porã, tanto no centro como na periferia, colocando em risco o patrimônio e a vida das pessoas. Têm ocorrido em média cinco a sete assaltos a mão armada em estabelecimentos comerciais na área central e nos bairros. Há casos, como o de uma farmácia assaltada esta semana, que já foi vítima dos marginais por quatro vezes.

A ACEPP convidou para o evento o comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel QOPM, Hélio Gauto Rios, o secretário municipal de Segurança Pública, Valério Azambuja, vereadores e representantes de outros órgãos de segurança, como a Polícia Civil e a Polícia Federal.

Só o comandante da PM e um representante da PF se fizeram presentes. O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Ponta Porã, Eduardo Gaúna, e o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Ponta Porã (Sindporã), Amauri Osório Nunes, ao lado do ten. Cel. Gauto, deixaram a palavra em aberto e ouviram as queixas dos comerciantes, empresários e outros convidados, sem apontando para o alto índice de furtos e assaltos, passando pela clara impunidade para estes crimes e chegando à exigência de uma solução imediata para reduzir a criminalidade.

POLICIA MILITAR

O comandante Gauto, a exemplo do que fez o técnico Felipe Scolari, na tarde de terça-feira, assumiu a responsabilidade e reconheceu que há uma carência de policiamento ostensivo na cidade. Mas, ele foi melhor que o gaúcho de Caxias do Sul. Lembrou que um concurso foi realizado pelo Governo do Estado e contemplou Ponta Porã com o maior número de policiais militares. Disse que eles começarão a ser treinados em breve e que dentro de quatro meses poderão estar nas ruas de Ponta Porã.

O tenente-coronel frisou que, além do pequeno efetivo, a PM de Ponta Porã cuida da segurança de Antônio João, Assentamento Itamarati, Sanga Puitã, Laguna Caarapã e Aral Moreira. Para ele, a unidade está sobrecarregada de trabalho e a única solução é o reforço do contingente.

Outro acumulo de funções que a PM exerce são as escoltas de presos e a proteção de órgãos públicos estaduais, além dos dois estabelecimentos penais e da Unei. O policial disse que muitas vezes precisa deslocar uma guarnição de quatro homens para escoltar presos para outros municípios. “Isso requer reforço no equipamento, planejamento e gera despesas. Tem gente que pensa que o policial militar não tem família, não dorme, não come. Ele não pode trabalhar ininterruptamente”, acrescentou.
Sobre as queixas no funcionamento do telefone 190, o comandante disse que é incontável o número de trotes que a central recebe, mas, pediu para ser alertado quando isso ocorrer e colocou o próprio telefone pessoal à disposição dos presentes.

CÂMERAS

Os comerciantes também apontaram para a necessidade de se implantar imediatamente o sistema de videomonitoramento por câmeras no quadrilátero comercial da cidade. O presidente da ACEPP lembrou que a entidade foi pioneira na mobilização em busca desse benefício, tendo inclusive elaborado um projeto num convênio com a empresa Brinks, mas, em virtude do surgimento do Gabinete de Gestão Integrada de Fronteira (GGIFRON), instituição coordenada pelo Governo do Estado, em parceria com a União, cujas ações incluem a instalação de câmeras de segurança nas entradas e no centro da cidade, o plano da ACEPP ficou “congelado”. Ocorre que, as ações do GGIFRON, principalmente no que se trata de aquisição e instalação de equipamentos de segurança devem demorar bem mais do que se imagina.

GUARDA MUNICIPAL

A importância da Guarda Municipal de Ponta Porã foi reconhecida por todos, sobretudo em função de intervenções que seus homens têm conseguido, invariavelmente, para deter marginais. Porém, a maioria dos presentes à reunião ressentiu a ausência do policiamento a pé, tipo “Cosmo e Damião”, que vinha sendo feito no começo dos trabalhos da guarda na cidade. Eles concordaram que as duplas de policiais andando pelo centro da cidade reforçam a segurança e inibem a ação de bandidos.

COBRANÇA

Agora, a ACEPP deverá realizar um novo encontro, na próxima segunda-feira (14), às 9 horas, em sua sede, com a presença dos mesmos convidados e de muitos outros, dando oportunidade aos que não compareceram de participar das decisões em torno da segurança pública de Ponta Porã, já que o assunto é do interesse de todos.

O objetivo é cobrar gestões políticas de vereadores, deputados e do prefeito Ludimar Novais, de instituições representativas e de outras forças vivas no sentido de exigir providências do Governo do Estado para reduzir a criminalidade na fronteira.

Além disso, o encontro deve definir detalhes sobre manifestações que poderão ser programadas, incluindo, neste caso, literalmente “colocar o povo na rua”.

 (Foto: Edmondo Tazza)