Levantamento do Sebrae indica a maioria dos empresários que tentaram acessar as linhas disponibilizadas pelo governo sem financiamento aprovado
21/04/2020 06h40 – Correio do Estado
O governo federal anunciou ajuda financeira aos empresários do País, por meio de mais créditos e linhas de financiamento com juros mais baixos. Apesar de mais opções, os empresários de Mato Grosso do Sul estão tendo dificuldades em acessar esse crédito. O Levantamento do Sebrae indica que mais de 63% dos empresários que pediram empréstimo não conseguiram. As instituições alegam que a falta de garantias justifica como negativas.
Entre as opções, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou medidas para injetar R $ 55 bilhões no sistema financeiro brasileiro, dos quais R $ 5 bilhões foram disponibilizados para o setor empresarial. Assim como o governo estadual liberou R $ 50 milhões do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) para capital de giro das micro e pequenas empresas.
A Caixa oferece uma linha para pagamento de folha mensal a empresas com faturamento anual entre R $ 360 milhões e R $ 10 milhões. Para contratação, como micro e pequenas empresas precisam de uma folha de pagamento com uma Caixa. Não há tempo de relacionamento prévio. Novos clientes podem fazer uma solicitação, desde que levem sua folha de pagamento para uma instituição.
De acordo com o gerente de desenvolvimento de negócios do Sicredi, Benjamin Greco, cada instituição financeira tem suas condições para a tomada de crédito, mas quem levou como instituições negativas são questões burocráticas. “Uma questão de cadastro e composição de garantias. As regras não são alteradas para um concessão desses créditos direcionados. Continua tendo uma necessidade de ter todas as certidões, sem nenhuma restrição e com a necessidade de respaldo financeiro e patrimonial, algo que a maioria dos empresários não tem “, explicou.
O Greco ainda disse que essas garantias são necessárias para todas as instituições bancárias. “Porque o risco de contraparte é a instituição que concede o crédito, ou seja, se o cliente não pagar, quem deve fazer o repasse ao BNDES, por exemplo, é uma instituição financeira. Então, nesse ambiente em que todos estão preocupados, com problemas de fluxo de caixa, os bancos em geral não estão confortáveis em conceder esse crédito. A discussão agora é se o governo pode entrar com esse risco de contraparte, se ele assumir esse risco por conta dos clientes “, reforçou o gerente de desenvolvimento de negócios do Sicredi.
A Caixa informou ao Correio do Estado que mede a condição de avaliação de risco de crédito e as opções de contratação disponíveis para clientes e não clientes, sem necessidade de relacionamento mínimo nem aplicação. “Esclarecemos ainda que, uma taxa de juro e a variação da operação de crédito, como taxas de juros podem variar conforme o relacionamento com o cliente”, afirmou por meio da nota.
EMPRESAS
O levantamento realizado pelo Sebrae aponta que 25,33% das micro e pequenas empresas de Mato Grosso do Sul já tentaram buscar financiamentos, destas, 63,16% tiveram o recurso negado, 10,53% conseguiram e 26,32% ainda aguardam uma resposta das instituições.
Para o analista técnico do Sebrae-MS, Vagner Teixeira, o crédito depende de cada instituição financeira. “De uma forma geral, é necessário ser cliente dessa instituição, fornecer os documentos necessários para a análise do pedido de crédito, entre outras exigências. Pesquise também instituições financeiras concorrentes, pois elas podem ter menos uso e liberar o crédito mais rapidamente “, indicou.
EMPRESÁRIOS
O estudo do Sebrae aponta que 48% das empresas vão precisar de empréstimos para manter as portas abertas. De acordo com um economista do Instituto de Pesquisa de Fecomércio (IPF-MS), Daniela Dias, neste momento, os negócios usam os benefícios da facilitação de crédito, porque sem os investimentos ou o impacto será muito maior sobre as empresas.
“Este é o momento em que o governo federal precisa de uma intervenção mais significativa no valor de taxa de juros, e essa questão de quão arriscado é que acaba pesando muito na hora de tomar um empréstimo. Então, há uma necessidade de que isso seja revisto para que a economia continue girando “, considerou Daniela.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-MS), Juliano Wertheimer, é muito difícil acessar esses contratos. “No caso do FCO, nossa dificuldade é garantir, eles continuam fazendo análise de risco”, explicou.
A Wertheimer ainda ressaltou que boa parte dos empresários não tem como oferecer descontos por esses descontos no momento. “Muitos usaram a movimentação do cartão de maquininha para conseguir esses financiamentos. Mas, como caíram como vendas e, consequentemente, uma movimentação, não têm como oferecer essa garantia neste momento “, relatou o presidente da Abrasel.
Para o diretor da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), Renato Paniago, ou o incentivo para os empresários é fundamental. No comércio, alguns já conseguiram esses recursos e outros não.
“Alguns empresários não têm acesso por falta de garantias, para conseguir esses empréstimos existe muita burocracia. Não depende apenas das normas federais, como as instituições precisam facilitar o acesso. Os bancos devem pensar em dar suporte a essas empresas, porque cada empresa que fecha e desmobiliza funcionários são clientes a menos. E deviam pensar que essa crise vai passar “, contextualizou Paniago.


