29/01/2014 16h10
O patamar de R$ 2,45 não era atingido no intradia desde agosto do ano passado
G1
O dólar ampliava a alta e chegou a superar o nível de R$ 2,45 nesta quarta-feira (29), com investidores sob a expectativa com o Federal Reserve (banco central norte-americano) – que pode anunciar mais um corte em seus estímulos monetários no final desta tarde – e também testando até que ponto o Banco Central brasileiro permitirá o fortalecimento da divisa norte-americana.
O movimento era acentuado pela briga antes da formação da Ptax de janeiro, taxa calculada pelo BC no último pregão do mês que serve de referência para diversos contratos cambiais.
Às 12h12, o dólar subia 0,85%, a R$ 2,4472 na venda, mas chegou a bater R$ 2,4509 na máxima do dia, com alta de pouco mais de 1%.
O patamar de R$ 2,45 não era atingido no intradia desde agosto do ano passado e alimenta as expectativas de que o BC brasileiro possa atuar mais forte no câmbio para evitar mais altas do dólar, a fim de retirar pressão inflacionária, destaca a Reuters.
“Com as notícias fracas que vêm vindo sobre o cenário interno e somando a ansiedade com o Federal Reserve (banco central norte-americano), o pessoal já se prepara para o pior cenário”, afirmou o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo. “Além disso, o pessoal especula sobre em que momento o BC vai intervir (mais) para conter a alta do dólar”, acrescentou.
O mercado trabalha sob ampla expectativa de que o Fed anuncie nesta quarta-feira novo corte de US$ 10 bilhões em seus estímulos mensais, a US$ 65 bilhões, o que reduz ainda mais a oferta global de liquidez.
A decisão vem num momento de persistentes preocupações com a situação econômica brasileira e constante mau humor com mercados emergentes.
Para combater essa desconfiança, o banco central turco elevou na véspera suas principais taxas de juros, mas o anúncio não foi capaz de segurar a alta da moeda norte-americana frente ao real. E o BC sul-africano, nesta manhã, seguiu o mesmo caminho.
Esse movimento no câmbio pode preocupar o BC, uma vez que tende a contaminar a inflação por meio do encarecimento de importados. Segundo analistas, a escalada da moeda norte-americana pode levar a autoridade monetária a realizar intervenções adicionais no mercado.
“O mercado está tentando o BC. Se o dólar continuar subindo tanto, ele vai precisar entrar mais no mercado”, ressaltou à Reuters o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.
Nesta manhã, o BC deu continuidade às intervenções diárias vendendo a oferta total de até 4 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes a venda futura de dólares. Foram 2 mil contratos com vencimento em 1º de setembro e 2 mil em 1º de dezembro deste ano. A operação teve volume financeiro equivalente a US$ 197,2 milhões.

