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Teich: resultados preliminares de hidroxicloroquina saem nos próximos dias

Em audiência no Senado Federal na última quarta-feira (29), o ministro já havia falado que a “cloroquina ainda é uma incerteza”

04/05/2020 15h30 – Correio Braziliense

O ministro da Saúde, Nelson Teich, disse na noite do último domingo (3/5) que na próxima semana deve ter acesso a dados preliminares sobre estudos no Brasil com hidroxicloroquina no combate à Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. “Talvez já saia alguma conclusão sobre os estudos com hidroxicloroquina no Brasil. É uma avaliação preliminar, mas a gente já pode ter uma informação melhor sobre a eficácia dos medicamentos”, disse.

Ao lado do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), e do secretário-executivo do Ministério da Saúde, Eduardo Pazuello, Teich falou em uma transmissão feita pelas redes sociais que existe um foco muito grande nos medicamentos, e que tem acompanhado diariamente os estudos realizados em todo o mundo. O Brasil, segundo ele, participa de programas mundiais não só com a hidroxicloroquina, mas com outros medicamentos. Conforme o ministro, no país existe um “pool” (consórcio) de quase 100 hospitais trabalhando nisto.

Em audiência no Senado Federal na última quarta-feira (29), o ministro já havia falado que a “cloroquina ainda é uma incerteza”. “Teve aqueles estudos iniciais que sugeriram benefícios, mas existem estudos hoje que falam o contrário”, disse. Naquela ocasião, o ministro afirmou que existiam vários estudos acontecendo no Brasil e que uma análise preliminar deveria sair na primeira semana de maio – que seria nesta semana.

Teich falou que conversou com um representante do grupo farmacêutico Novartis, que produz a cloroquina na China, e que ele afirmou que houve dados preliminares apontaram para uma mortalidade alta e que “certamente o remédio não vai ser um divisor de águas em relação à doença”.

No último domingo (3), o ministro pontuou ainda que “o melhor que poderia acontecer seria surgir um remédio que funcionasse”. “Isso mudaria essa história que a gente está vivendo pra noite do dia”, disse. Teich ressaltou que vacinas serão mais difíceis de serem desenvolvidas, mas disse que o governo já antecipa contato com indústrias que estão trabalhando em pesquisas para que consiga comprar quando for desenvolvida. “Caso contrário, a gente pode ficar a reboque de países mais ricos”, afirmou.

O ministro disse que o governo federal já mapeia o Brasil inteiro, de forma detalhada, e já consegue antecipar locais onde possivelmente a doença vai crescer de forma rápida e sobrecarregar o sistema. Com isso, segundo ele, a pasta irá intervir precocemente para evitar danos maiores.

Teich está no Amazonas, quinto estado em maior número de casos e óbitos por coronavírus e onde o sistema de saúde já entrou em colapso. Nesta segunda-feira (4), eles visitam os hospitais Delphina Rinaldi Abdel Azir, Nilton Lins e o hospital de campanha de Manaus.

O ministro também anunciou que serão disponibilizados nesta semana de 20 milhões a 21 milhões de testes para realizar a chamada “testagem em massa” no país.

Respiradores

O secretário Eduardo Pazuello afirmou que o Brasil tem uma capacidade de produção de respiradores de cerca de 180 a 200 por semana, muito abaixo que a necessidade do país. “É um número muito pequeno para o Brasil como um todo”, disse.

De acordo com ele, o ministério está buscando alternativas de fabricação nacional. “Tivemos briefing de empresas que estão lançando protótipos”, afirmou, explicando que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está à frente das discussões. Em paralelo, segundo ele, estão buscando compras no exterior de uma maneira direta, evitando atravessadores, para agilizar os processos e “receber e distribuir na quantidade necessária e no local assim definido”.

O general informou que existem quatro empresas no Brasil que são as grandes fabricantes de respiradores, e que foi feito um contrato com elas. No entanto, nenhuma empresa estava preparada para fabricar a quantidade de aparelhos que o país precisa e foi por isso passar por adaptação para aumentar a capacidade de produção.

“Essa produção está impactada também pelos insumos comprados no exterior. Todo o conjunto impacta”, afirmou. Para agilizar a entrega nos estados, Pazuello disse que os equipamentos estão sendo retirados direto da linha de produção das empresas e não estão sequer passando pelos depósitos do ministério.

Teich: resultados preliminares de hidroxicloroquina saem nos próximos dias