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domingo, 18 de outubro, 2026

Copa do Mundo – Alemanha é tetra no Maracanã

13/07/2014 18h

A seleção Alemã conseguiu furar retranca Argentina somente na prorrogação

UOL

A Alemanha é tetracampeã. De vilã da semifinal para heroína dos brasileiros na decisão. O time de Joachim Löw bateu a Argentina no Maracanã por 1 a 0, na prorrogação, e levantou seu quarto título na história: e o tetra deixa muitos no Brasil felizes. Menos do que os milhões de alemães, é claro, mas o coração do torcedor brasileiro sempre lembrará da segunda Copa que o país sediou também pela alegria da seleção alemã – que chegou dançando com índios, passou o tempo com as brincadeiras de Podolski sobre o Brasil, e deixa o país com a taça do mundo. Os encontros alemães com o povo brasileiro, tirando um pequeno detalhe formado por sete gols em uma semifinal de Copa, provam que a mistura entre se isolar – o time se concentrou em uma pequena cidade da Bahia – e aproveitar o tempo longe de casa dá certo. E muito.

Götze se tornou o herói do país que conquistou o Brasil. A torcida e a Copa. O sonho completo. A campeã do mundo mostrou uma variação de jogo inacreditável para apenas sete jogos de Copa. Começou com a velocidade contra Portugal e uma goleada marcante. Mostrou que podia ser parada por Gana. Soube jogar no abafa contra os EUA. Contou com a sorte e com a grandiosidade de Neuer contra a Argélia. Foi metódica contra a França. Humilhou o Brasil. E foi sádica contra a Argentina. Quando foi apertada, achou um gol em uma retranca na prorrogação. Dramática. Mas com merecimento. É tetra.

O melhor:

Götze – O alemão fez fraca Copa. Chegou a ser titular na primeira fase, mas perdeu a vaga. Joachim Low testou Klose, testou Schürrle. Mas Götze sempre recebia uma chance, nem que fosse de alguns minutos, E foi na última dessas pequenas chances que o meia explicou por qual motivo continuou recebendo-as. Matou no peito, fuzilou Romero. Em um jogo sem grandes destaques individuais, o protagonista do lance decisivo é quem será lembrado. Götze é o nome.

Para lembrar:

A Alemanha é o terceiro time a conquistar quatro títulos mundiais. Curiosamente, a 4ªtaça chega 24 anos depois da terceira (1990 – 2014), assim como ocorreu com Brasil (1970 – 1994) e Itália (1982 – 2006).

Kramer foi titular pela Alemanha na final do Mundial após atuar por apenas 12 minutos em toda a Copa. Ele entrou aos 4 min. do 2°t da prorrogação no duelo das oitavas contra a Argélia, e nos acréscimos do 2° tempo do jogo das quartas contra a França. Na decisão, acabou jogando pouco também: se contundiu após dividida pelo alto e, aos 31 minutos de jogo, foi substituído por Schürrle.

Além dessa concussão de Kramer, outra ocorreu na partida: Higuaín foi atingido na cabeça pelo joelho de Neuer, após lançamento longo – o árbitro italiano Rizzoli marcou falta de ataque. Mas a situação fez com que diversos comentários surgissem sobre a falta de atitude da Fifa após lances de pancada envolvendo a cabeça dos jogadores – há quem cobre tratamento melhor em campo e até substituição imediata, para evitar lesões mais graves em área tão perigosa do corpo.

A final teve duelo de torcidas, mas sem os alemães inclusos. Brasileiros e argentinos revezavam nos gritos mais altos. Do lado amarelo, o cântico “mil gols, só Pelé” era o mais ouvido; no argentino, o nervosismo deixava os rivais sul-americanos na vantagem, já que apenas em lances de perigo a torcida celeste e branca aumentava a voz.

Schweinsteiger recebeu um “soco” de Agüero no segundo tempo da prorrogação e teve que deixar o campo com sangramento no rosto – em poucos minutos, foram três pancadas recebidas pelo alemão, incluindo um carrinho “duplo” de Mascherano e Biglia. O lance ocorreu em dividida pelo alto. Agüero não recebeu cartão – nem falta foi marcada.

O que falta para Lionel Messi? Uma Copa, todos dizem em uníssono quando alguém questiona o papel do camisa 10 argentino na história do futebol. A glória estava em suas mãos neste domingo. Era a Copa das Copas, no palco dos palcos, para o craque dos craques. Messi, pacientemente, caminhou para a glória. Não chegou a tempo. Agora, volta para o fim da fila dos grandes que nunca tiveram a honra de vencer o torneio mais importante do esporte.

Protagonista de uma Argentina histórica, embora não brilhante, Lionel Messi não foi decisivo como se esperava. Na final que poderia consagrá-lo, o craque do Barcelona não foi craque na seleção, e viu a Alemanha roubar-lhe a glória no Maracanã, com uma vitória por 1 a 0 na prorrogação.

E a fila que Messi terá de percorrer é longa. Como ele, Cruyff (pai do estilo que o consagrou na Espanha), Zico (um dos maiores gênios do Maracanã) e Di Stéfano (um de seus maiores compatriotas, morto há poucos dias) também sofreram com a ausência.

Copa do Mundo - Alemanha é tetra no Maracanã

Capitão Philip Lahm levanta a taça do tetracampeonato alemão na Copa do Mundo Julio foto:Cesar Guimaraes/UOL

Messi fica parado no meio do gramado do Maracanã.foto: AP Photo/Hassan Ammar