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domingo, 18 de outubro, 2026

A guerra silenciosa das agências funerárias

04/12/2013 15h20

Empresas tentam demarcar território e sem esquema de plantão até ameaças já foram registradas

Jornal Regional de Ponta Porã

O atendimento funerário ao crime ocorrido nas primeiras horas da manhã de ontem, em Ponta Porã, deixou evidente a guerra ‘fria e silenciosa’ entre as agências funerárias no município. É latente a disputa pelo serviço, tanto nos hospitais em casos de mortes naturais, como em fatos como o registrado ontem, onde um jovem de 28 anos foi fuzilado no trevo da cuia (matéria na página 19).

Funcionários da empresa Inter Pax chegou ao local do crime quase que instantaneamente ao ocorrido e o veículo foi postado bem próximo ao veículo onde estava a vítima de homicídio. Poucos instantes após, chegaram funcionários da empresa ‘Pax Primavera’, outra agência funerária em funcionamento na cidade, e se postaram também próximo ao veículo Hilux onde o corpo da vítima estava sendo periciado.

A todo instante, funcionários de um lado e de outro das empresas funerárias se cruzavam entrelaçados como quem demarcava território para efetuar o serviço. Mesmo diante de todo o drama enfrentado, como no caso de ontem, as famílias são abordadas muitas vezes de uma forma inadequada, já que a situação expõe familiares enlutadas que ainda estão sob o choque da morte de um ente querido, principalmente em situações de violência, como ocorreu ontem no trevo da cuia, onde o jovem James Rodrigues da Silva Amaral foi executado com vários tiros de pistola 9 milímetros.

Familiares já reclamaram da situação na Polícia Civil e ao JORNAL REGIONAL em inúmeras ocasiões. A situação mais dramática, segundo consta, ocorreu no Hospital Regional de Ponta Porã, onde a disputa pelo serviço já protagonizou desavenças e ameaças entre as empresas funerárias que atuam na cidade.

“Existe uma guerra fria pelo domínio do serviço e ninguém respeita a dor de quem perde um ente querido”, enfatizou em certa ocasião o pai de uma vítima de acidente automobilístico, ocorrido mês passado. “Abordam a gente como se estivessem vendendo um carro, uma casa. Isso não está certo. Deveria haver uma certa disciplina’, disse esse pai, ainda abalado pela perda trágica de um filho de 24 anos.

Funcionários de uma empresa 'assistem' e esperam ao lado do carro da concorrente Foto: JR

A guerra silenciosa das agências funerárias