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sábado, 17 de outubro, 2026

A nova cara de mau do Camaro

19/04/2014 16h40

Linha 2014 do pony car mostra em uma semana que está mais para o rock’n’roll

O Globo

E o que era um esportivo bacana virou símbolo brega por causa da música “Camaro amarelo”. Mesmo assim, é preciso dar o braço a torcer e admitir que o hit “sertanejo universitário” tem razão: a bordo desse Chevrolet, qualquer um fica doce. E, em sua linha 2014, o pony car ficou ainda mais chamativo.

O Camaro SS (única versão importada, que é vendida no país por R$ 210 mil) enviado para nós era preto. Ufa… A grade está mais larga e baixa, o para-choque mudou e o capô ganhou uma saída de ar. Tudo reforça a cara malvada. Atrás, novas lanternas formam um bloco retangular, como nos Camaro 1967. Há ainda um grande aerofólio.

A posição de dirigir me faz sentir na filmagem de “Bullit”. Vou afundado no carro, que tem linha de cintura alta e capô bem largo (ao parar, você tem a impressão de que está meio para fora da vaga). Os bancos justos receberam regulagens elétricas.

Motor ligado, os ponteiros saltam, inclusive os do console central (que tem termômetro de óleo e amperímetro, entre outros instrumentos). O ronco grave do V8 chama muito a atenção.

Nas calçadas, pescoços torcidos. É fácil fazer a leitura labial dos transeuntes, com dedos apontados: “Olha, o Camaro!”. O bicho se impõe. Perdi a conta dos motoristas que me deram passagem em cruzamentos, garagens ou em mudanças de faixas.

Com os vidros levantados e ar no máximo, curto minha fase doce, o som do motor e o rock no no sistema multimídia — outra novidade da linha 2014 do Camaro.

O pony car adotou uma versão sofisticada do My Link, com tela de sete polegadas sensível ao toque e comandos de voz. Falando, é possível mudar faixa de música, a intensidade do ar-condicionado e até mesmo indicar um destino para o GPS.

Na cidade, o Camaro é um pitbull amarrado. Aproveito uma manhã de sexta-feira e parto rumo a Petrópolis para ver o que o V8 “small block” à antiga (com comando no bloco e duas válvulas por cilindro) tem a oferecer.
Sobra força: com 6,2 litros, esse motor rende 56kgfm de torque e 406cv de potência. Ainda assim, o Camaro não é bruto com o motorista. Basta usar as aletas atrás do volante para comandar as seis marchas do ótimo câmbio automático. A direção, bem pesadinha, anima ainda mais a subida da serra.

O visual é retrô, mas a suspensão traseira é multibraço, dando ao Camaro um excelente comportamento dinâmico. Mas não há milagre: nesse carro baixo, com aros de 20 polegadas, as imperfeições da pista são repassadas à coluna do motorista.

Numa reta plana e em velocidade de cruzeiro, quatro dos cilindros são desligados por economia. Mesmo assim, na estrada, o Camaro fez 5,5km/l — na cidade, foram 4,6km/l.

Lembro dos 250km/h de máxima que dei no carrão quando tive oportunidade de dirigi-lo em seu lançamento, no Campo de Provas da GM, interior de São Paulo, sem limites de velocidade. Saudades…

De volta ao Rio, o pony car continuou a adoçar a vida. Olhares, fotos… é impossível passar despercebido no Camaro. Imagine se fosse amarelo.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/teste-camaro-fica-com-cara-de-mau-para-superar-fama-de-sertanejo-11640005#ixzz2zMWyDzhy
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